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"O racismo agora é diferente do tempo do meu pai, mas continua a magoar"

"O racismo agora é diferente do tempo do meu pai, mas continua a magoar"

"O racismo agora é diferente do tempo do meu pai, mas continua a magoar"

"O racismo agora é diferente do tempo do meu pai, mas continua a magoar"


por Henrique DE BURGO/ 15.11.2019

Foto: Shutteistock

Luxemburgo e Portugal assinaram um acordo em 1973 para travar a chegada de cabo-verdianos ao Grão-Ducado. A equipa de futebol "Associação Amílcar Cabral" teve de mudar o nome para "Associação Luso-cabo-verdiana" para poder jogar no antigo campeonato da Federação das Associações Portuguesas no Luxemburgo. O pai de Mirlene Fonseca é do tempo em que havia cartazes à porta de estabelecimentos comerciais no Luxemburgo a proibir a entrada a negros. Hoje, a jovem estudante cabo-verdiana diz que a discriminação é "mais subtil", mas que "continua a magoar".

A comunidade cabo-verdiana, a primeira e a mais numerosa de origem africana no Luxemburgo, continua a ser uma das vítimas de racismo por parte dos residentes no Grão-Ducado.

Esta é uma das conclusões de um estudo de mestrado em "Engenharia e Ação Sociais", sobre os cabo-verdianos no Grão-Ducado, que deverá ser apresentado no próximo ano.


Estudo sobre a imigração no Luxemburgo em 1975: Portugal e Luxemburgo travaram chegada de cabo-verdianos ao Grão-Ducado nos anos 70
Um acordo firmado em 1973 entre o Governo luxemburguês e o ministro português dos Negócios Estrangeiros da altura, Rui d’Espiney Patrício, teria resultado num abrandamento da chegada de cabo-verdianos ao Grão-Ducado em 1974. Esta é uma das conclusões de um estudo de 1975 sobre a imigração no Luxemburgo, dirigido pelo investigador português Albano Cordeiro.

Na sua intervenção na conferência-debate sobre o racismo, organizada na quarta-feira para assinalar os 40 anos da ASTI, a autora da tese, Mirlene Fonseca, lembrou o tempo em que o pai se deparava com cartazes à porta de alguns estabelecimentos comerciais, que proibiam a entrada a negros.

Ouvida pela Rádio Latina, Mirlene Fonseca diz que o racismo é hoje diferente, mas que continua a "magoar".

O número reduzido de negros que entram no ensino clássico é outra das críticas apontadas por Mirlene Fonseca, luxemburguesa filha de pais cabo-verdianos, que está atualmente em fase de conclusão do seu mestrado em Bruxelas.

Foto: Pierre Matge

E sobre o racismo nas escolas, a Rádio Latina falou com outra das oradoras da conferência-debate, Antónia Ganeto. A imigrante cabo-verdiana é uma das formadoras do Centro de Educação Intercultural (organismo tutelado pelo Ministério da Educação e pela ASTI) e passa os dias a sensibilizar alunos das escolas do país sobre a temática da discriminação, mas diz que às vezes é provocada por ser negra.

De acordo com o estudo "Ser negro na Europa", da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, 52% dos negros inquiridos no Luxemburgo, incluindo cabo-verdianos, foram vítimas de racismo nos últimos cinco anos antes do estudo, a segunda mais alta taxa da União Europeia.

Fotos: Veteranos do Norte

Confrontado com este estudo, o embaixador de Cabo Verde no Luxemburgo, Carlos Semedo, diz que os cabo-verdianos estão bem integrados, mas que espera uma resposta célere das autoridades sobre o racismo.

Carlos Semedo, embaixador de Cabo Verde no Luxemburgo, a vincar a boa integração dos cabo-verdianos, apesar dos casos de racismo apontados.


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