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O Natal em que não podemos voar para casa
Opinião Luxemburgo 3 min. 12.11.2022
A fava

O Natal em que não podemos voar para casa

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O Natal em que não podemos voar para casa

Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort
Opinião Luxemburgo 3 min. 12.11.2022
A fava

O Natal em que não podemos voar para casa

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Para muita gente, Natal em Portugal este ano é querer, mas não poder.

As festas este ano calham ao fim de semana, o que não é nada menos que uma tragédia. Quando o calendário aponta Natal e Ano Novo para uma terça, ou uma quinta, somos bem capazes de dar ali um jeitinho no trabalho e, zás, ainda conseguimos embarcar para Portugal a tempo do bacalhau e das couves. Partimos na sexta anterior para as nossas terras, ou então regressamos no domingo seguinte. 

Só que este ano ambos feriados acontecem no dia em que Deus descansou da criação do mundo. E sei que isto pode parecer exagero, mas acredito que Natal ao domingo tem contornos de calamidade – sobretudo para quem se fez à aventura de ir viver noutro país.

No primeiro Natal depois da pandemia, o mundo voltou a complicar os planos de quem sonhava com a Consoada caseira. Veio a guerra e a inflação e estes preços proibitivos das viagens de carro e avião.

A maioria de nós vai trabalhar a semana todinha, é certo e sabido. Muitas escolas no Luxemburgo vão estar em aulas até dia 23. Apanhar um voo na sexta para regressar na segunda (dia 26 também é feriado no Grão-Ducado) custa pelo menos 300 euros na Easyjet, e sem bagagem. 

Para uma família de quatro, é investimento milionário. E não é que um jantar de Consoado preparado pelas nossas mães, as avós dos nossos filhos, não mereça a despesa. Sou capaz de apostar com quem quiser que o melhor bacalhau do mundo é aquele que a minha mãe prepara nessa noite – e estou certo que qualquer um de vocês pode puxar dos galões para afirmar a mesmíssima certeza. Mas os orçamentos, infelizmente, são coisas muito pouco afetivas. Para muita gente, Natal em Portugal este ano é querer, mas não poder.

Está tudo mais caro. Se há um ano conseguíamos quase encher dois ecobags com compras de supermercado, agora sentimos que o mesmo valor não nos garante mais de meio saco. O anúncio de aumento dos preços da energia é calafrio que põe a Europa inteira a tremer (e só estes dias estranhamente quentes nos permitem engolir por momentos o receio). 

E depois há toda a especulação que as companhias aéreas desenvolvem por esta altura. A economia é inclemente. Há mais procura, os preços aumentam. Este ano, parece-me, chegaram ao limite do escandaloso.

De Portugal, chegam notícias de que a TAP vai suspender até sete voos por dia de 15 de novembro até ao final do ano. Ainda ninguém sabe como o Luxemburgo fica afetado pela desmedida, mas é provável que o Findel também seja obliterado dos planos de voo, pelo menos alguns dias. E depois, pronto, ir de carro parece tudo menos opção. 

Não só o tempo para chegar ao jantar de Consoada é curto como os preços da gasolina atingiram níveis incomportáveis. Segundo o site Via Michelin, que calcula custos de viagem de automóvel, ir do Luxemburgo a Lisboa custa nada mais nada menos que 320 euros. E são 20 horas de caminho, sem paragens.

No primeiro Natal depois da pandemia, o mundo voltou a complicar os planos de quem sonhava com a Consoada caseira. Veio a guerra e a inflação e estes preços proibitivos das viagens de carro e avião. Veio o calendário desejar-nos festas felizes ao domingo, quando esse é precisamente o dia que nos torna mais infelizes as festas. Mas siga a esperança, que 2023 pode muito bem ser o ano em que o planeta deixa de conspirar contra nós.

(Grande Repórter)

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