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O treinador e o seu maior desafio: trabalhar no hospital contra a covid-19
Luxemburgo 3 min. 01.04.2020

O treinador e o seu maior desafio: trabalhar no hospital contra a covid-19

Manuel Correia divide o trabalho no hospital de Esch-sur-Alzette com o cargo de treinador do Strassen.

O treinador e o seu maior desafio: trabalhar no hospital contra a covid-19

Manuel Correia divide o trabalho no hospital de Esch-sur-Alzette com o cargo de treinador do Strassen.
Foto: Fabrizio Munisso
Luxemburgo 3 min. 01.04.2020

O treinador e o seu maior desafio: trabalhar no hospital contra a covid-19

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
É eletricista no hospital de Esch e treinador de futebol nas horas vagas. Não tem mãos a medir na luta contra a pandemia e alerta que só com o esforço de todos é que se pode vencer a crise.

"Nesta altura do campeonato só há uma forma de ganhar este desafio contra o vírus, é unir esforços e cumprirmos, todos, as nossas tarefas o melhor que pudermos". Foi com estas palavras de treinador que Manuel Correia começou por revelar a tática para vencer o vírus.

"Os que trabalham para salvar vidas, os que estão nos serviços de apoio e os que devem ficar em casa. Todos devem ter consciência do que deve ser feito e dar o seu melhor para ultrapassarmos esta crise que afeta o país e o mundo".

A vida de Manuel mudou nas últimas semanas. Na linha da frente do combate contra o coronavírus, é no hospital de Esch-sur-Alzette que passa a maior parte do seu tempo. Trabalha como eletricista, mas em tempo de crise multiplica as suas tarefas.

"Numa situação destas é fundamental estarmos sempre disponíveis e coordenados. Com um edifício só para os infetados, há muita coisa para fazer e as coisas estão a mudar constantemente. Sou eletricista e faço parte de uma equipa de trabalho. Dividimo-nos em grupos de três para evitar o contágio, mas dentro do hospital temos feito de tudo. Na outra semana, tivemos que entrar nas zonas críticas dos infetados, devidamente protegidos, para montar e preparar os cabos elétricos para a instalação de novos scaners, mas também ajudamos naquilo que for preciso, por vezes não damos mãos a medir. Neste momento, o horário de trabalho é quase imprevisível e não podemos tirar férias."

A ideia de uma possível contaminação acompanha diariamente os pensamentos de Manuel Correia, que garante nem sempre sentir-se em segurança.


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"Quando saio de casa e chego ao hospital não sei quando regresso, mas por vezes, sinto-me mais seguro que na rua. Ainda vejo muitas pessoas que não têm sentido de responsabilidade. Em vez de irem para casa passeiam-se como se o perigo não rondasse a cada esquina. Num destes dias vi um grupo de miúdos com os polícias à volta deles e parece que não era nada com eles. O vírus tanto pode levar um idoso como uma pessoa de qualquer outra idade", adverte.

"Parece que não têm consciência da gravidade da situação. Acham que só acontece aos outros e depois são surpreendidos. Quando recebemos aqui em Esch pessoas infetadas, vindas de França, constatei que a situação é bastante grave e que não se pode facilitar. Lá fora, muita gente não têm noção da realidade, só quem passa por isto é que pode avaliar a situação. É preciso coragem e grande capacidade para saber lidar com a doença e tentar salvar o máximo possível de pessoas".

 Apesar de estarmos em plena batalha, acredito que com a colaboração de todos, vamos sair vencedores desta guerra." 

Com 23 mortos e cerca de 2.178 infetados, o Luxemburgo é o país com a maior taxa de infetados no mundo, por cada milhão de habitantes. Uma realidade que Manuel Correia conhece bem, mas que não lhe retira a esperança de que tudo possa ser ultrapassado.


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"Os médicos, enfermeiros e restante pessoal têm feito um grande trabalho, não só aqui no hospital de Esch, mas nas outras unidades hospitalares e de apoio. A solidariedade tem sido enorme. Apesar de estarmos em plena batalha, acredito que com a colaboração de todos, vamos sair vencedores desta guerra. O Luxemburgo está preparado para lutar contra o vírus. Estamos a trabalhar para contornar esta crise sanitária e estou convicto de que o vamos conseguir".

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“A maior preocupação neste momento é a saúde de todos. Falo com os jogadores que na medida do possível vão treinando segundo as possibilidades de cada um, mas sem grande pressão. Acredito que se voltarmos à competição será só para o início de junho, mas vamos conseguir terminar o campeonato. Neste momento é importante que a Federação e a UEFA possam ajudar os clubes nos próximos tempos. Sem receitas não vai ser fácil”.

No entanto, garante que a sua grande prioridade é “ajudar a ultrapassar esta crise” que veio colocar o mundo de pernas para o ar. 

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