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O português que quer derrotar a segunda vaga no Luxemburgo
Luxemburgo 5 min. 23.07.2020

O português que quer derrotar a segunda vaga no Luxemburgo

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O português que quer derrotar a segunda vaga no Luxemburgo

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Foto: Contacto
Luxemburgo 5 min. 23.07.2020

O português que quer derrotar a segunda vaga no Luxemburgo

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Pedro Martins vai produzir uma média diária de 300.000 máscaras descartáveis a partir de setembro na sua empresa (Action Wear).

"Foram muitas noites perdidas e horas sem dormir nas primeiras semanas da pandemia, mas estamos prontos para responder com total eficácia a uma eventual segunda vaga", garante Pedro Martins responsável máximo da Action Wear, empresa pioneira no Luxemburgo no fornecimento de equipamentos e materiais para todas as profissões, sediada em Niederkorn.

"Tivemos de nos adaptar às atuais necessidades do mercado e fazer investimentos em máquinas, programas informáticos e matérias primas, entre outras coisas. Apesar de a nossa empresa ter tido sempre stock suficiente para responder às solicitações dos clientes", garante.

300.000 máscaras diárias fabricadas a partir de setembro

"Temos uma colaboração com um empresário e investidor francês que vos vai permitir produzir a partir de setembro uma média de 300.000 máscaras diárias descartáveis para hospitais, empresas e particulares que também podem ser personalizáveis. Material 'made in Luxemburgo' em conformidade com as normas exigidas e controladas pelas entidades competentes, porque andam a circular algumas imitações que não preenchem os requisitos necessários".

"Temos um acordo com o Governo luxemburguês para produzir as máscaras necessárias para o mercado nacional e também para alguns países vizinhos, segundo as solicitações que possam surgir."

Resposta no início da crise

Pioneiro no mercado no que respeita ao fornecimento de equipamentos, proteções e materiais para todas as atividades profissionais, fruto da sua vasta experiência profissional em diversas profissões, Pedro Martins apenas teve a sua empresa fechada durante duas semanas. As solicitações que lhe esgotaram os stocks começaram a surgir pouco antes da pandemia ter sido tornado pública, como o próprio explica: "No final de fevereiro começou a haver um movimento muito mais intenso do que o habitual para aquela altura do ano. E o que me despertou maior curiosidade foi que muitos chineses vieram à loja e levavam grandes quantidades de máscaras, viseiras, gel desinfetante, proteções para calçado em plástico descartáveis e outras coisas que me fizeram dizer para comigo: 'alto qualquer coisa está a passar-se'. E assim foi".

"Adverti alguns dos meus principais clientes para se prevenirem e adquirirem o material que gastavam com maior regularidade, mas muito deles achavam que eu só queria era vender e não ligaram. O meu 'feeling' não me atraiçoou e antecipei-me na hora certa. Fui comprando em grandes quantidades no estrangeiro para me precaver e depois poder fornecer os meus principais compradores no Luxemburgo e zonas limítrofes".

Quando foi declarada a pandemia, Pedro Martins respondeu à altura não só aos clientes, mas também aos profissionais de saúde que necessitavam de material de apoio que escasseava. "O mais importante naquela altura era podermos congregar esforços e ajudar quem mais precisava. Como havia muito material em rutura de stock e foram feitos vários pedidos, não podia ignorar o apelo daqueles que estiveram sempre na linha da frente do combate ao coronavírus e ajudá-los. Sentimos, na empresa, o dever de contribuir com toda a satisfação para amenizar o mal que a pandemia tem provocado. Estávamos e estamos todos unidos nesta luta", explica o empresário português que recorda os tempos mais difíceis da crise.

"Vinham de todo o lado à procura dos vários materiais que tivemos de distribuir equitativamente pelas pessoas e entidades de forma a que todos fossem contemplados, consoante as suas necessidades".


"Somos fronteiriços, somos carne para canhão"
A segunda vaga de coronavírus chegou ao Luxemburgo, mas é no outro lado da fronteira que se temem os maiores sacrifícios. Viagem pelas aldeias de França, Bélgica e Alemanha, para dar voz aos trabalhadores que se sentem mais expostos. São sobretudo portugueses.

Expansão das instalações e da própria empresa

Ao contrário de muitas empresas que vivem atualmente com dificuldades, a Action Wear não dá mãos a medir ao trabalho e solicitações e o seu principal responsável já tem planos para o futuro. "Estamos a iniciar o alargamento das nossas instalações em mais 1.000 m2, fase deverá estar concluída em março ou abril do próximo ano. Vamos construir um novo edifício com rés-do-chão e primeiro andar com vários expositores de materiais e salas de formação para o pessoal e clientes", revela.

"Nas novas instalações vamos dar formações aos empregados e também a empresas e outros interessados. É importante que os nossos clientes saibam o material que estão a comprar e na verdade ao que ele se adequa na realidade. Por exemplo, há gente que compra umas determinadas luvas para trabalhar com vidro, mas estas têm de respeitar as normas indicadas, não podem ser de um material qualquer. Isto é apenas um exemplo". 

Lucros substanciais e mudanças no mercado de trabalho

A sagacidade do empresário português, residente no Luxemburgo desde 1988, rendeu-lhe durante os meses de março e abril um lucro entre 20 e 30% a mais do que no período homólogo no ano passado.

"Durante a crise tive de colocar toda a gente a trabalhar e ainda fui obrigado a contratar outras pessoas. Além dos nossos clientes habituais, fornecemos algumas comunas do Luxemburgo e também localidades de países vizinhos, com especial destaque para a cidade de Arlon, na Bélgica". 

Pedro Martins garante que a pandemia veio alterar a vida das pessoas e que nada vai voltar a ser como era antes. "Tudo mudou num ápice em vários aspetos nas nossas vidas. Quem não se adaptar à nova realidade, arrisca-se a ficar pelo caminho. Durante as duas semanas em que estive fechado refleti bastante para encontrar as soluções adequadas à crise. e continuo na luta para poder melhorar naquilo que puder. A vida é isto. Esta pandemia veio revolucionar completamente o mercado de trabalho e nada vai ser como antes. Acho que a crise ainda vai durar. Temos que continuar a evoluir, não existe outra solução para quem quiser seguir em frente". sublinha.

Pedro Martins já partiu de férias e encontra-se a caminho de Portugal, numa viagem de autocaravana que vai demorar alguns dias. Vai entrar pelo norte e rumar calmamente até ao Algarve, atravessando cidades, vilas e aldeias do país onde nasceu.

Precaveu-se e levou algum material para dar aos mais necessitados. Vai matando saudades das paisagens e distribuindo máscaras, gel desinfetante, óculos, viseiras, luvas e coberturas descartáveis de plástico a quem precise e deixar um testemunho de solidariedade de norte a sul do país que tanto ama, tal como já fez no Luxemburgo.

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