O (muito) que falta fazer
O (muito) que falta fazer
Para trabalho igual, salário igual: este é apenas um dos princípios que devem regular a igualdade no mundo laboral, mas, quando se trata do equilíbrio entre homens e mulheres, muito há ainda por fazer para que isso seja uma realidade. Para onde quer que se olhe, todas as estatísticas são desfavoráveis às mulheres e, apesar da persistente apresentação de reivindicações para alterar o panorama, o problema arrasta-se e as desigualdades agravam-se mesmo, conforme revelou um relatório do World Economic Forum.
Violência doméstica, assédio sexual, diferenças de tratamento relativas à maternidade, desequilíbrios salariais, estereótipos degradantes, precariedade, entre outras, são algumas das questões que marcam o dia a dia de muitas mulheres à escala mundial. No Luxemburgo, embora estejam a ser dados passos para modificar a situação, as mulheres ainda recebem, em média, menos 5% do que os homens e continuam a dispor de poucas oportunidades de ocupação de cargos nas administrações das diferentes empresas.
Mas o problema começa logo no próprio Governo, como reconhece a ministra do Interior e da Igualdade, Taina Bofferding, em entrevista ao jornalista Nuno Ramos de Almeida, admitindo a necessidade de uma paridade na composição do Executivo. Quando num grupo de 17 ministros apenas cinco são mulheres, isto significa que também neste âmbito muito está por fazer. E o exemplo deveria partir do Governo, porque não chega dizer à sociedade como deve fazer – é preciso mostrar para que outros sigam as boas práticas. A ministra sublinha ainda uma outra questão fundamental: não basta “ter uma política de lei, é preciso ter uma política de facto”. Este é um ponto que vai mais fundo na avaliação das dificuldades, porque, por muito próximas da perfeição que estejam as leis, de nada adiantarão caso não sejam cumpridas. E, para isso, é preciso ir ao terreno, verificar o escrupuloso respeito pela lei, punindo quem não cumpra sem que daí possam resultar represálias para as vítimas.
Como qualquer ser humano, as mulheres devem estar protegidas de toda e qualquer discriminação e ser tratadas como iguais no quotidiano sem barreiras que as impeçam de afirmar as respetivas competências no mercado do trabalho.
E, a propósito da igualdade, mas não só, é importante recordar que, no próximo dia 12, realizam-se no Luxemburgo as eleições sociais em que todos podem participar para escolher os seus representantes na Câmara dos Assalariados e nos delegados sindicais das diferentes empresas. Seja qual for a preferência do leitor, não deixe de votar. Pelo menos neste caso, ninguém está sujeito a discriminações.
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