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OPINIÃO: Boa sorte, Marcelo!
Editorial Luxemburgo 2 min. 09.03.2016

OPINIÃO: Boa sorte, Marcelo!

Marcelo Rebelo de Sousa

OPINIÃO: Boa sorte, Marcelo!

Marcelo Rebelo de Sousa
Foto: AFP
Editorial Luxemburgo 2 min. 09.03.2016

OPINIÃO: Boa sorte, Marcelo!

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreia Borges - Tal como os seus antecessores, Marcelo vai tentar fazer um primeiro mandato sem grande intervenção política, distribuindo charme e simpatia sempre que puder, de modo a garantir a reeleição

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreia Borges - Marcelo Rebelo de Sousa é, a partir de hoje, o 19° Presidente da República Portuguesa. Pode não ser o melhor, mas é consensual que vem substituir o pior de todos.

Tanto na campanha eleitoral, como neste tempo que mediou entre a eleição e a tomada de posse, Marcelo Rebelo de Sousa tem-se preocupado em mostrar que quer ser um presidente completamente diferente do homem que o antecedeu na função. Num artigo que publicou na última edição do “Expresso”, o novo Presidente da República falou do seu antecessor. Mas foi económico de palavras e nada elogioso. Limita-se a dizer que lhe “coube (….) presidir durante a mais longa e profunda crise dos últimos 40 anos, da vida nacional, num contexto de acrescidas instabilidades mundial e europeia”. Nem mais uma palavra.

Acho que, como os seus antecessores, Marcelo vai tentar fazer um primeiro mandato sem grande intervenção política, distribuindo charme e simpatia sempre que puder, de modo a garantir a reeleição, sem sobressaltos, daqui a cinco anos. Por isso, vai evitar, tanto quando puder, crises políticas que o obriguem a actuar, de modo a não dividir opiniões.

E isso convém a Pedro Passos Coelho. Um Marcelo mais activo na Presidência da República acabaria por chamar a si a liderança política da direita, apagando Passos Coelho.

No texto que publicou esta semana, o novo Presidente da República já demonstrou que quer agradar a toda a gente. E quando assim é, inevitavelmente, entra-se em contradição. Falando “da aceleração do processo de internacionalização de sectores-chave da nossa economia”, Marcelo Rebelo de Sousa defende que esse desiderato deve ser conseguido “limitando a intervenção, mesmo meramente reguladora, do poder político”. Isto é qualquer coisa que os sectores mais liberalizantes da economia gostam de ouvir.

Três parágrafos depois, escreve que “o esvaziamento da política (…) não pode ser uma solução de futuro”. Isto é aquilo que as franjas anti-neoliberais também gostam de ouvir.

Quem conhece Marcelo Rebelo de Sousa sabe que ele gosta de agradar a toda a gente e de ser admirado por toda a gente. Não é homem que opte facilmente por rupturas.

As competências constitucionais do Presidente da República também são sintetizadas neste artigo. Escreve Marcelo que “o Presidente dispõe de um poder moderado, em períodos de normalidade político-constitucional, e de poderes extraordinários em período de crise, em particular crise aguda”.  Isto representa um sério aviso. Em condições de crise aguda, o novo Presidente da República não hesitará em dissolver o parlamento, demitir o governo e chamar os portugueses às urnas.

Mas o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa já está à vista. As comemorações do 10 de Junho vão decorrer em Paris e François Hollande será o convidado de honra. Findos os actos oficiais, o Presidente da República vai permanecer em França, esperando a chegada da Selecção Nacional que ali vai disputar o Europeu de futebol.

A experiência política de Marcelo Rebelo de Sousa vai ser determinante, em Belém, para a boa condução do seu mandato. Sabe-se que ele é um homem sensível às pressões políticas. E o grande teste é saber até que ponto ele pode resistir a isso, o que é difícil, por se tratar de alguém que gosta de falar com toda a gente.

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