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"O comboio do Luxemburgo": Livro ilustra caso de judeus retidos na fronteira portuguesa durante II Guerra Mundial
Luxemburgo 3 min. 29.09.2016

"O comboio do Luxemburgo": Livro ilustra caso de judeus retidos na fronteira portuguesa durante II Guerra Mundial

“O Comboio do Luxemburgo” revela o caso de um comboio de refugiados judeus em 1940 que não conseguiu passar pela fronteira portuguesa e 50 destes passageiros acabaram por morrer em Auschwitz

"O comboio do Luxemburgo": Livro ilustra caso de judeus retidos na fronteira portuguesa durante II Guerra Mundial

“O Comboio do Luxemburgo” revela o caso de um comboio de refugiados judeus em 1940 que não conseguiu passar pela fronteira portuguesa e 50 destes passageiros acabaram por morrer em Auschwitz
Foto: Reuters
Luxemburgo 3 min. 29.09.2016

"O comboio do Luxemburgo": Livro ilustra caso de judeus retidos na fronteira portuguesa durante II Guerra Mundial

O livro “O Comboio do Luxemburgo” ilustra o caso de um comboio de refugiados judeus em 1940 que não conseguiu passar pela fronteira portuguesa e 50 destes passageiros acabaram por morrer em Auschwitz, afirmou hoje uma das autoras.

O livro “O Comboio do Luxemburgo” ilustra o caso de um comboio de refugiados judeus em 1940 que não conseguiu passar pela fronteira portuguesa e 50 destes passageiros acabaram por morrer em Auschwitz, afirmou hoje uma das autoras.

“O que se pretende mostrar através do livro é que nem todos os refugiados judeus entraram em Portugal, ao contrário do que se pensa, e depois é dar todo o contexto, quer do Luxemburgo, quer de Portugal, quer da Alemanha, naquele período (da II Guerra Mundial) através deste episódio”, disse à Lusa a investigadora Irene Flunser Pimentel.

A obra - que foi escrita pela autora em conjunto com a investigadora Margarida de Magalhães Ramalho, do Instituto de História Contemporânea (FCHS da UNL) - será apresentada na sexta-feira, em Óbidos, no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Óbidos (FOLIO), e em Lisboa a 6 de outubro, na Fnac do Chiado.

Irene Flunser Pimentel lembrou que o Luxemburgo foi ocupado pelos nazis em maio de 1940 e a administração civil nazi resolveu fazer do Luxemburgo o laboratório de um primeiro país ocupado pela Alemanha “livre de judeus”.

“Isso porque era um país pequeno e com uma comunidade judaica muito pequena, de cerca de três mil pessoas”, declarou a investigadora, acrescentando que esta foi uma primeira política adotada antes da “solução final”, com a morte dos judeus em campos de extermínio.

Capa do livro
Capa do livro

A autora, que é doutora em História Institucional e Política Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL), referiu que os próprios nazis organizavam as viagens para a saída dos judeus do Luxemburgo.

“Essas viagens que era de autocarro até França e depois de comboio até a Península Ibérica, sendo acompanhadas por membros da Gestapo alemã, as ‘SS’. Dois comboios passam pela fronteira de Vilar Formoso em agosto e outubro de 1940”, indicou Irene Flunser Pimentel, investigadora do Instituto de História Contemporânea (FCHS/UNL).

Segundo a autora, houve um terceiro comboio que chegou em novembro de 1940 a Vilar Formoso, na fronteira entre Espanha e Portugal, com cerca de 300 refugiados judeus, mas ficou retido por 10 dias no local, com as pessoas dentro dos vagões.

“Houve negociações, mas estas falharam e o comboio foi remetido de novo para a França. Nesta altura, a França já está ocupada pelos nazis, uma parte efetivamente ocupada e outra com o Governo de Vichy (que colaboravam com os nazis)”, referiu ainda.

A investigadora referiu que os refugiados judeus acabaram por ser colocados em campos de internamento em França. Alguns conseguiram fugir, outros vão para campos intermediários e, depois, cinquenta destes acabam por morrer no campo de extermínio de Auschwitz (Polónia).

“O enigma disto é o que teria acontecido com o terceiro comboio, porque não conseguiu entrar em Portugal, assim, o livro é uma investigação sobre essas razões”, disse Irene Flunser Pimentel.

Para as autoras, o facto de a maioria dos passageiros serem judeus apátridas, não terem a nacionalidade luxemburguesa fez com que “o Governo luxemburguês no exílio não lutasse tanto por eles como pelos judeus do Luxemburgo”.

Os ocupantes do comboio não conseguiram entrar em Portugal, acabando por morrer em Auschwitz
Os ocupantes do comboio não conseguiram entrar em Portugal, acabando por morrer em Auschwitz
Foto: Arquivo LW

“Depois, elementos da Gestapo, que por norma não entravam em Portugal com o comboio, desta vez, de uma forma até provocatória resolveram sair do comboio e entrar pela fronteira portuguesa. Foram travados, houve até tiros para o ar, chegaram a ser presos, mas foram libertados rapidamente”, avaliou.

Irene Flunser Pimentel explicou que nos meados de 1930 houve um encerramento de fronteiras ou imposição de entraves para a entrada de refugiados judeus em muitos dos países democráticos da Europa, incluindo Portugal.

No caso português, os refugiados judeus conseguiam obter vistos de trânsito, ou seja, tinham direito a um período de permanência(que foi diminuindo com o passar do tempo) e depois deveriam abandonar o país.

O cônsul português em Bordéus, Aristides Sousa Mendes, contrariando as normas cada vez mais restritivas do Governo português, emitiu milhares de vistos a judeus que fugiam da perseguição dos nazistas, tendo sido posteriormente afastado da carreira diplomática.

A autora não deixou de lembrar que a situação de hoje dos refugiados sírios e outros, mesmo num contexto diferente, mostra como a história pode se repetir.

“O Comboio do Luxemburgo”, que reuniu inúmeros documentos de vários arquivos de Portugal, Luxemburgo e Estados Unidos, além de entrevistas com sobreviventes, tem como editora A Esfera dos Livros.

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