Escolha as suas informações

Opinião: A Personalidade do Ano

Opinião: A Personalidade do Ano

Luxemburgo 2 min. 15.01.2014

Opinião: A Personalidade do Ano

Por Luís de Sousa Moreira - A comunicação social aproveita tradicionalmente o abrandar de notícias em torno do Natal para passar o ano em revista e apontar a personalidade do ano. A revista americana Time entregou o título ao Papa Francisco, dando o mote ao resto do mundo jornalístico, em especial em países como Portugal, onde a imprensa nem sempre se presta a opinião própria.

Dias depois, uma desconhecida revista para a comunidade homossexual atribui o mesmo título ao novo Papa e a comunicação social estalou de eco. O Papa Francisco é, e continuará a ser, sem dúvida um homem marcante. Acima de tudo para os católicos, que encontram nele um discurso que compreendem e preocupações com as quais se identificam. A sua humildade e coragem são um novo fôlego para uma Igreja que estranhamente se esbatia num período em que enfrenta uma sociedade cada vez mais egoísta e materialista.

Mas para mim a personalidade que de longe mais marcou o mundo em 2013 é um homem ainda jovem, um foragido, acusado de alta traição pelo seu país natal: Edward Snowden. O contínuo de informação que tem revelado desde Junho pôs a nu um crime de dimensões gigantescas: violando leis e acordos internacionais, o governo dos Estados Unidos tem nos últimos anos recolhido volumes inimagináveis de informação pessoal de indivíduos de quase todo o mundo. Dezenas de milhões serão europeus, entre os quais líderes eleitos. O impacto destas revelações perdurará por muitos anos, afectará a forma como comunicamos, a tecnologia que usamos, a indústria, a legislação, as relações internacionais.

Parte destes dados foram conseguidos coagindo empresas multinacionais que albergam dados nos EUA.

Entre estas contar-se-á a empresa detentora do Skype, o popular programa de vídeo-conferência, que é sediada no Grão-Ducado. Por esta razão, foi a Comissão de Protecção de Dados luxemburguesa a iniciar uma investigação sobre a Skype Communications. Entre o anúncio da investigação pelos media internacionais e a sua conclusão passou pouco mais de mês; a Comissão concluiu que qualquer transferência de dados para sucursais americanas da empresa aconteceu ao abrigo da lei. Não há informações de que a Comissão tenha tentado contactar Snowden ou saber o que aconteceu posteriormente aos dados de cidadãos europeus transferidos para os EUA. Na semana transacta foi publicado um relatório por uma comissão parlamentar europeia que conclui de forma completamente diversa. Para os deputados europeus, não só tais actividades são ilegais como muito dificilmente poderão estar meramente relacionadas com o combate ao terrorismo. É também veemente na condenação dos Estados-membros que até agora têm sido largamente passivos. O Luxemburgo raramente aparece na comunicação social internacional, e seria preferível que quando tal acontece fosse em circunstâncias mais felizes.

Luís de Sousa Moreira