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O ADR na despedida do seu líder histórico, Gast Gibéryen
Luxemburgo 8 3 min. 14.10.2020 Do nosso arquivo online

O ADR na despedida do seu líder histórico, Gast Gibéryen

O ADR na despedida do seu líder histórico, Gast Gibéryen

Foto: Contacto
Luxemburgo 8 3 min. 14.10.2020 Do nosso arquivo online

O ADR na despedida do seu líder histórico, Gast Gibéryen

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Foi em clima de homenagem que decorreu, no passado domingo, o congresso do partido mais à direita do Parlamento luxemburguês.

Na tribuna sucederam-se homenagens a Gast Gibéryen, que se reformou do seu papel de líder histórico do partido. Prendas, uma publicação com a sua vida e até um vídeo sobre ele foram exibidos no congresso. A reunião magna do partido nomeou o antigo burgomestre de Frisange, que abandona a liderança parlamentar do ADR, presidente de honra desta formação política. O homem que dedicou os últimos 31 anos à militância política e sindical não conseguiu conter as lágrimas.

Mas não só de homenagem viveu o congresso que se realizou no Däichhal em Ettelbruck. Os cerca de 100 membros do ADR aprovaram três documentos de orientação: Clima, imigração e habitação. Três temáticas que, a formação que tem quatro deputados no atual Parlamento, pretende dar realce até às eleições legislativas, marcadas para 2023.

O exemplo dos neandertais

A moção sobre as questões ambientais foi apresentada pelo homem que vai substituir Gibéryen no Parlamento e a vedeta do campo do "não" do referendo sobre o direito de voto dos imigrantes nas eleições legislativas, Freud Keup.

O orador puxou os galões da sua profissão de professor de história e geografia, para relativizar a importância das atuais alterações climáticas. Keup faz notas que a humanidade já viveu várias mudanças abruptas na temperatura da Terra, e que sempre se deu melhor com subidas de temperatura do que com descidas. "É suficiente pensar nos neandertais, dizimados por um período glaciar e que desapareceram".

O partido mais à direita do Parlamento luxemburguês não nega a existência de uma mudança climática e as suas consequências, mas dizem recusar "a política do medo" suscitada pelos ecologistas e defendem que não se pode prescindir dos combustíveis fósseis, e que é preciso ter políticas realistas de energia. Para o ADR, a solução está sobretudo na recusa do crescimento incontrolado. Essa alteração de direção da política económica teria ainda como vantagem a redução das necessidades de mão de obra imigrante.


Kartheiser. "Somos contra qualquer aumento de impostos"
O líder parlamentar do ADR, Fernand Kartheiser, resumiu para o Contacto as principais resoluções desta reunião magna do seu partido e sublinhou que este encontro mostrou que o partido está vivo e forte, mesmo no momento que se reforma o seu dirigente mais popular.

Rejeição da imigração em massa

A moção sobre a política migratória foi apresentada, pelo atual líder parlamentar da formação política, Fernand Kartheiser. O deputado lembrou que o Grão-Ducado é uma economia aberta e que precisa de imigrantes para funcionar, mas rejeitou aquilo que chamou a imigração massiva de gente fora da Europa, desde 2015. Para Kartheiser, só se deveria permitir a entrada de pessoas que fujam a guerras e perseguições políticas. Qualquer imigração ilegal, que o político quantificou ao Contacto, em cerca de 15 mil pessoas, devia ser impedida. "Se essa gente é precisa, tem que imigrar legalmente".


Manifestação. "É suposto fazermos as casas, mas não conseguimos ter casa"
Centenas de manifestantes "invadiram", este sábado , as ruas do comércio de luxo e uma das zonas de maior investimento imobiliário da capital para dizer que não se constroem casas para a maioria da população que trabalha no Luxemburgo.

Não aos impostos na habitação

No dia seguinte à manifestação nacional para defesa do direito à habitação, o deputado Roy Reding apresentou as propostas do partido nesse setor. O ADR defende que têm de ser os privados a resolverem este problema e recusa o aumento de impostos para forçar os privados a construírem nos terrenos disponíveis. Para esse partido, mais que tentar combater a especulação imobiliária em sede fiscal, é necessário facilitar e simplificar as mudanças nos planos diretores municipais de modo a libertar mais terrenos para a construção de habitação. Esse partido não nega que deva ser construída mais habitação social, mas defende que os privados devem ter um papel acrescido nessa matéria.

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