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Nova onda de apoio a Felix Braz
Luxemburgo 5 min. 20.10.2021
Exclusivo Contacto

Nova onda de apoio a Felix Braz

Felix Braz na sua casa em Esch-sur-Alzette, ao lado da mulher, Bibi Debras.
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Nova onda de apoio a Felix Braz

Felix Braz na sua casa em Esch-sur-Alzette, ao lado da mulher, Bibi Debras.
Foto: Paulo Lobo
Luxemburgo 5 min. 20.10.2021
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Nova onda de apoio a Felix Braz

Reportagem publicada a semana passada no Contacto provoca reações no Luxemburgo e em Portugal. Políticos dos dois países enviam mensagens de coragem. Os Verdes consideram críticas injustas. O Governo remete-se ao silêncio.

(Ricardo J. Rodrigues com Paula Santos Ferreira)

A reportagem "A segunda vida de Felix Braz", publicada na última quarta-feira no Contacto, provocou um mar de reações na sociedade portuguesa e luxemburguesa. O artigo, publicado também na revista do semanário português "Expresso2 no último sábado, retrata os dois últimos anos da recuperação do antigo vice-primeiro-ministro lusodescendente, que sofreu um ataque cardíaco e entrou em coma no verão de 2019.

Braz e a família tecem duras críticas ao governo e ao partido Os Verdes por terem aprovado a sua "demissão honrosa" quando estava inconsciente e deixarem-no assim sem recursos para sobreviver. Em maio, avançou mesmo com um processo em tribunal para tentar anular uma decisão que considera ilegal. A história teve eco a semana passada nos principais canais de televisão em Portugal, nomeadamente na SIC.

Por cá, as notícias geraram uma onde de apoio nas redes sociais, sobretudo entre a comunidade lusófona do Luxemburgo. Também nos sites do Luxemburger Wort em alemão e francês, onde a história do Contacto foi replicada, dezenas de leitores solidarizaram-se com a família Braz e aproveitaram as caixas de comentários para desejar as melhoras de Felix.


A segunda vida de Felix Braz
"Quando um homem cai, cai sozinho." Dois anos depois do ataque cardíaco e do coma, o lusodescendente que chegou a vice-primeiro-ministro do Luxemburgo fala de traição e amor, combate e sobrevivência. Uma reportagem com depoimentos, vídeos e imagens exclusivas.

O governo, no entanto, remeteu-se a um silêncio prudente. Ainda antes da publicação da reportagem, Xavier Bettel, o primeiro-ministro, teve oportunidade de comentar o caso mas escusou-se a fazê-lo alegando que havia um processo judicial em curso e por isso não podia falar. No último sábado, o também verde François Bausch, que tomou a cadeira de vice-primeiro-ministro e é acusado por Braz de ter aproveitado a sua doença para fazer uma jogada política, comentou o assunto aos microfones da RTL.

Bausch começa por dizer que não quer entrar em polémicas e que não concorda com a opinião de que pudesse ter agido de outra maneira. "O que mais me magoa é que não me posso defender das acusações por razões humanitárias", disse ao entrevistador do canal público de rádio, François Aulner.

Depois não resistiu a uma allfinetada. "Um ministro sai do Governo quer devido a doença, quer por não ser reeleito ou outros motivo. Ser ministro é um mandato de tempo atribuído pelos eleitores, não é uma profissão", disse em resposta ao processo interposto por Braz, em que tenta reverter a sua demissão. "São as regras, ditadas por lei", rematou Bausch.

Não se deviam alterar as regras do subsídio de dependência, perguntou o entrevistador – invocando que um infortúnio de saúde é um caso diferente de um ministro que sai pelo próprio pé. "Devíamos poder falar sobre isso, sim", admitiu Bausch. "Mas tem que se falar na generalidade, não num caso específico. Sinto muito, mas só posso fazer o que é legal."

As melhoras visíveis

No seio d’Os Verdes, as declarações de Felix Braz provocaram choque. "Estamos profundamente perturbados com as acusações infundadas ao déi Gréng", disse a presidente do partido, Djuna Bernard. Ainda assim, mostrou-se satisfeita com as melhoras da condição do antigo vice-primeiro-ministro. "Regozijamo-nos com Felix por cada passo em frente que dá para uma melhor saúde e continuamos a desejar-lhe uma boa recuperação", disse.

Braz, no entanto, já tinha tecido críticas aos políticos que antes o visitavam e agora se ausentavam da sua vida – sobretudo depois de ele começar a criticar a forma como tinha sido demitido.

Claude Wiseler, presidente do CSV, mostrou-se "feliz" com as imagens que viu na reportagem do Contacto. "É impressionante a força de Felix. O seu percurso tem sido longo e duro e espero que no futuro continue com boas conquistas", disse.

A sua mulher, a eurodeputada Isabel Wiseler-Lima, também reagiu de imediato: "Tenho muita consideração por ele e pela sua mulher. Tanto eu como o meu marido estamos muito preocupados. Pensamos muito nele, na esposa. Estamos com a família. Admiro muito, mesmo muito, os esforços do que foi e é capaz o Felix para voltar a um estado de saúde que lhe vai devolver a autonomia e espero também todas as suas capacidades físicas e intelectuais. É preciso uma grande força de vontade e ele tem-na."

A esquerda também saudou os progressos do político lusodescendente, mas aproveitou para meter o dedo na ferida. "O que aconteceu ao sr. Braz mostra que existe um vazio legal e que, na minha opinião, seria sensato remediá-lo", alertou Nathalie Oberweis, deputada do déi Lénk.

O testemunho mais emotivo chegaria de Portugal. Francisca van Dunem, ministra da Justiça, tornou-se amiga pessoal do seu congénere luxemburguês. "Lúcido, brilhante e confiante, Felix Braz sempre soube ouvir e sobretudo, fazer pontes. É um negociador nato. Sabe como ninguém, conciliar posições. Não sei se o que mais nos aproximou foi o facto de ser português ou a sua intransigente retidão e humanidade. Tornámo-nos amigos", disse ao Contacto.

“A notícia de que voltou a conduzir foi um momento de grande comoção, que me devolveu a certeza de que o Felix conseguirá vencer a terrível tormenta que se abateu sobre a sua vida”, disse Van Dunem.

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