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OPINIÃO: António Costa sem espaço
Luxemburgo 3 min. 21.01.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: António Costa sem espaço

António Costa

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António Costa
REUTERS
Luxemburgo 3 min. 21.01.2015 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: António Costa sem espaço

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - As primeiras semanas de liderança do Partido Socialista não trouxeram nada de bom a António Costa. Falta-lhe espaço para explicar aos portugueses o que quer para o país e também para ganhar a confiança do eleitorado, como provam as sondagens.

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - As primeiras semanas de liderança do Partido Socialista não trouxeram nada de bom a António Costa. Falta-lhe espaço para explicar aos portugueses o que quer para o país e também para ganhar a confiança do eleitorado, como provam as sondagens.

Pode dizer-se que foi um azar grande a detenção de José Sócrates, em cima do Congresso do Partido Socialista. António Costa tentou afastar o tema da reunião e, de certo modo, conseguiu. Mas logo a seguir, Mário Soares visitou o antigo primeiro-ministro na cadeia de Évora e com isso iniciou uma romaria que ainda não terminou. Ao mesmo tempo, o advogado de Sócrates, dizendo sempre que não queria falar, acabava por dar verdadeiros espectáculos de mau gosto e pouca prudência à porta da cadeia, como já tinha feito à porta dos tribunais.

José Sócrates também começou a falar de dentro da cadeia, com uma frequência inusitada. As declarações de Sócrates suscitaram sempre uma torrente de comentários, e assim, António Costa foi perdendo espaço mediático, quer para apresentar o seu PS, quer para fazer oposição. E o resultado está à vista: as sondagens apontam ligeiras – muito ligeiras – melhorias nas intenções de voto nos dois partidos da maioria. Mas o PS mantém-se em primeiro, embora com vantagens pouco confortáveis.

AntónioCosta, para se fazer ouvir, foi obrigado a recuperar um tema que divide todo o eleitorado e toda a esquerda. Ressuscitou a regionalização. Um autêntico tiro no pé.

A divisão político-administrativa do país implicaria enormes encargos financeiros que Portugal não está em condições de suportar. Além disso, os portugueses duvidam da bondade da proposta. E com razão. Basta um pequeno passeio pelo país para ver como as autarquias têm malbaratado dinheiro em obras de reduzido interesse, enquanto o essencial continua por fazer. E repito aqui a pergunta que já fiz noutros momentos: onde vai Portugal descobrir competências políticas para garantir a governação das futuras regiões, se elas escasseiam nas autarquias e no poder central?

As críticas foram rápidas e, por esta hora, António Costa já deve ter percebido que fez asneira ao trazer tal assunto para a agenda.

Mas há outro factor que está a perturbar o líder do PS. Depois de António Guterres não ter descartado a possibilidade de se candidatar à Presidência da República, inventaram-lhe outro candidato, o crónico António Vitorino. Parece-me uma criação da direita, porque toda a gente sabe que ele não é confiável. Já foi proto-candidato a tudo, a secretário-geral da Nato, presidente da Comissão Europeia, secretário-geral do PS, e acabou sempre por nunca ser candidato de facto.

A prioridade de António Costa são as legislativas, embora não possa descartar as presidenciais. O resultado das primeiras pode até influenciar a escolha do candidato às segundas. Mas o líder do PS não se pode distrair e deve começar a marcar a agenda política, sobretudo, na oposição ao Governo. Na última sexta-feira, durante o debate quinzenal no Parlamento, a primeira linha foi confiada a Ferro Rodrigues. Mas o líder da bancada esteve num plano muito modesto, parecendo acusar o facto de carregar a sombra de António Costa. E assim tem sido noutros debates ou na Comissão de Inquérito ao caso BES. O PS tem confiado essa tarefa a gente de poucos recursos, como João Galamba ou Pedro Nuno Santos, que revelam pouca preparação para a função. António Costa tem de dar uma volta no partido e chamar competências para junto da liderança.


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