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O 10 de Junho em tempos de pandemia
Luxemburgo 4 min. 10.06.2020

O 10 de Junho em tempos de pandemia

O 10 de Junho em tempos de pandemia

Foto: Lusa
Luxemburgo 4 min. 10.06.2020

O 10 de Junho em tempos de pandemia

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Em tempos de pandemia, as comemorações do 10 de junho vão ser diferentes. Ao contrário das festas organizadas pelas associações nas ruas da capital nas últimas décadas, este ano há cerimónias para participar no YouTube.

Este ano, o 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas vai ser comemorado no Luxemburgo apenas no mundo virtual, por causa da pandemia.

"Devido à impossibilidade legal de concentrações acima de 20 pessoas", as celebrações ficam-se pelo digital, a partir da residência oficial, com uma alocução do Embaixador António Gamito e apresentações de Magaly Teixeira, jovem atriz local da terceira geração. O anúncio, feito pela embaixada, informa ainda que os hinos nacionais luxemburguês e a "Portuguesa" serão tocados pelos músicos locais da terceira geração, Susana Magalhães, na viola de arco, e Pedro Bray, na viola tradicional.

As celebrações podem ser seguidas diretamente através do YouTube, a partir das 10 horas do Luxemburgo, nove de Lisboa. "Para o ano, se a crise sanitária deixar, estaremos todos juntos novamente", escreveu a embaixada de Portugal no Luxemburgo.

Para Rogério de Oliveira, presidente da Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo e Conselho das Comunidades, lamentou o facto de "a verdadeira festa dos portugueses" não sair à rua "como tem acontecido nas últimas décadas".

"Ninguém gosta de estar fechado e esta data tem sido sempre bem representada e festejada pela nossa comunidade, se bem me lembro desde 1986, altura a partir da qual o Luxemburgo passou a ter embaixada portuguesa. Normalmente, as ruas enchem-se de cor e animação como tributo à cultura e cidadania portuguesa por parte das nossas associações que se multiplicam em atividades", recorda.

O Conselheiro das Comunidades lamentou ainda o momento causado pela pandemia, lembrando que "apesar de tudo temos de compreender que a saúde é importante para todos nós. É fundamental cumprirmos as medidas por uma questão de civismo e esperar que no próximo ano as coisas corram melhor", desejou.


Português no Luxemburgo participa em conferência-debate sobre 10 de junho
A conferência, intitulada "Portugal de hoje pelo olhar das comunidades portuguesas", vai ser transmitida pelas 17h desta quarta-feira nas redes sociais.

O Centro de Apoio Social e Associativo (CASA) tem sido um dos grandes impulsionadores das festividades do 10 de junho no Grão-Ducado nos últimos anos. Este ano, o seu presidente e Comendador, José Ferreira Trindade, fez alusão a "uma festa diferente" na qual "o movimento que tem marcado a sua presença de forma impar, não pode estar presente devido às várias restrições impostas pelo governo."

"Convidei recentemente representantes de várias associações para uma reunião da sede do CASA, em Clausen, onde pudemos falar da situação atual do movimento associativo e das suas prioridades. E como não há festa este ano, brindámos juntos pela nossa comunidade".

Trindade falou ainda da gastronomia que predomina nestas festividades e caracteriza a cultura portuguesa. "A sardinha assada, o frango no churrasco e a doçaria variada, entre outras iguarias da gastronomia portuguesa, vão faltar. Neste momento, quero expressar a minha solidariedade às associações, ranchos folclóricos, grupos de dança e de cantares, entre outros membros que pertencem à nossa associação. Têm defendido de forma digna a nossa portugalidade no Luxemburgo. Espero que, para o próximo ano, voltemos a sair à rua nesta data especial para todos os portugueses espalhados pelo mundo", concluiu.

Quem também lamentou a ausência das habituais festividades do dia 10 de junho no Grão-Ducado foi Elisabete Soares, presidente da Confederação das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo (CCPL). Para a líder associativa, "vai faltar a festa, os desfiles, a cor e a alegria que caracterizam a comunidade portuguesa na sua globalidade. Infelizmente devido à crise que se vive ninguém está em condições de organizar nada, mas enfim... É um gosto amargo num dia tão especial e representativo para a comunidade portuguesa espalhada por todo o mundo", vinca.

"Depois de tantos anos consecutivos a festejar este dia importante, vamos ter que acatar esta decisão e compreender que a saúde é fundamental na vida de todos nós. Espero que no próximo ano possamos organizar, de novo, festividades com eventos culturais, lúdicos e caritativos que destaquem a criatividade da nossa comunidade", rematou.

Em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu cancelar as comemorações do 10 de junho deste ano que se iriam realizar na Madeira e na África do Sul, devido à pandemia da covid-19. Esta quarta-feira, a cerimónia simbólica vai decorrer em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, com as devidas precauções, tendo Marcelo Rebelo de Sousa indicado que as festividades anuladas se mantêm em 2021.

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