Escolha as suas informações

O alerta vermelho dos organismos internacionais sobre o imobiliário
Luxemburgo 2 min. 27.09.2018

O alerta vermelho dos organismos internacionais sobre o imobiliário

A Comissão europeia é um dos muitos organismos internacionais que tem feito reparos ao estado do mercado imobiliário no Luxemburgo.

O alerta vermelho dos organismos internacionais sobre o imobiliário

A Comissão europeia é um dos muitos organismos internacionais que tem feito reparos ao estado do mercado imobiliário no Luxemburgo.
Foto: Reuters
Luxemburgo 2 min. 27.09.2018

O alerta vermelho dos organismos internacionais sobre o imobiliário

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
O parque habitacional tem estado no radar de vários organismos internacionais como a organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e até nas notas de avaliação das agências de rating, Standard & Poor’s (S&P) e DBRS. Os alertas têm sido uma constante nos relatórios que têm sido divulgados sobre o Luxemburgo.



OCDE

Para a OCDE, a subida do preço das casas aliada a um acréscimo do endividamento constituem um risco elevado. A solução seria, por isso, implementar medidas como a introdução de limites aos empréstimos em função do rendimento, por exemplo. O aumento do nível de endividamento não tem apenas impacto nos rendimentos das famílias – que ficam com mais dinheiro destinado ao pagamento da casa e menos rendimento disponível para outro tipo de consumo ou poupança. Os bancos também sofrem consequências: as instituições financeiras ficam demasiado expostas a qualquer tipo de incumprimento, como seria uma nova crise financeira. Assim, baixar os preços é urgente. O Governo deveria adotar um conjunto de medidas que permitisse aumentar o número de terrenos disponíveis para construção. Sugerem-se sobretudo medidas fiscais: redução de impostos para as mais-valias conseguidas com a venda de património, e a aplicação de impostos locais em terrenos urbanos que estejam desaproveitados. Além disso, recomenda-se a implementação de uma reforma do território com a introdução de prazos obrigatórios de construção, de forma a estimular e aumentar a construção de habitação, fazendo com que os preços diminuam.

FMI

O organismo liderado por Christine Lagarde quer que os proprietários que não construam nos seus terrenos, e tenham licença para o fazer, sejam sujeitos a impostos mais pesados. O objetivo é incentivar aqueles proprietários a contruírem casas, aumentando dessa forma a oferta para baixar os preços. Esta foi uma das soluções adiantadas pelo FMI para conter o problema habitacional no Luxemburgo. Além deste imposto, sugere-se uma reforma dos impostos municipais para reduzir as decisões autárquicas favoráveis ao aproveitamento de espaços destinados a negócios em detrimento do mercado habitacional. Por outro lado, o relatório nota que há espaço para aumentar o ’stock’ de habitação social.

Comissão Europeia

O preço das casas tem continuado a subir, o que pode dificultar a capacidade do país para atrair mão-de-obra qualificada. Do lado da oferta, Bruxelas sublinha que não há terrenos suficientes e há, por outro lado, poucos incentivos para que os privados vendam terrenos ou casas. Do lado da procura, os preços sobem devido precisamente a uma procura elevada (por comparação com a oferta disponível) e devido a políticas fiscais que incentivam a propriedade e não o arrendamento.

Standard & Poor’s

A S&P manteve o triplo A, mas adverte que se o mercado imobiliário se tornar menos acessível, isso poderá minar o crescimento do consumo – um dos principais motores do crescimento do país – e reduzir a atratividade de mão-de-obra estrangeira. Além disso, uma sobreavaliação do valor das casas pode aumentar os riscos de instabilidade financeira.

DBRS

O mercado da habitação também é referido na nota da DBRS: os preços das casas subiram 40% desde 2010 e o endividamento das famílias atingiu um nível recorde de 172% do rendimento disponível. Acresce o facto de 70% dos créditos para compra de casa terem taxa variável, o que os torna particularmente expostos em caso de aumento das taxas de juro.



Notícias relacionadas

Reservado o direito de admissão
São necessários 140 anos em Espanha, cerca de quatro gerações, para que uma família trabalhadora atinja os proveitos necessários para chegar ao rendimento médio desse país. Para aqueles que comentavam que provavelmente em Espanha o “elevador social” estaria avariado, um analista revelava que as únicas sociedades europeias em que esta ascensão social era mais rápida do que no estado espanhol era apenas nos países nórdicos. O que quer dizer que no resto da Europa são precisos muito mais do que 140 anos.
O raio X do mercado da habitação
É um dos temas mais importantes e sensíveis da batalha eleitoral. O Contacto passou o mercado da habitação pelo raio X para perceber a dimensão do problema. Saiba quantas casas há no Luxemburgo, quanto é que os preços têm subido, quantos proprietários e inquilinos existem.
Agência Imobiliária Social: Faltam 30 mil casas sociais no Luxemburgo
A Agência Imobiliária Social (AIS) estima que faltem cerca de 30 mil casas para as famílias mais pobres no Luxemburgo. O diretor da AIS, Gilles Hempel, calcula que esse seja o número de habitações sociais que são atualmente necessárias no Grão-Ducado para albergar as famílias mais carenciadas.