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O raio X do mercado da habitação
Luxemburgo 4 min. 27.09.2018 Do nosso arquivo online

O raio X do mercado da habitação

O raio X do mercado da habitação

Luxemburgo 4 min. 27.09.2018 Do nosso arquivo online

O raio X do mercado da habitação

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
É um dos temas mais importantes e sensíveis da batalha eleitoral. O Contacto passou o mercado da habitação pelo raio X para perceber a dimensão do problema. Saiba quantas casas há no Luxemburgo, quanto é que os preços têm subido, quantos proprietários e inquilinos existem.



Procura-se apartamento na cidade do Luxemburgo com dois quartos. Encontrar uma casa é um processo penoso no país, é cada vez mais difícil achar um alojamento que cumpra os requisitos pretendidos e a um preço acessível. Esta desadequação entre oferta e procura de casas tem inúmeras consequências. Uma das mais diretas sente-se na carteira: os preços dispararam no Grão-Ducado.

Nos últimos sete anos (entre 2010 e 2017), os preços das casas subiram 40%, de acordo com os dados do gabinete de estatísticas da Comissão Europeia (Eurostat). No total da União Europeia (UE) encontram-se muitas discrepâncias: por exemplo, na Estónia, os preços aumentaram 73%, e em Espanha desceram 17%. No caso do arrendamento, a escassa oferta faz, não só aumentar os valores pedidos, mas também com que muitas imobiliárias apresentem exigências aos candidatos a inquilino quase impossíveis de cumprir, entre proibição de fumar, de ter animais domésticos, de ter parabólicas, de ter crianças (ver textos nas páginas 2 e 3), além de terem de pagar todos os serviços, incluindo a própria imobiliária. A solução de muitos acaba por estar no outro lado da fronteira, em França, Alemanha ou Bélgica, onde os preços do imobiliário são muito mais baixos.

Mas vamos a números. Só com eles é possível desenhar um cenário concreto e perceber a dimensão do problema. As soluções estão a ser propostas pelos partidos durantes esta campanha eleitoral (conheça as medidas nas páginas 6 e 7). O Luxemburgo é um país de proprietários e, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com muito poucas casas destinadas a habitação social.

Assim, quase 74% da população do país é proprietária de uma casa, valor que fica ligeiramente acima da média europeia (70%). Daquele total, quase 35% ainda têm de pagar uma prestação ao banco no Luxemburgo, uma das percentagens mais elevadas no total da UE. Quanto ao arrendamento, apenas 26% da população total do Grão-Ducado arrenda casa, valor abaixo dos 30% da média europeia.

Um fardo demasiado pesado

Para 9,5% da população do país – seja com casa própria ou arrendada – pagar o alojamento é um fardo demasiado pesado (representando mais de 40% do rendimento disponível). O valor fica muito abaixo do verificado noutros países como na Grécia (41%) ou mesmo na Alemanha (16%). Apesar disso, o esforço que as famílias fazem para pagar as prestações da casa ao banco é tanto que vários organismos internacionais como a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as próprias agências de rating têm alertado para a estabilidade do sistema financeiro. Em caso de aumento das taxas de juro, as famílias ficam mais sobrecarregadas e os bancos mais expostos a riscos de incumprimento. Sobretudo tendo em conta que cinco bancos detêm mais de 90% do crédito imobiliário.

Quem não tem rendimentos suficientes para conseguir uma casa a preços de mercado pode, na teoria, concorrer a casas de habitação social. Na prática, as coisas são bem mais difíceis. O parque imobiliário disponível para habitação social é dos mais baixos da OCDE: apenas 1,6% das casas se destinam a famílias com poucos recursos financeiros (3.282 habitações). Isto faz com que o tempo de espera para conseguir uma habitação seja demasiado longo, atingindo em alguns casos os cinco anos. O Estado tem ainda algumas ajudas públicas como o subsídio de renda ou os auxílios no pagamento da garantia necessária para o arrendamento. Estes apoios foram recentemente modificados para abranger mais pessoas, tendo em conta a reduzida adesão a estes programas.

O que fazer perante o cenário? A discussão faz-se agora no plano político e com base em vários estudos com conclusões para todos os gostos e até mesmo opostas. Um estudo do Statec concluía em 2011 que há um défice de 129 mil casas entre 2010 e 2030 , o que se traduz na necessidade de construir quase 6.500 casas por ano. Em setembro deste ano, um estudo da Fondation Idea, associada à Câmara do Comércio, veio dizer o contrário. Não há défice de construção, os 2.730 alojamentos construídos foram suficientes para alojar a população. De acordo com o documento, a construção de mais casas do que o necessário poderia mesmo ter um efeito mais significativo no aumento dos preços. Este estudo já mereceu as críticas do déi Lénk, segundo as quais o documento da Fondation Idea coloca em causa um dos princípios básicos da economia, ou seja, a regra segundo a qual os preços baixam quando a oferta aumenta. O déi Lénk continua, por isso, a pedir um programa público de construção de casas acessíveis.


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