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OPINIÃO: A saúde da geringonça
Editorial Luxemburgo 2 min. 11.10.2017 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: A saúde da geringonça

Jerónimo de Sousa

OPINIÃO: A saúde da geringonça

Jerónimo de Sousa
Foto: Lusa
Editorial Luxemburgo 2 min. 11.10.2017 Do nosso arquivo online

OPINIÃO: A saúde da geringonça

No rescaldo das eleições autárquicas, muitos comentadores e responsáveis políticos têm vaticinado o fim próximo da geringonça. São exactamente os mesmos que adivinhavam que esta solução governativa não duraria um ano.

No rescaldo das eleições autárquicas, muitos comentadores e responsáveis políticos têm vaticinado o fim próximo da geringonça. São exactamente os mesmos que adivinhavam que esta solução governativa não duraria um ano.

Falharam nessa primeira previsão e, estou convencido, que vão falhar nesta segunda. Sustentam este prognóstico, com a “derrota” do PCP, nas autárquicas, ao perder 10 câmaras para o PS. Segundo eles, o PCP, na sua análise interna, concluiu que esta perda se deve ao facto de o partido estar a garantir uma solução de governo.

Os comunistas sabem bem que, ciclicamente, lhe acontecem estes “desastres” eleitorais por questões internas, isto é, pelo imobilismo que caracteriza o partido, sujeitando sempre a elaboração de listas de candidatos a lógicas do aparelho, conservadoras, que mantêm os mesmos candidatos, até aos limites do possível. Foi isso que aconteceu, de novo.

Mas o PCP sabe, por experiência, que em Portugal, qualquer partido que inviabilize uma solução de governação, quer seja central ou local, é sempre castigado pelo eleitorado, nas eleições seguintes. Quando, em Abril de 1987, o então PRD derrubou o governo minoritário de Cavaco Silva, deu o primeiro passo para a sua extinção. Nas eleições seguintes, foi severamente castigado pelo eleitorado e assim continuou até ao seu fim inapelável.

Nas autarquias, foram tantos os exemplos que hoje já nenhum partido se atreve a derrubar um executivo camarário, pelo facto de ser minoritário, ou por qualquer outra razão.

Ciente de tudo isto, o PCP não se atreve a abandonar a convergência que permite esta solução governativa, porque os resultados seguintes seriam desastrosos. Para além de que, o PCP foi o primeiro partido a arquitectar este modelo.

Terá sido Jerónimo de Sousa quem primeiro telefonou a António Costa, dizendo-lhe que ele seria Primeiro-Ministro, se quisesse. Isto aconteceu antes das eleições, quando a coligação de direita ultrapassou o PS, nas sondagens. Dias depois, Jerónimo repetiu a conversa e o Bloco de Esquerda iniciou um claro movimento de aproximação. Na noite de 4 de Outubro de 2015, após a derrota do PS e antes de Costa fazer o seu discurso, recebeu novo telefonema de Jerónimo e a proposta mantinha-se de pé. Por essa razão, Costa não falou em derrota, nem colocou a hipótese de se demitir.

PSD e CDS começaram a ficar nervosos e foi Paulo Portas quem fez uma antevisão do que podia estar a passar-se. Mas foi sempre adiantando que Cavaco Silva não aceitaria qualquer solução, vinda da unidade das esquerdas. Com todas estas responsabilidades, o PCP não vai agora destruir, aquilo que construiu e permitir um eventual regresso da direita ao poder.

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