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"Novos" transfronteiriços da Moselle aumentaram 20% no Luxemburgo
Luxemburgo 4 min. 29.09.2022
Trabalho

"Novos" transfronteiriços da Moselle aumentaram 20% no Luxemburgo

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"Novos" transfronteiriços da Moselle aumentaram 20% no Luxemburgo

Foto: Guy Jallay/Luxemburger Wort
Luxemburgo 4 min. 29.09.2022
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"Novos" transfronteiriços da Moselle aumentaram 20% no Luxemburgo

Pascal MITTELBERGER
Pascal MITTELBERGER
Um das razões do aumento é o salário no Grão-Ducado. "Perto da fronteira, os trabalhadores transfronteiriços ganham em média o dobro dos que trabalham em França", pode ler-se no estudo.

A proporção de transfronteiriços franceses continua elevada no Grão-Ducado. E em 2020, isto deveu-se em grande parte aos residentes nas regiões francesas da Moselle e Meurthe-et-Moselle. 

A conclusão é de um novo estudo do Instituto de Estatística francês (INSEE), que utilizou um método inovador. 

Em 2020, o INSEE contabilizou de 86.100 residentes destas regiões a trabalhar no Grão-Ducado. Deste número, 20% são novos trabalhadores transfronteiriços. A proporção foi quase idêntica em 2018 e 2019. 

"Este é um trabalho inédito, usando declarações fiscais para estudar o trabalho transfronteiriço", explica Lionel Viglino, autor do estudo. O foco centrou-se sobretudo nos residentes na Moselle e Meurthe-et-Moselle.  

O organismo especifica ainda que destes, 17.700 "novos trabalhadores transfronteiriços" em 2020, três quartos ocupavam um cargo em França no ano anterior e pouco mais de 60% já viviam na Moselle ou em Meurthe-et-Moselle,  não tendo mudado de município de residência.

De acordo com dados do Statec, 105.600 franceses estavam empregados no Luxemburgo em 2020 quando há 20 anos, eram apenas 46.400.   

Proporção de trabalhadores precários difícil de calcular

Como explicar este aumento anual de 20%? Uma hipótese levantada é a presença de uma grande proporção dos chamados trabalhadores precários. "Os trabalhadores transfronteiriços trabalham no Luxemburgo, saem por mais de um ano e às vezes voltam a trabalhar lá. Devemos entender precário não no sentido salarial do termo, mas temporal. (…) Corresponde ao volume de trabalhadores temporários, segundo os números da Inspeção-Geral da Segurança Social, mas não posso afirmar que sejam de facto as mesmas pessoas", especifica Lionel Viglino.   

"Um estudo mais alargado permitiria compreender melhor estes trabalhadores transfronteiriços precários. E também confirmar o papel que assumem no regresso ao trabalho dos novos trabalhadores transfronteiriços no Luxemburgo, após uma pausa de um ano ou mais", explica o autor nos resultados do estudo.

Para Viglino, este é um primeiro passo, esperando explorar mais o assunto nos próximos meses. "Devemos ver este estudo como o primeiro que, se despertar interesse, pode abrir caminho para estudos mais complexos. Não quis esperar ter mais coisas para publicar, sabendo que existe uma real necessidade social e de informação em torno do fenómeno dos trabalhadores transfronteiriços. Queria publicar assim que tivesse algo apresentável."

Por que escolhem o Luxemburgo para trabalhar? Obviamente, os salários praticados no Grão-Ducado não são alheios ao fenómeno. O estudo comparou os rendimentos declarados da atividade de origem luxemburguesa com os de origem francesa. "Acabamos com uma proporção de 1,25 para 2,04", explica. Ou seja: "Perto da fronteira, os trabalhadores transfronteiriços ganham em média o dobro dos que trabalham em França", pode ler-se no estudo.

É o caso, por exemplo, dos habitantes das comunidades das comunas de Cattenom e arredores, onde um terço da população entre os 15 e 64 anos são trabalhadores transfronteiriços.

Na comunidade intermunicipal de Pays-Haut Val d'Alzette, estes últimos representam pouco mais de um quarto. A percentagem é de 20% em Longwy e Thionville. 

A natureza dos postos de trabalho e o nível de qualificação dos trabalhadores transfronteiriços "podem explicar em parte esta diferença salarial", diz ainda o estudo. Quanto mais nos afastamos da fronteira, mais diminui essa relação salarial. 

Lionel Viglino espera, mais uma vez, aprofundar mais estas questões num futuro próximo. "Gostaria de fazer um estudo sobre 'disparidade salarial na fronteira', no modelo da 'disparidade salarial entre homens e mulheres'. A minha ideia para o próximo ano é obter as diferenças de remuneração ao atravessar a fronteira, detalhadas por elementos como diploma, antiguidade, setor de atividade, uso ou não da língua luxemburguesa", conclui.

(Artigo publicado originalmente em Virgule.lu - Luxemburger Wort.)

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