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OPINIÃO: E agora, António Costa?
Editorial Luxemburgo 2 min. 07.10.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: E agora, António Costa?

Editorial Luxemburgo 2 min. 07.10.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: E agora, António Costa?

POR SÉRGIO FERREIRA BORGES - Foi uma estrondosa derrota do PS, com uma vitória inequívoca da direita. Mas o desaire dos socialistas teve muito maior dimensão que o sucesso da direita.

POR SÉRGIO FERREIRA BORGES - Foi uma estrondosa derrota do PS, com uma vitória inequívoca da direita. Mas o desaire dos socialistas teve muito maior dimensão que o sucesso da direita.

O Partido Socialista ficou “entalado”, sem estratégia visível que o possa conduzir ao sucesso num futuro próximo. Se agora viabilizar um governo da direita, nem que seja apenas através da convergência parlamentar, abre uma porta à esquerda, para grande parte do seu eleitorado que, em próximas eleições, irá reforçar outras forças, como o Bloco de Esquerda. Paradoxalmente, se bloquear a governação de Passos Coelho e Paulo Portas, sofrerá também o tradicional castigo do eleitorado. Os portugueses, por norma, costumam castigar nas urnas os partidos que abrem crises políticas. Tudo isto está a tirar o sono a António Costa.

REUTERS

O PS parece assim sem estratégia para o futuro imediato. Talvez por isso, ninguém tenha sido claro a pedir a demissão do líder, como é habitual depois de uma derrota eleitoral. Mas, à hora a que escrevo, ainda desconheço os resultados da reunião de ontem, terça-feira, da Comissão Política dos socialistas.

Os resultados destas eleições derrotaram as teses que, dentro do PS, insistem que o partido deve ocupar sempre um posicionamento mais centrista. Nada de mais errado. Os dois partidos de direita, somados, valeram pouco mais de 38 por cento, o que quer dizer que o PS obteve muitos votos nessa área. Pelo contrário, à esquerda, o PS perdeu muitos eleitores para o Bloco de Esquerda e outros, para partidos mais pequenos, que não conseguiram expressão parlamentar.

O que falhou, no PS, para tão grande desastre? É fácil elencar os erros. Primeiro, o processo que conduziu Costa à liderança. Foi um golpe contra António José Seguro. Muita gente não gostou. Depois, Costa, que não era deputado, nunca conseguiu confrontar Passos Coelho no parlamento. E o primeiro-ministro soube aproveitar essa circunstância, ganhando todos os debates quinzenais contra Ferro Rodrigues. António Costa também não é um orador sedutor e os discursos que ia fazendo causavam algum desencanto, enfadonhos e erráticos, criando a ideia de que a estratégia mudava todos os dias. Mais, no início da campanha foi revelado o escândalo dos cartazes que conduziu à demissão do director das operações. Finalmente, a composição das listas de deputados também foi um falhanço rotundo, sem grandes e, sobretudo, sem boas novidades. As caras eram as mesmas de sempre, sem brilho, sem veicularem qualquer nova esperança.

Depois de perder estas eleições contra uma direita desgastada, que expectativas de vitória oferece Costa num futuro próximo? Nenhuma, porque a direita nunca mais terá uma votação tão baixa como agora. Perdeu 700 mil votos. Mesmo assim, isso foi insuficiente para garantir a vitória do PS, e este é um argumento letal para António Costa.

Derrotado também foi o Partido Comunista. Passou a campanha a atacar o PS, para impedir o voto útil nos socialistas. Mas a estratégia comunista deu péssimos resultados. Jerónimo de Sousa, depois de muitas críticas, tentou corrigir a trajectória, mas já não foi a tempo. E viu-se ultrapassado pelo BE, facto que, psicologicamente, é devastador para os militantes do PCP.

As crónicas da rubrica Praça Pública podem ser lidas no site do CONTACTO na internet, em www.contacto.lu


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