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Número de portugueses no Luxemburgo depende de quem conta
Luxemburgo 4 min. 17.12.2018

Número de portugueses no Luxemburgo depende de quem conta

Número de portugueses no Luxemburgo depende de quem conta

Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo 4 min. 17.12.2018

Número de portugueses no Luxemburgo depende de quem conta

Os portugueses no Grão-Ducado representam 16,4% da população, segundo os dados do Statec, que contabiliza 96.800 mil imigrantes no país. Mas os registos consulares dão conta de 113 mil, o que corresponde a 19% do total da população do Grão-Ducado, segundo o Relatório da Emigração, divulgado hoje.

Os dados constam do último Relatório da Emigração, divulgado esta segunda-feira. E o Luxemburgo não é o único país em que há discrepâncias na contabilização de emigrantes feita pelos gabinetes de estatística e os Consulados.

No documento, da responsabilidade da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), explica-se que os registos consulares "obedecem basicamente ao critério da nacionalidade de origem", e não da nacionalidade atual, podendo por isso "incluir muitos dos descendentes de emigrantes". "Independentemente de eventuais erros de registo, em particular por duplicação, este facto explicará boa parte das discrepâncias entre fontes, num mesmo ano de referência", aponta o relatório do SECP divulgado esta segunda-feira, que analisa dados de 2017.

O Grão-Ducado é um dos países em que a contabilização de portugueses pelo organismo oficial de estatísticas não bate certo com os registos do Consulado. Enquanto os registos consulares dão conta de 113 mil portugueses, o que corresponde a 19% do total da população do Grão-Ducado (590.700 pessoas em 2017), o Statec contabiliza 96.800 mil imigrantes no país (16,4%). Registe-se que o número de imigrantes no Grão-Ducado que nasceram em Portugal ronda os 72 mil.

A diferença pode ser explicada pelo facto de o Statec, no caso de imigrantes que obtiveram a dupla nacionalidade, os contabilizar como nacionais. As aquisições de nacionalidade por portugueses no Luxemburgo aumentaram significativamente desde 2000, "perto de 900%", aponta o relatório, "acompanhando a tendência em alta das aquisições de nacionalidade de estrangeiros em geral, as quais passaram de 684 para 9.030 durante o período em análise, de 2000 a 2017". A aquisição de nacionalidade disparou desde que em 2008 o Grão-Ducado aprovou uma lei que passou a permitir a dupla nacionalidade.

No ano passado, o número de portugueses que adquiriu a nacionalidade luxemburguesa totalizou 1.328 pessoas. Os portugueses representaram, em 2017, aproximadamente 15% dos estrangeiros que obtiveram a nacionalidade luxemburguesa, "percentagem muito elevada mas mais baixa do que a verificada nos últimos dois anos", aponta o relatório.

O Luxemburgo é agora o quarto país do mundo onde os portugueses mais adquirem a nacionalidade do país de destino, depois da Suíça (cerca de 4 mil, em 2017), França (2.500, em 2016) e os EUA (cerca de 2 mil, em 2016).

Entrada de portugueses no Luxemburgo baixa pelo quinto ano consecutivo

Em 2017, o número de entradas de portugueses no Luxemburgo diminuiu pelo quinto ano consecutivo, registando-se menos 0,4% do que em 2016. No ano passado chegaram ao Grão-Ducado 3.342 portugueses. É preciso recuar até 2002 para encontrar um valor mais baixo.

O recorde de entradas registou-se em 2012. Nesse ano, no auge da crise, chegaram ao Grão-Ducado 5.193 portugueses – uma média de 14 por dia. A partir daí, as entradas no Grão-Ducado têm vindo a baixar. Em 2013, vieram para o Luxemburgo 4.590 portugueses. Em 2014, o número ficou abaixo dos quatro mil (3.832), tendo descido novamente em 2015 para 3.525. Em 2016, o número voltou a descer para 3.355, caindo novamente em 2017 para 3.342, o valor mais baixo nos últimos 15 anos. Ainda assim, continuam a chegar ao Grão-Ducado, em média, cerca de nove portugueses por dia.

Apesar da diminuição de entradas de portugueses no país, a comunidade portuguesa continua a representar mais de um terço do total dos estrangeiros no Grão-Ducado (34,4%), segundo o Relatório do Emigração, que cita dados do Statec. Mas apesar do peso dos portugueses no país, o Luxemburgo tem um número reduzido de eleitos de origem portuguesa, quando comparado com outros países, ficando mesmo atrás de São Tomé e Príncipe na contagem.

A esmagadora maioria dos luso-eleitos é oriunda de França, com 539 luso-eleitos. Seguem-se os EUA, com cem, 28 na Alemanha, 15 no Canadá, 13 na Suíça, 12 na África do Sul, 10 no Brasil e em São Tomé e Príncipe, nove no Luxemburgo, quatro na Argentina, três na Bélgica e em Moçambique, dois na Austrália, no Reino Unido, na Tailândia e na Venezuela e um na China, no Chipre e na Suécia. Contas feitas, o total de portugueses e luso-descendentes eleitos para cargos públicos no estrangeiro era de 757 em 2017, mais 1,6 por cento do que em 2016, de acordo com o Relatório da Emigração. Na distribuição por continentes, 79% dos luso-eleitos residem na Europa, 17% na América, 3% em África e 1% na Ásia/Oceania.

O Governo e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, têm apelado à participação política dos portugueses, quer nas eleições em Portugal, quer nos países de acolhimento, tendo em conta que as taxas de recenseamento e de participação das comunidades são tradicionalmente muito baixas.



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