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OPINIÃO: Avenida da liberdade Marcelo e Pedro
"O ciclo político de Passos Coelho acabou, para não dizer a carreira política. Isto é o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa"

OPINIÃO: Avenida da liberdade Marcelo e Pedro

Foto: Lusa
"O ciclo político de Passos Coelho acabou, para não dizer a carreira política. Isto é o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa"
Editorial Luxemburgo 3 min. 07.09.2016

OPINIÃO: Avenida da liberdade Marcelo e Pedro

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - "O ciclo político de Passos Coelho acabou, para não dizer a carreira política. Isto é o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa."

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Apesar de alguns indicadores económicos permanecerem em níveis preocupantes, o Presidente da República mantém o seu apoio ao Governo de António Costa. Isso tem várias explicações.

Depois da última reunião do Conselho de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa apressou-se a afastar qualquer cenário de crise e sobretudo de eleições antecipadas. Disse até que as próximas eleições serão as autárquicas, marcadas para Outono de 2017.

Ao contrário do PR, o líder do PSD apostava numa crise, já no próximo Outono. Vinha aí o diabo, segundo as previsões de Pedro Passos Coelho. Afinal, parece que o demo está longe e não vai aparecer por cá tão depressa.

Os discursos de ambos não têm mudado muito. Esta semana, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a manifestar a sua confiança, no cumprimento do défice orçamental. Pedro Passos Coelho respondeu dizendo que o Presidente da República deve ter informação privilegiada para avançar com tantas garantias.

Este é apenas mais um de muitos episódios que podem ter várias leituras. A mais óbvia é que Marcelo Rebelo de Sousa está a pretender transmitir ao interior do PSD que deve resolver com a máxima urgência o problema da liderança. O ciclo político de Passos Coelho acabou, para não dizer a carreira política. Isto é o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa. E, portanto, o partido precisa de um novo líder que o faça regressar à área do poder, que possa constituir uma alternativa ao Partido Socialista. Sem isso, não pode haver crise, porque não há solução.

Pelo contrário, Passos Coelho pensa que, mais tarde ou mais cedo, a crise é inevitável e com ela, o PSD sob a sua liderança, pode voltar a ser governo. Para ele, é tudo uma questão de tempo e paciência.

Passos Coelho tem, no entanto, a consciência de dois factores. Primeiro, não terá uma maioria absoluta numas eventuais eleições antecipadas. Logo, precisará de uma aliança com o CDS para poder formar um governo maioritário. Mas, ele não tem grande confiança em Assunção Cristas, nem politica, nem pessoalmente. No fim-de-semana já houve um incidente entre ambos que terá passado despercebido a muita gente, mas que tem algum significado. Ambos discursavam em iniciativas dos seus partidos. E os respectivos gabinetes tinham acordado que Cristas seria a primeira a falar, na escola de quadros do CDS e só depois falaria Passos Coelho, na Universidade de Verão da JSD. Isto, para que nenhum ficasse prejudicado nos directos das televisões. Mas Passos Coelho não teve paciência para ouvir Cristas até ao fim e começou a falar antes de ela acabar.

Na base deste conflito está o facto de Assunção Cristas querer liderar o processo de candidatura da direita à Câmara de Lisboa, propondo-se ela própria avançar para a presidência do mais importante município de Lisboa. Passos Coelho está contra esta estratégia, porque sabe que uma eventual vitória do PSD o podia ajudar a reforçar a sua posição nas sondagens para as legislativas. Neste momento, o PS sobe e o PSD desce, embora os números sejam, por enquanto, pouco significativos.

Disto tudo resulta uma evidência: os factores de crise são mais visíveis entre os partidos da direita do que na área do Governo. Sem inverter isto, Marcelo Rebelo de Sousa sabe que uma qualquer crise política pode ser um desastre porque ainda não há alternativa de direita, nem possibilidades de um bloco central.

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