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O nosso maior prémio
Editorial Luxemburgo 3 min. 16.12.2020 Do nosso arquivo online

O nosso maior prémio

O nosso maior prémio

Foto: Catarina Osório
Editorial Luxemburgo 3 min. 16.12.2020 Do nosso arquivo online

O nosso maior prémio

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Um jornal serve para noticiar problemas, ouvir opiniões, dar matéria de pensamento para se conseguirem novas soluções, para o que afeta a vida das pessoas.

A equipa do Contacto ganhou, em menos de três anos, dez prémios, nove dos quais internacionais. Este reconhecimento que culminou, na semana passada, com a distinção de ser o melhor jornal europeu local de 2020, é importante, mas só tem sentido sabendo para que serve o nosso jornal.

O Contacto tem mais de 50 anos e surgiu como um projeto para promover a informação no Luxemburgo entre os imigrantes de língua portuguesa. A sua história está diretamente ligada ao sucesso dos lusófonos e à vivência dos seus problemas na nova sociedade de acolhimento.

Pretendemos ser uma montra desta capacidade profissional dos imigrantes no Luxemburgo, mas simultaneamente uma ferramenta de empoderamento das comunidades lusófonas. Não nos vemos como uma jornal folclórico da saudade, mas como algo que torna visíveis mais de um quinto da população residente no Grão-Ducado.

As comunidades lusófonas são mais diversificadas que eram no início da sua chegada ao Luxemburgo, mas a grande maioria continuam a ser trabalhadores que, mesmo em tempos de pandemia, não se podem dar ao luxo de parar. Fazem trabalhos que não confinam, mas não são suficientemente valorizados pela sociedade em que vivem.

Um jornal, um site, uma rádio, outro qualquer órgão de comunicação social são formas de romper com essa invisibilidade e de dar voz a um conjunto de questões que têm as pessoas que trabalham no Grão-Ducado.


A equipa do Contacto em tempos de distanciamento social.
Contacto conquista prémio de melhor jornal local europeu
O jornal de língua portuguesa do grupo Saint-Paul Luxembourg foi distinguido, esta quinta-feira, com o prémio de melhor jornal europeu na categoria "jornal local", atribuído pelo European Newspaper Award que o considerou: um jornal muito moderno no coração da Europa.

É por isso que neste número voltamos a discutir a questão da falta de habitação no Luxemburgo. A inação dos vários governos tem permitido a especulação e feito com que paulatinamente muitos dos que criam a riqueza do país sejam expulsos dele.

Uma das nossas entrevistadas que está a ser despejada nestes tempos de pandemia alerta: "Aqueles que constroem as casas do Luxemburgo não ganham o suficiente para as habitar". Quando procuram habitação há gente que lhes joga na cara: "Não ganha o suficiente para viver cá, devia ir para perto da fronteira".

A questão da habitação só será resolvida quando as pessoas que sofrem com a sua falta tenham peso político. Até agora os diversos executivos, escudaram-se no mercado, para governar a favor da especulação imobiliária e da parte rica dos seus eleitores, que muitas vezes são gente da sua classe social e de amizade.

Mas existe uma maioria social muito diferente no Grão-Ducado. A sua falta de intervenção e peso nas decisões políticas tem permitido toda a espécie de abusos. Não é normal que a Cidade do Luxemburgo tenha mais de 71% de habitantes não nacionais e que continue a sua comuna a fazer políticas de habitação de costas para esta realidade.

Isso só acontece porque os imigrantes não exercem cidadania e não se envolvem nem nos processos eleitorais que podem votar. A atual vereação da capital foi eleita por uma ínfima minoria dos seus habitantes: votaram pouco mais de 25 mil eleitores, em quase 120 mil residentes. Em 2017, estavam inscritos apenas 6.677 eleitores não luxemburgueses, em 34.339 eleitores da capital.

Um jornal serve para noticiar problemas, ouvir opiniões, dar matéria de pensamento para se conseguirem novas soluções, em relação ao que afeta a vida das pessoas. O nosso maior prémio neste último meio século foi tornar visível muito daquilo que se passa neste país e mostrar o contributo dos imigrantes lusófonos para o muito que de bom foi feito, e ajudar para o muito que resta por fazer.

Obrigado pelo apoio dos nossos leitores, sem a sua dedicação e trabalho esta viagem não teria sido possível.

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O ponto a que se chegou na situação da habitação é muito grave do ponto vista social mas também põe em causa o próprio desenvolvimento económico do país.