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O dançarino que chegou a Conselheiro Comunal de Esch
Luxemburgo 3 5 min. 11.06.2022
Autarquias

O dançarino que chegou a Conselheiro Comunal de Esch

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O dançarino que chegou a Conselheiro Comunal de Esch

Foto: Claude Piscitelli
Luxemburgo 3 5 min. 11.06.2022
Autarquias

O dançarino que chegou a Conselheiro Comunal de Esch

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Bruno Cavaleiro foi um dos primeiros autarcas portugueses a ser eleito no Luxemburgo. Mais um lusófono que dá cartas no poder local no Luxemburgo.

Foi através do folclore que chegou à política. Bruno Cavaleiro chegou ao Luxemburgo em 1979, ainda era criança. Nasceu em Mortágua e veio com a mãe e restante família para o Grão-Ducado para se juntar ao seu pai que já cá estava a trabalhar. Fez toda a escolaridade e estudos de Economia no Luxemburgo. Depois de dois anos ligado a um grupo dos meios de comunicação portugueses, acabou por ingressar na banca que “era a minha vontade inicial”. Trabalhou durante 17 anos no BIL e mudou de instituição. Depois de 20 anos de trabalho na banca constatou que “os bancos são todos iguais”. 

Hoje “não se revê no sistema que acaba por tratar o cliente como um número e perde-se o ponto importante da relação humana com o cliente”. “Sempre disse que quando não me sentisse no lugar certo, tomaria as minhas decisões”, sublinha. Hoje é diretor financeiro de um grupo económico ao nível das comunicações. Mas desde sempre se interessou “pelas preocupações das pessoas, porque sempre fui muito interventivo”.

Tudo começou “através do associativismo que é uma escola de intervenção política”, descreve. Uma forma de “estar ao serviço da comunidade”. Desde pequeno que esteve ligado ao Grupo Folclórico Províncias de Portugal de Esch-sur-Alzette que o seu pai tinha ajudado a criar. Primeiro como dançarino, mais tarde como dirigente. A partir daqui sucedem-se as experiências em associações e nem consegue contar o número de organizações com que colaborou. Foi dirigente do CLAE e da CPL e trabalhou com a ASTI. “Quando sou solicitado dou sempre uma ajuda”, confessa.

"Poder contribuir e fazer avançar as coisas"

O que o motiva? “O facto de poder contribuir e fazer avançar as coisas”, responde sem hesitar. Hoje funciona como ponto de apoio para muitas pessoas. “Quando as coisas correm bem fico satisfeito pelo bem que pude fazer”, descreve. Define-se como idealista. “Não sou apologista das ideologias, mas da resolução dos problemas e desde que o problema esteja resolvido não importa a cor”, sublinha. Orgulha-se de ter estado no lançamento das Marchas de São João em Esch, em 1995, as primeiras que se realizaram em todo o Luxemburgo e uma das maiores festas portuguesas no país.

Mas a sua luta sempre foi “que não fosse apenas uma festa para portugueses, mas que fosse uma festa multicultural, em que todos viessem para conhecer a cultura”. Acabou por deixar o projeto porque pretendia que “houvesse um desfile de bairros de Esch”. Um projeto que acabou por não ser partilhado pelo resto do grupo.


portraits / Foto: Gilles KAYSER
A filha de Simone de Oliveira dá cartas no poder local no Luxemburgo
Eduarda Macedo é a única portuguesa no Conselho Comunal da Cidade do Luxemburgo. Nunca lhe passou pela cabeça exercer um mandato, mas o inesperado aconteceu em 2021.

Depois de ter estado na direção do grupo folclórico em 2007, na sequência de divergências do rumo a seguir no futuro acaba por deixar o grupo folclórico. Cansou-se de “brincar ao folclore”. Na altura defendeu que se “aprofundassem conhecimentos e ir à procura de raízes e tradições e de um patamar superior”. Um caminho que o resto do grupo não quis seguir. Em 2006, já estava na Comissão de Integração da Comuna de Esch-sur-Alzette e participou no processo de geminação com a cidade de Coimbra.

A ligação à política começa em 1995 quando é abordado por várias pessoas para estar ativo politicamente no Partido Cristão-Social (CSV). Recorda-se que tudo começou numa visita de trabalho do eurodeputado Lucas Pires a Esch-sur -Alzette. Estreou-se como candidato em 1999, quando foi “dada a possibilidade a não luxemburgueses de se candidatarem” ao poder autárquico. Foi um dos primeiros candidatos portugueses na altura. Nesse ano o CSV ganhou as eleições depois de muitos anos dos socialistas e comunistas a dirigirem a autarquia. Esch “era uma sociedade operária e com um movimento sindicalista de esquerda muito ativo e o CSV não tinha tido até então a pujança para ultrapassar o Partido Socialista”. 

Depois de várias tentativas para construir uma coligação que não chegaram a bom porto, o ministro do Interior decidiu repetir as eleições. Nesse novo ato eleitoral o CSV perdeu e ganharam os socialistas. Durante dez anos tiveram um movimento de recuperação. Concorreu em todas as eleições seguintes e ficou sempre à beira de ser eleito. Porque em muitos partidos há pessoas que perduram nos lugares “quando já está na hora de dar lugar a outros”.

A partir de 2011 criou-se uma nova dinâmica que permitiu o crescimento do partido com “caras novas e ideias novas”. Em 2017 dá-se a viragem porque “as pessoas já estavam cansadas de 20 anos de poder à esquerda, porque um poder instalado esquece-se do que são as suas obrigações e a cidade acabou por estagnar no tempo”. 


Hôtel de Ville de Differdange, Avenue Charlotte, 4530 Differdange, Luxembourg. ITVW Paulo Aguiar. Echevin. Photo: Steve Eastwood
"Sinto-me luxemburguês e sou português. Esta é a minha casa"
Paulo Aguiar é vereador na terceira maior cidade do Luxemburgo. Conheça mais um português que dá cartas no poder local.

Nesse ano ganham as eleições, depois de mais de 80 anos sem terem liderado a cidade de Esch porque historicamente era uma “cidade que cresceu através da siderurgia, sendo muito mais virada à esquerda”. É através de uma coligação com o partido os Verdes e o Partido Democrático que passam a gerir a segunda cidade do país. E é em 2017 que Bruno Cavaleiro é também eleito conselheiro municipal que funciona como um membro da assembleia municipal em Portugal. Mas o lugar de conselheiro comunal no Luxemburgo tem um poder decisivo: todas as decisões da autarquia têm que ser votadas neste órgão.

Com mais de 124 nacionalidades, a cidade de Esch conta com 30% de população portuguesa e é uma autarquia cosmopolita e multicultural. O que significa que “tem que haver uma articulação forte no desenvolvimento da integração das nossas comunidades”. Para que todos possamos “Viver em Conjunto”.

Recorda-se que Esch foi a primeira câmara do Luxemburgo a criar uma Comissão de Integração, muito antes de ser obrigatório legalmente.  

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