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Opinião. Das desigualdades que crescem
Editorial Luxemburgo 3 min. 07.01.2020

Opinião. Das desigualdades que crescem

Opinião. Das desigualdades que crescem

Editorial Luxemburgo 3 min. 07.01.2020

Opinião. Das desigualdades que crescem

Jean-Michel HENNEBERT
Jean-Michel HENNEBERT
Apesar de o Luxemburgo ser um país rico, a desigualdade e a pobreza têm crescido significativamente. O problema dos custos crescentes da habitação tem contribuído crescentemente para esta situação.

Ao afirmar no Parlamento, no final de dezembro, que "uma vez que o país está a ir bem, os nossos cidadãos também deviam estar viver bem", o relator do orçamento, Yves Cruchten (LSAP), retomou um ponto que muitos outros antes dele tinham denunciado. A do fosso cada vez maior entre os diferentes estratos da sociedade. Denunciada regularmente por instituições de caridade, esta observação também tem sido corroborada pelo Statec, que contabiliza nada menos que 105.620 pessoas a viverem abaixo da linha de pobreza. A tendência tem vindo a acentuar-se desde o início dos anos 2000, uma tendência quetorna o país uma excepção dentro da União Europeia. Como resultado desta situação, 10% da população residente encontra-se oficialmente numa situação de "pobreza persistente".

Apesar do sistema dos mecanismos de redistribuição social existentes, o Luxemburgo tem tido dificuldades para partilhar equitativamente os frutos do seu crescimento, que é, em grande parte, o resultado do desempenho da sua praça financeira.

Enquanto as famílias monoparentais, as pessoas com pouca educação ou de países fora da UE parecem estar particularmente em risco, outras estão a ser acrescentadas a esta lista da pobreza. Os últimos números da Câmara dos Assalariados mostram que uma em cada seis pessoas empregadas está em risco de pobreza. Isto coloca o Grão-Ducado logo atrás da Roménia nos piores lugares do ranking da OCDE.

Sem surpresas, a crise aguda da habitação no Grão-Ducado é a que mais contribui para a desigualdade. Isto não é de admirar num país em que o preço médio por m² de um apartamento existente é de 5.742 euros e o custo médio de uma casa para uma família atinge os 742.335 euros. Estes preços subiram 11,4% a nível nacional entre o segundo trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019. Um problema central para a maioria das pessoas que a coaligação governamental DP-LSAP-Déi Gréng tem encontrado muitas dificuldades para resolver. Apesar de Marc Hansen (DP), ministro da Habitação entre dezembro de 2015 e outubro de 2018, ter admitido "não ser mágico", para tratar do problema, os seus sucessores Sam Tanson (Déi Gréng) e Henri Kox (Déi Gréng) querem ser mais pró-ativos.

Seja através de uma utilização mais eficiente dos dispositivos existentes ou da implementação de novos mecanismos concebidos para desbloquear determinados procedimentos. O objetivo é reduzir o fosso entre a procura e a oferta de habitação. Isto é um grande desafio, para dizer o mínimo, pois significa convencer os proprietários a mudar a gestão do seu património, que por vezes é baseada na especulação ou pelo menos numa atitude de espera interessada. Um desafio tanto mais importante quanto 80% dos proprietários de terrenos para construção são indivíduos. E, na grande maioria dos casos, eleitores...

Perante esta situação complexa, cada vez mais vozes são ouvidas na tentativa de quebrar o círculo vicioso de crescimento que está a gerar a alta dos preços. Uma das medidas que tem sido mencionada com mais insistência é a criação de um indicador de "PIB de bem-estar". A ideia, que foi introduzida em 2009 no acordo de coligação do Governo Juncker-Asselborn II, era "medir o progresso da sociedade e do bem-estar numa perspectiva de longo prazo". Embora apenas um relatório Statec tenha sido publicado até agora sobre o assunto, a ideia voltará no início de 2020 através de um debate no Parlamento. Resta saber se os defensores do crescimento "inclusivo", idealmente voltado para uma melhor distribuição da riqueza, vencerão aqueles que defendem o padrão clássico que afirma o primado da criação da riqueza e do crescimento.

(Chefe de redação da edição online francesa do Luxemburger Wort.)