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O Estado quer construir 7.000 habitações em Kirchberg
Luxemburgo 2 min. 19.07.2020 Do nosso arquivo online

O Estado quer construir 7.000 habitações em Kirchberg

O Estado quer construir 7.000 habitações em Kirchberg

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 2 min. 19.07.2020 Do nosso arquivo online

O Estado quer construir 7.000 habitações em Kirchberg

Patrick JACQUEMOT
Patrick JACQUEMOT
O Ministério da Habitação quer usar os terrenos geridos pelo Fundo Kirchberg para construir habitação a custos controlados. No final, o bairro poderá ter 27.000 habitantes com uma composição social mais diversificada.

Vai ser como o costume com os terrenos dos Fundos de Kirchberg? Não, o Ministério da Habitação tem como objetivo construir 7.000 novas habitações, mas assegurando que são a custos controlados e acessíveis. O que quer dizer que o preço por metro quadrado não será tão alto, que só os mais abonados podem ter o ensejo de lá habitar. "Podemos conseguir ganhar este desafio aqui", entusiasma-se o ministro da pasta, Henri Kox (Déi Gréng).


O direito à cidade para todos
O ponto a que se chegou na situação da habitação é muito grave do ponto vista social mas também põe em causa o próprio desenvolvimento económico do país.

O plano está traçado, segundo garante o ministro da Habitação: antes de 2023, haverá 757 apartamentos para colocar à venda nos setores de Réimerwee e Kiem, nomeadamente. Até 2026, mais 1.038 apartamentos serão construídos perto do antigo edifício da Eurocontrol, assim como em Grunewald Oeste, ao longo do Boulevard Adenaur e junto a Laangfur. Sem esquecer as 3.127 habitações previstas para os 24 hectares de Kuebebierg, a última grande reserva de terrenos de construção ainda inexplorada. Trata-se de passar, Kirchberg, dos 4.000 habitantes de hoje para 27.500 na década de 2030, adianta François Baush, também ministro dos Verdes e vice primeiro-ministro.


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Para além da quantidade, aquilo que se pretende assegurar é uma "qualidade" de vida para todos. Assim, segundo o ministro Henri Kox, Kirchberg poderá servir de um autêntico laboratório em matéria de política de oferta de habitação no Grão-Ducado. Mais habitação e menos cara, num país que bate todos os recordes de preço das grandes cidades europeias, com um relatório recente da Delloit, a mostrar que era duas vezes mais caro ter casa em Differdange que em Berlim. Situação que obriga as famílias do Luxemburgo a gastar grande parte do seu rendimento para conseguir um teto. 


Rendas no Luxemburgo são as mais caras da Europa
Arrendar um apartamento na cidade do Luxemburgo chega a ser praticamente o dobro do que arrendar em Londres. No ranking, onde até Differdange está à frente de Bruxelas,

Para baixar os preços do imobiliário, tanto na compra da habitação como no aluguer, o ministro da Habitação quer uma intervenção da "mão pública", como diz. Em Kirchberg será o Fundo de Alojamento local e a SNHBM a intervir: conta com esses operadores para proporem apartamentos e casas a preços mais acessíveis.

O que é "acessível" numa zona que o metro quadrado ultrapassa, neste momento, os 9.500 euros para venda? Segundo o ministro, serão disponibilizados, via os Fundos ou a Sociedade Nacional das Habitações, casas a bom preço, prevendo-se que sejam disponibilizadas 40% a 60% mais baratas que o atual preço de mercado. E para assegurar uma boa mistura social do bairro, o objetivo está claramento definido: conseguir, por um lado, pessoas que beneficiam de ajudas para a habitação e portanto elegíveis para obter um bem subvencionado; e por outro lado, famílias que conheciam dificuldades de acesso à habitação no "mercado livre", mas cujo os rendimentos eram "demasiado elevados" para serem elegíveis para apoios no aluguer de habitação ou acesso à habitação social. 


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"É neste sentido que vai a lei da habitação que está a ser modificada neste momento", afirma o ministro. "Volto a dizer: é somente acelerando a produção e a colocação de casas no mercado a preços acessíveis que nós poderemos responder ao problema das famílias, para quem o aumento do preço da habitação torna impossível a sua vida", conclui. Kirchberg vai ser o laboratório dessa política.  

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