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OPINIÃO: Ativos e passivos

OPINIÃO: Ativos e passivos

Editorial Luxemburgo 2 min. 10.01.2018

OPINIÃO: Ativos e passivos

Lendo uma publicação, fiquei a saber que a Fundação Gulbenkian pretende alienar a sua empresa de exploração petrolífera. A Partex foi sempre a grande financiadora da fundação a que Portugal tanto deve. E os números não eram pequenos. Basta dizer que, nos anos 60, o orçamento da Gulbenkian superava o do Estado português que, já nessa altura, tinha de alimentar três frentes de guerra.

Lendo uma publicação, fiquei a saber que a Fundação Gulbenkian pretende alienar a sua empresa de exploração petrolífera. A Partex foi sempre a grande financiadora da fundação a que Portugal tanto deve. E os números não eram pequenos. Basta dizer que, nos anos 60, o orçamento da Gulbenkian superava o do Estado português que, já nessa altura, tinha de alimentar três frentes de guerra.

Os tempos mudaram e, agora, os responsáveis da Gulbenkian entendem que o petróleo está em baixa e continuará em queda acentuada, até 2040. Até aí, seriam necessários investimentos muito significativos com retoma duvidosa. E a fundação decidiu vender a Partex, pensando que as remunerações das aplicações financeiras são suficientes para manter o funcionamento da instituição.

Esta análise parece ter sustentabilidade, tanto mais que só metade dos rendimentos da petrolífera vinham parar à fundação. A outra metade era guardada para reinvestimento na própria empresa.

E quanto vale a Partex, no mercado? Isso depende das negociações com os futuros interessados. Mas os ativos estão avaliados em 500 milhões de euros, divididos pelos sete países onde opera.

Li tudo isto numa revista. Avancei algumas páginas e detive-me noutra notícia. Esta falava do estado de semi-falência de várias minúsculas empresas, todas ligadas ao imobiliário e detidas por um empresário e respetivos filhos e mulher. A acreditar no que leio, as dívidas às finanças e aos bancos são elevadas e não se vislumbra expediente capaz de as saldar. As empresas não têm ativos e os passivos acumulados, entre 2012 e 2015, somam 235 milhões.

Os bancos reclamam o pagamento de empréstimos que, levianamente, lhe fizeram. E sabe-se que um dos principais problemas da banca portuguesa é o crédito malparado. Mas fala-se sempre do endividamento das famílias como grande responsável pelo flagelo. É raro atribuir responsabilidades ao crédito concedido a empresas e nunca recuperado.

A dívida do empresário e das empresas ao Novo Banco ascende já a 560 milhões de euros. É superior aos ativos de uma companhia de exploração petrolífera.

Confrontei um técnico bancário com esta comparação e perguntei como foi possível o extinto BES conceder este crédito. Disse-me que é questão de poder de influência. Concluí que este poder de influência vem só de o empresário em causa ser presidente do Benfica.

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