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Opinião. "Comunidade Portuguesa, tão dividida, devia-se juntar, unir forças"
Comentário Luxemburgo 4 min. 10.06.2020

Opinião. "Comunidade Portuguesa, tão dividida, devia-se juntar, unir forças"

Opinião. "Comunidade Portuguesa, tão dividida, devia-se juntar, unir forças"

Foto: Sibila Lind
Comentário Luxemburgo 4 min. 10.06.2020

Opinião. "Comunidade Portuguesa, tão dividida, devia-se juntar, unir forças"

A opinião de António Gamito, Embaixador de Portugal no Luxemburgo.

 Portuguesas e Portugueses.

Celebra-se mais um 10 de Junho. De forma diferente. O Covid-19 veio “estragar-nos” a Festa. Mas não perdemos nem o coração, nem a alma.

Nas minhas reflexões cheguei a 5 mensagens que gostaria de partilhar convosco.

A primeira é a de que importa continuar a observar rigorosamente as regras e distanciamento social, do uso de máscaras e da lavagem das mãos. Protegendo-nos, estamos a salvaguardar os outros. A isto chama-se responsabilidade social.

A segunda prende-se com o muito que foi preparado no último ano e meio e que a crise sanitária suspendeu:

i) a visita de S.A. R. o Grão-Duque a Portugal, que iria contribuir para colocar noutro patamar relações bilaterais em dominios relacionados com as novas tecnologias, a inovação e o digital;

ii) a resolução da questão das pensões, reduzidas a cerca de 250 e que voltaram a subir substancialmente;

iii) a ancoragem e aumento dos alunos no ensino da língua portuguesa;

iv) a promoção da cultura nacional, que contribuiu para mudar falsos esterotipos existentes sobre a Comunidade Portuguesa;

v) a reestruturação do Consulado Geral; e

vi) a criação de uma entidade dedicada ao empreendorismo na Grande Região que estabeleça verdadeiras pontes com as exportadoras nacionais.

Com a declaração do estado de crise, decretado pelo Governo luxemburguês em 17 de março passado, tudo foi encerrado ou manteve-se em serviços mínimos. Com o desconfinamento gradual e progressivo estamos agora a tentar retomar a normalidade, aqui e em Portugal, para o que vos peço a maior paciência, resiliência e apoio. Nenhum de vós está esquecido e é óbvio para todos, governantes, responsáveis da administração e utentes de que o serviço público tem que ser melhorado.Temos agora de retomar todos estes dossiers. Não vamos pegar neles do “zero”. Por isso ser-nos-á mais fácil recuperar.

A terceira diz respeito ao modo e forma como as autoridades luxemburgueses lidaram com a Comunidade Portuguesa durante a crise sanitária. Recordo que nos media, em todos os edificios públicos, nos transportes, nas escolas e em diferentes sites da internet toda a informação sobre o covid-19 foi traduzida em português. Não obstante a Comunidade Portuguesa ser a primeira comunidade estrangeira no país, constituindo entre 1/5 e 1/ 6 da população do Grão-Ducado, aqui fica o registo do meu muito obrigado às autoridades luxemburguesas. São estes gestos que mostram a amizade e a solidariedade existentes entre os dois povos e os dois governos. Mas sem a existência e o peso da Comunidade Portuguesa isso não seria possivel.

A quarta mensagem equaciona o papel da União Europeia em toda esta crise. O que se passou com Schengen e a reposição unilateral das fronteiras não foi bonito. As dificuldades encontradas pelo Eurogrupo para chegar a acordo quanto a um pacote para apoiar os Estados-membros sobre a crise sanitária por via de empréstimos foram evidentes. As negociações para se chegar a acordo quanto a um orçamento comunitário e a um Fundo de Recuperação socio-economico-financeiro que permitam à Europa sair desta crise mais forte, coesa e solidária serão decerto concluídas, espero que no sentido do seu reforço e no respeito pelo desejo dos seus povos. Sem espirito de compromisso e compreensão do que é a coesão e a solidariedade não será possivel atingir o objectivo.

Finalmente, a quinta é dirigida à sociedade civil da Comunidade Portuguesa, tão dividida, que se devia juntar, unir forças, integrar-se na sociedade do país de acolhimento sem receio de perder as suas raízes, participando activamente na sua vida civica e democrática, para contribuir para moldar o seu destino, num momento em que o medo e o pânico que o covid-19 instalou ajuda projectos de demagogos, predadores como o coronavírus, que querem acabar com a nossa esperança e liberdade, por vezes matando-nos. Não podemos deixar isso acontecer Comunidade Portuguesa!

Celebrações de aniversários, acção e solidariedade social, comemorações de festas populares, expressões de cultura tradicional são necessárias, mas não dispensam o exercicio da cidadania. Para sermos mais ouvidos e termos outros Félix Braz.

As minhas últimas linhas vão para vos desejar boas férias, em segurança, de preferência em Portugal, onde é possivel chegar de avião e por via terrestre, esperando que todos cumpram as normas sanitárias em vigor.

Informo ainda a Comunidade de que as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e respectivos segmentos, podem ser seguidas na edição especial do programa “Portugal no Mundo”, que serão transmitidas na RTP Internacional e na RTP 1, durante a tarde do dia 10 de junho. 

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