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O que causou o tornado? E vão haver mais a assolar o país?
Luxemburgo 4 min. 12.08.2019

O que causou o tornado? E vão haver mais a assolar o país?

O que causou o tornado? E vão haver mais a assolar o país?

claude piscitelli
Luxemburgo 4 min. 12.08.2019

O que causou o tornado? E vão haver mais a assolar o país?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
É impossível saber qual o local onde as nuvens vão “girar” com violência e levar tudo pelos ares, explica um meteorologista ao Contacto.

Esta segunda e terça-feira vão ser dias de mais trovoadas e tempestades, mas o mau tempo fica-se por aí. Desta vez não se prevê estarem formadas as condições para nos próximos dias voltar a haver um tornado a devastar o Grão-Ducado.

E no futuro? Não se sabe. Os tornados são fenómenos meteorológicos impossíveis de se prever com muita antecedência. “É possível prever-se dias antes a possibilidade da sua formação”, mas “impossível determinar oo local onde as nuvens vão “girar” e levar tudo pelos ares, explicou ao Contacto, Francisco Rodrigues, geógrafo físico, cientista do ambiente e previsor de tempo no site meteorológico BestWeather.

O Meteolux lançou o alerta  laranja no dia de sexta-feira, o do tornado que assolou o Luxemburgo. “Os meteorologistas podem estimar que possa haver uma probabilidade de se formar um tornado, mas esta pode ser muito baixa e deve ter sido o que aconteceu”, explicou ao Contacto Francisco Rodrigues.

Impossível saber onde tornado se vai formar

Só quando a trovoada já está feita e formada é que é possível calcular em que zona o tornado vai acontecer, mas isto por vezes, acontece só com 20 minutos ou dez minutos antes de se formar.  

Nos EUA, por exemplo, onde estes fenómenos são muito frequentes e muito intensos (foto em baixo), existe um sistema que assim que deteta a formação de um tornado, emite alarmes especiais, mesmo com muito pouco tempo de antecedência. “Estes alarmes são automáticos e mesmo que não tenham tempo para sair de casa, as pessoas sabem onde se posicionar para se proteger do impacto”, diz este especialista. 

AFP

Na Europa, este sistema de alerta automático que é dispendioso não existe pois os fenómenos são mais raros, e têm sido menos graves, além de que a par com o alarme “tem de haver uma cultura de educação das populações”. As pessoas têm de “saber o que fazer, como se comportar, para minorar os riscos de se colocarem em perigo”, defende o meteorologista do site BestWeather.

Europa tem de se preparar

Porém, com a instabilidade climatérica que já está a acontecer, devido ao aquecimento global, Francisco Rodrigues considera que a Europa já deveria começar a pensar em adotar estes sistemas de alarmes, e educar as populações para se prevenirem quanto à ocorrência de fenómenos como estes.

A verdade é que de quando em quando os tornados já assolam os países da Europa. “Ouvimos falar deles em França, Bélgica, ou na Holanda, onde aconteceu um no mesmo dia que no Luxemburgo”, enumera este meteorologista. Em baixo, a imagem de um tornado que assolou as províncias de Namur e Luxemburgo em 2014.

Screenshot


Um dia de grande azar 

No Luxemburgo, aconteceu na passada sexta-feira. “Foi muito azar. O Luxemburgo é um país tão pequenino que as probabilidades de um fenómeno destes certar no seu território são raras. Mas desta vez aconteceu” salientou Francisco Rodrigues recordando que mesmo a Holanda tem o tamanho do Alentejo, maior do que o Grão-Ducado.

O tornado do Luxemburgo foi de intensidade moderada, F1, formado com ventos entre 117 a 180 km/hora. Isto na escala Fujita de F0 a F5. Os estragos deste tornado F1 são também moderados, destruindo sobretudo o topo dos edifícios e os telhados das habitações. E foi isso mesmo que aconteceu nas comunas de Pétange e Bascharage.  

Mas a verdade é que embora moderado, perto de uma centena de casas ficaram inabitáveis, com as famílias desalojadas e houve 20 feridos, um deles ainda em estado grave, sábado à noite.

Como se formou o tornado?

Tem de existir um conjunto muito específico de condições para eles acontecerem. Têm de existirem trovoadas ou tempestades que se aliam a ventos cruzados. Os ventos cruzados é que tornam muito difícil de calcular onde ele vai atingir o seu auge.

Às trovoadas ou nuvens com bastante desenvolvimento associam-se os ventos cruzados. Trata-se de ventos que seguem em direções diferentes se cruzam, se ‘entrelaçam’ nas nuvens e as fazem girar e subir em altitude numa forma cónica.

O que fez o tornado de sexta-feira se formar foi a tempestade que entrou no canal da Mancha e que se formou no Atlântico. Esse ar húmido e quente formou as nuvens da trovoada que associadas à existência dos ventos cruzados deram origem ao tornado que se foi formar nas regiões de Pétange e Bascharage, disse Francisco Rodrigues.

Quanto ao futuro é impossível fazer estimativas a longo prazo sobre a maior incidência ou não deste fenómeno violento.

“Sabemos já de acordo com estudos feitos que devido ao aquecimento global que as águas dos oceanos vão estando cada vez mais quentes e instáveis e que o clima também vai ser mais instável. Com maior ocorrência de tempestades e trovoadas e dias de muito calor”, recorda este especialista.