Escolha as suas informações

O perigo da mentira e da falta de estratégia política
Editorial Luxemburgo 3 min. 03.02.2021

O perigo da mentira e da falta de estratégia política

O perigo da mentira e da falta de estratégia política

Editorial Luxemburgo 3 min. 03.02.2021

O perigo da mentira e da falta de estratégia política

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O peso cada vez maior das redes sociais como fonte de informação revela como a população "se tornou recetiva a teorias da conspiração e desinformação" revela o último Digital News Report 2020 do Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford.

"Então as vacinas estão a matar e não a curar". Este é apenas uma das muitas frases negacionistas que se podem ler na caixa de comentários na página de Facebook do Contacto. A onda de negacionismo está a crescer um pouco por todo o mundo. As manifestações continuam a fazer-se Europa fora. Publicamos esta quarta um retrato do que se está a passar na Holanda e na Bélgica traçado pelo nosso enviado especial Ricardo J. Rodrigues.

São protestos contra o confinamento, mas também contra a falta de estratégia política na resposta à pandemia de muitos governos. "Acredito que a ameaça da pandemia é real, mas também acredito que a resposta atual é apenas um disfarce para a incompetência da governação" revela um dos participantes do protesto na capital holandesa que publicamos no destaque desta semana do Contacto.

Mas entre os manifestantes há muitos negacionistas. Alimentados, muitas vezes, pelas redes sociais, que multiplicam fake news. Os números são assustadores e não param de crescer. Apenas num mês, o Facebook e o Instagram identificaram mais de quatro milhões de conteúdos de origem duvidosa. No mesmo período, também o Twitter e o Tik Tok apontaram milhares de posts perigosos relacionados com a covid. A Microsoft bloqueou mais de dois milhões de anúncios com informação falsa sobre a covid-19 e o YouTube removeu 15 mil vídeos com conteúdos falsos sobre a pandemia. Estas são algumas das conclusões do 3° relatório do Code of Practice on Disinformation, uma frente da Comissão Europeia e da indústria tecnológica contra a informação falsa na Internet.

É verdade que a pandemia aumentou a necessidade da oferta de informação credível fazendo crescer a procura de notícias em órgãos de informação credíveis. Mas o peso cada vez maior das redes sociais como fonte de informação revela como a população "se tornou recetiva a teorias da conspiração e desinformação" revela o último Digital News Report 2020 do Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford.

As heroínas da luta contra a covid-19

Alguns dos cargos decisivos da gestão da Saúde da Europa são ocupados por mulheres, desde a líder do grupo, a comissária Stella Kyriakides, às responsáveis das agências que estão na linha da frente na gestão das vacinas. Nesta edição a jornalista Telma Miguel faz o retrato de cinco mulheres que lideram a luta europeia contra a pandemia.

Recordo um estudo que passou quase despercebido, mas que revelou conclusões surpreendentes. O Fórum Económico Mundial conclui que países liderados por mulheres tiveram, em média, metade das mortes resultantes da covid-19 que os estados liderados por homens na primeira vaga da epidemia. Para chegarem a esta conclusão os investigadores analisaram indicadores de cerca de 200 países.

O estudo revela que os resultados do combate à covid-19 "são sistematicamente melhores nos países liderados por mulheres". O relatório publicado pelo Centre for Economic Policy Research afirma que a diferença é real e "pode ser explicada pelas respostas políticas proativas, mais rápidas e coordenadas" adotadas pelas líderes femininas. A alemã Angela Merkel, a neozelandesa Jacinda Ardern, a dinamarquesa Mette Frederiksen, a taiwanesa Tsai Ing-wen e a finlandesa Sanna Marin foram apontadas como exemplos de líderes políticas que responderam de forma mais eficaz ao combate à covid-19. 

Mas há uma exceção neste grupo de vencedoras. A ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido não pode deixar de ser apontada como uma das responsáveis pelo descalabro em Portugal. País que chegou à liderança mundial no número de casos e de vítimas mortais de covid-19, por cada cem mil habitantes.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas