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OPINIÃO: Direita ameaça PS
Luxemburgo 3 min. 04.03.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Direita ameaça PS

Passos Coelho e António Costa

OPINIÃO: Direita ameaça PS

Passos Coelho e António Costa
Lusa
Luxemburgo 3 min. 04.03.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Direita ameaça PS

Por Sérgio Ferreira Borges - Os dias que correm são difíceis para António Costa, e Pedro Passos Coelho tenta cavalgar essa onda. As sondagens, entretanto reveladas, anteriores aos últimos incidentes, são prova disso. O PS está a deixar-se apanhar pela coligação de direita.

Por Sérgio Ferreira Borges - Os dias que correm são difíceis para António Costa, e Pedro Passos Coelho tenta cavalgar essa onda. As sondagens, entretanto reveladas, anteriores aos últimos incidentes, são prova disso. O PS está a deixar-se apanhar pela coligação de direita.

Passos Coelho, numa extensa entrevista ao Expresso, deixa em aberto a possibilidade de o PSD participar numa coligação de centro, com o PS, na sequência das próximas eleições legislativas. O que quer isto dizer? Primeiro, Passos Coelho quer subir o seu “preço” nas negociações com o CDS para o prolongamento da coligação. Isto é, o CDS não pode fazer grandes exigências, porque o PSD pode desistir dessa aliança para participar numa coligação com o PS. Vista a esta distância, parece ser uma possibilidade pouco provável. Mas em política, já se viu de tudo.

Segunda ilação: Passos Coelho nunca seria número dois num governo do bloco central. Portanto, se deixa em aberto essa possibilidade de coligação, é porque acredita que o PSD ainda pode ganhar as próximas eleições. E tem alguma razão nisso, a acreditar nas medições de opinião.

Nas últimas eleições europeias, o PSD, coligado com o CDS, conseguiu 27.7 por cento dos votos. Hoje, medido em solitário, consegue um pouco mais do que isso. Apesar de continuar a ser um valor historicamente baixo, significa que o PSD já não precisa dos sete pontos percentuais do CDS para lá chegar.

Mas Passos Coelho deixa todas as possibilidades em aberto, o que quer dizer que, ao tal bloco central, se pode associar o CDS, hipótese natural se os dois partidos de direita concorrerem em conjunto, como tudo indica. E nessa hipótese, tudo melhora para a direita. Os dois partidos juntos terão uma votação próxima dos 35 por cento, a pouco menos de dois pontos percentuais do PS. Esta diferença cai dentro do intervalo de confiança, o que quer dizer que a aliança de direita e os socialistas ficam numa situação de empate técnico. Dito de outra forma, qualquer das partes pode vencer as eleições legislativas.

Neste cenário, tudo piora para os socialistas. António Costa consegue uma curta vantagem de 2.5 em relação à direita. Pior do que os 3.8 conseguidos por António José Seguro, nas eleições europeias. E como atrás se disse, estas sondagens foram feitas antes de António Costa ter “metido o pé na argola”, ao dizer que o país está hoje melhor do que estava há quatro anos. Esta afirmação vai fazê-lo perder votos à esquerda. E mesmo ao centro, haverá gente que não verá grandes razões para votar no PS.

É evidente que o interior do PS está agitado. Muitos dos que ajudaram a derrubar António José Seguro e a eleger António Costa estão em depressão. E agora já não podem escolher um novo líder, porque não há tempo para isso e também porque mais uma substituição arrasaria a credibilidade do partido.Pedem agora que António Costa abandone a presidência da Câmara de Lisboa e se dedique exclusivamente à liderança do partido. Duvido que isso seja suficiente para melhorar a sua performance como líder da oposição. Costa só pode ser salvo se melhorar o seu discurso, apresentando ideias para o país e tentando, com isso, obter consensos à esquerda. Sem isso, vai continuar a afundar-se, sobretudo se insistir em afirmações tão disparatas como as que fez perante uma plateia de empresários chineses.


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