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OPINIÃO: Coligação ultrapassa o PS
Editorial Luxemburgo 3 min. 24.06.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Coligação ultrapassa o PS

Editorial Luxemburgo 3 min. 24.06.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: Coligação ultrapassa o PS

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - O Partido Socialista treme, mas pode não cair. As sondagens não lhe são favoráveis, a escassos quatro meses das eleições legislativas. A liderança de António Costa parece tão frágil como foi a de António José Seguro.

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - O Partido Socialista treme, mas pode não cair. As sondagens não lhe são favoráveis, a escassos quatro meses das eleições legislativas. A liderança de António Costa parece tão frágil como foi a de António José Seguro.

Há sondagens que dão ao PS ligeiras vantagens sobre a coligação PSD/CDS, mas todas elas por margens mínimas, quase sempre caídas no intervalo de confiança, o que significa empate técnico entre as duas forças.

Na última semana, as coisas pioraram, com a publicação de uma medição que já colocava a coligação à frente do PS. A vantagem da direita é de apenas um ponto percentual, mas isso foi suficiente para lançar o pânico entre os socialistas.

De acordo com esse estudo da Universidade Católica, a coligação recolhe, nesta altura, 38 por cento das intenções de voto, contra 37 dos socialistas. Isto quer dizer que Passos Coelho e Portas estão agora a pouco mais de cinco pontos percentuais da maioria absoluta.

Esta sondagem revela ainda que, desde Outubro de 2014, o PS perdeu oito pontos e a coligação ganhou seis. Se estes valores tiverem alguma relação com a realidade, é perfeitamente nítido o movimento descendente dos socialistas e o ascendente da coligação. Mas é preciso ter cuidado na interpretação destes números.

Desde logo, porque noutras sondagens de outras empresas, o PS lidera, ainda que em queda, tal como acontece com a coligação, que também tem perdido intenções de voto. E há ainda outro pormenor que recomenda algum cuidado. A Universidade Católica dá oito por cento ao Bloco de Esquerda, enquanto nas outras sondagens raramente os bloquistas ultrapassam os quatro por cento. Um número que representa quase metade do outro. Como a CDU do PCP se mantém em todas a sondagens na casa dos 10 por cento, isto significa que as perdas do PS estão a ser capitalizadas, em grande medida, pelo Bloco de Esquerda. E quatro pontos percentuais, aqui, podem fazer toda a diferença. Se por acaso essa franja se fixar no PS, isso quer dizer que os socialistas voltam à liderança, com uma vantagem de três pontos percentuais sobre a direita.

Se esta sondagem estiver próxima da realidade, o país pode entrar numa situação de bloqueio político. Imagine-se o que será um parlamento com uma maioria de 55 por cento de esquerda e uma minoria de 38 por cento a governar. Ou o PS se aliaria à direita, ou um segundo governo de Passos Coelho cairia em poucas semanas.

Mas nada livraria António Costa de um fim político sem glória. Uma eventual derrota eleitoral levará Costa à demissão, sem apelo.

A coligação espreita, no entanto, outras possibilidades de alianças. Sobretudo com Marinho e Pinto, que se tem mostrado disponível para qualquer tipo de convergência, quer à esquerda, quer à direita. Diz ele que isso é uma obrigação patriótica. Mas os 2,5 por cento que as sondagens lhe atribuem podem não ser suficientes para ajudar a constituir qualquer maioria absoluta. Portanto, a aliança com Marinho e Pinto pode ficar-se pelas intenções.

Resta saber se a descida constante dos socialistas tem alguma relação com a prisão de José Sócrates. Mas o interior do partido continua afectado por esse facto. Como há muita gente, sobretudo nas bases, que atribui esta má prestação às ambiguidades da direcção, que tanto encosta à esquerda, como se inclina para a direita.


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