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OPINIÃO: A grande confusão
Editorial Luxemburgo 3 min. 23.09.2015

OPINIÃO: A grande confusão

Editorial Luxemburgo 3 min. 23.09.2015

OPINIÃO: A grande confusão

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - "Se alguém pensava que a campanha eleitoral seria esclarecedora, enganou-se. A confusão aumentou e talvez só se resolva, no dia das eleições."

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Tudo parece empatado e a grande decisão só será mesmo conhecida no dia 4 de Outubro. Até lá, as máquinas partidárias esforçam-se para desmentir os estudos de opinião e as duas grandes forças ainda falam em maioria absoluta.

Na última semana, só uma sondagem apresentou um resultado sem empate técnico. Foi feita pela Universidade Católica para a RTP e colocava a coligação Portugal à Frente com uma vantagem de sete pontos percentuais sobre o PS.

Mas, como a própria ficha técnica deste estudo reconhece, o método utilizado “poderá afectar negativamente a qualidade das estimativas”. Esta sondagem usou o método ’tracking poll’, com pouco mais de 600 entrevistas. Este método é usado para sondagens diárias, com a substituição, em cada dia, de 250 dos inquiridos. É a chamada “fotografia em andamento”, para medir as oscilações do eleitorado. Mas houve também desvios na amostra nacional, o que pode ter afectado o resultado final que dava 41 por cento à coligação PSD/CDS e 34 ao PS.

Se estes resultados corresponderem à realidade, isto quer dizer que a coligação estará a pouco mais de três pontos percentuais da maioria absoluta. Por isso, alguns comentadores dizem que esta sondagem pretende criar essa expectativa ao eleitorado e motivar o voto na direita.

Outra sondagem, publicada no Expresso, vai ao detalhe de prever o número de mandatos conseguidos por cada força em todos os círculos eleitorais. E, desde logo, merecem destaque os dois círculos da emigração, onde a coligação PSD/CDS e o PS dividem, em partes iguais, as cadeiras. Tanto na Europa, como Fora da Europa, as duas forças conseguirão um mandato cada. Esta medição tem ainda a particularidade de dar ao PS o maior número de votos, mas o maior número de deputados será da coligação. Prevê para a direita entre 102 e 99 deputados, enquanto o PS pode ficar no intervalo, entre os 101 e os 95.

Tanto os lideres do PS como da coligação recusam falar do dia seguinte às eleições. Do lado da coligação diz-se que Pedro Passos Coelho, se perder por poucos, não se demite. Com isso, taparia o caminho a Rui Rio e forçá-lo-ia a candidatar-se a Belém. Mas é preciso esperar para ver.

Do lado do PS, António Costa abriu uma excepção para dizer que não viabilizará qualquer proposta de orçamento apresentada pela coligação. Cometeu dois erros. Primeiro, admitiu que a direita possa ganhar as eleições. Depois presumiu que, em caso de derrota, se irá manter na liderança. Esta segunda possibilidade é de muito difícil concretização. Se António Costa não conseguir levar o PS à vitória, é muito difícil que se consiga manter na liderança. Neste momento da campanha, há muitas críticas em surdina que, obviamente, se tornarão mais audíveis em caso de derrota.

Por exemplo, os “seguristas” estão organizados e prontos para a retaliação. E os “socratistas” também têm contas a ajustar com António Costa. Mas há ainda outras sensibilidades, na ala esquerda do partido, que não escondem a sua insatisfação com a acção de Costa.

Se alguém pensava que a campanha eleitoral seria esclarecedora, enganou-se. A confusão aumentou e talvez só se resolva, no dia das eleições. Mas sem uma maioria absoluta, a indefinição vai manter-se, ou até aumentar, nos dias seguintes. Cavaco ainda terá muitas dores de cabeça antes de terminar o mandato.


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