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OPINIÃO: Normalidade institucional e luta social
Editorial Luxemburgo 3 min. 16.03.2016

OPINIÃO: Normalidade institucional e luta social

OPINIÃO: Normalidade institucional e luta social

Foto: Reuters
Editorial Luxemburgo 3 min. 16.03.2016

OPINIÃO: Normalidade institucional e luta social

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - "A Rússia retaliou e deixou de importar carne de porco europeia. Como a procura baixou, os produtores espanhóis conseguiram colocar a sua produção em Portugal, por metade do preço."

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Os dois partidos da direita arrumaram a casa, com a reeleição da liderança de Passos Coelho, no caso do PSD, e a eleição de Assunção Cristas como nova presidente do CDS. Com isto, o sistema político retomou a normalidade.

Para ajudar, Marcelo Rebelo de Sousa, o novo Presidente da República, já assumiu a plenitude das suas funções. O Governo, a oposição e o árbitro do regular funcionamento das instituições estão em absoluta normalidade dos seus magistérios.

Pedro Passos Coelho ganhou as eleições do PSD, sem qualquer opositor, o que não significa que haja unanimidade de apoio à sua liderança. Os putativos adversários não apareceram, porque acharam que este ainda não era o momento. Mas estão atentos, à espera de uma próxima oportunidade.

O que se vai passar, a partir de agora, já é uma história repetida. Vimos isso recentemente, no PS, durante a liderança de António José Seguro. Já o vimos no PSD, aquando das lideranças de Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e de Marcelo Rebelo de Sousa, que caíram antes mesmo de disputarem eleições. Passos Coelho corre esse risco.

No CDS, a questão é um pouco diferente. Assunção Cristas apresentou-se a eleições sem concorrência e isso traduziu-se numa vitória fácil. Mas ainda antes de ser eleita, já se notavam muitas movimentações de oposição interna. O artífice de tudo isto foi Paulo Portas, quando apresentou quatro nomes que, em sua opinião, tinham a capacidade suficiente para liderar o partido.

Daqui resultou uma divisão dos apoios e, por essa razão, alguns dos puotenciais candidatos preferiram ficar de fora, porque não queriam correr o risco de perder. Só Assunção Cristas teve a coragem  -  chamemos-lhe assim  -  de partir para a corrida. Mas cedo demonstrou que não é a líder que muitos sectores do partido desejavam. Ela própria tem essa consciência e passou a enaltecer a competência da equipa que a acompanha. Não só na direcção do partido, mas também dos conselheiros que a vão ajudar.

Deste congresso saiu claramente uma enorme ambiguidade ideológica que vai marcar os próximos tempos do CDS. Tudo parece indicar que Assunção Cristas opta pela via mais neoliberal, como no tempo de Paulo Portas. Mas, assustada com a promessa de Passos Coelho, de regresso à social-democracia, Cristas deixa em aberto a possibilidade de fazer voltar o CDS às origens democrata-cristãs. O tempo ajudará a esclarecer a questão.

Esta semana será importante para a direita portuguesa. No Parlamento, procura-se uma forma final para o Orçamento de Estado, enquanto nas ruas, produtores de carne suína, de leite e operadores de transportes levam os seus protestos a formas máximas.

O caso dos suinicultores é o de mais fácil explicação. A União Europeia impôs sanções económicas à Rússia, em resposta ao diferendo sobre a Ucrânia. A Rússia retaliou e deixou de importar carne de porco europeia. Como a procura baixou, os produtores espanhóis conseguiram colocar a sua produção em Portugal, por metade do preço. As grandes cadeias de distribuição, logicamente, passaram a comprar carne de porco a Espanha, em detrimento da produção portuguesa. E agora, toda a gente exige do Governo medidas que atenuem os prejuízos dos suinicultores. A solução só pode ser uma: pedir à União Europeia que pague agora os estragos que fez, ao impor sanções económicas à Rússia. Neste caso, como era previsível, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

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