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No Luxemburgo: Sindicato da Construção de Portugal 
diz que portugueses são “presas fáceis”
Luxemburgo 3 min. 17.03.2015

No Luxemburgo: Sindicato da Construção de Portugal 
diz que portugueses são “presas fáceis”

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, está no Luxemburgo na sequência dos casos de portugueses explorados denunciados pelo CONTACTO

No Luxemburgo: Sindicato da Construção de Portugal 
diz que portugueses são “presas fáceis”

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, está no Luxemburgo na sequência dos casos de portugueses explorados denunciados pelo CONTACTO
Foto: Maurice Fick
Luxemburgo 3 min. 17.03.2015

No Luxemburgo: Sindicato da Construção de Portugal 
diz que portugueses são “presas fáceis”

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal diz que os portugueses são “presas fáceis” de angariadores de mão-de-obra que “os exploram e abandonam”, por causa da crise no sector, defendeu o sindicalista durante uma visita ao Luxemburgo.

O presidente do sindicato português, Albano Ribeiro, diz que “Portugal atravessa a maior crise de sempre no sector da construção”, obrigando os trabalhadores a emigrar e convertendo-os em “alvos fáceis” de angariadores de mão-de-obra sem escrúpulos.

“Há angariadores que cobram 500 euros aos trabalhadores em troca de promessas de trabalho no Luxemburgo, Bélgica, Suíça ou outros países, mas quando chegam ao dia combinado [para partir], no local onde devia estar um autocarro não está lá ninguém, e os trabalhadores ficam sem o dinheiro”, denuncia Albano Ribeiro.

Por causa da crise em Portugal, há pessoas “em situação muito vulnerável, económica e financeiramente, que são facilmente aliciadas por angariadores de mão-de-obra, que lhes prometem salários de três mil euros no Luxemburgo ou de 1.500 euros em França, acabando muitos abandonados”, disse o responsável sindical.

O sindicalista diz que vai denunciar estas situações à Polícia Judiciária. “Vamos pedir a intervenção da Polícia Judiciária, nomeadamente em Braga, que é a capital dos angariadores de mão-de-obra”, disse ao CONTACTO Albano Ribeiro.

O problema, garante o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, é a crise no sector, que deixa as pessoas “vulneráveis”.

“Nos últimos sete anos, o sector perdeu 300 mil trabalhadores, e só nos últimos três anos emigraram 150 mil trabalhadores do sector, a maioria para países da Europa, mas também para o Canadá, Angola e Moçambique”, explica Albano Ribeiro.

O presidente do sindicato português está no Luxemburgo até quarta-feira, depois de o CONTACTO ter denunciado a 3 de Março casos de exploração de portugueses recrutados por empresas de construção em Portugal para trabalhar no Luxemburgo.

Na altura, o dirigente sindical Paul de Araújo, do LCGB, garantiu ao CONTACTO que há casos de portugueses a trabalhar sete dias por semana e com salários muito abaixo do mínimo luxemburguês. Em alguns casos, os trabalhadores “são abandonados no Luxemburgo, porque os salários não são pagos, e as pessoas ficam sem dinheiro nem meios financeiros para ficar ou voltar”, disse na altura o sindicalista.

LUXEMBURGO NÃO
 É CASO ÚNICO

Os casos de exploração de trabalhadores portugueses no Luxemburgo “não são caso único”, garante o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, que denuncia situações semelhantes também em França, Espanha, Suíça ou na Bélgica, país que visita a partir de quarta-feira.

O sindicalista, que na terça-feira visitou com delegados do LCGB o estaleiro de uma empresa luxemburguesa onde 90 por cento dos trabalhadores têm nacionalidade portuguesa, recordou o caso de “15 trabalhadores portugueses abandonados em França, a dormir num contentor, sem condições nenhumas”, que ficaram sem dinheiro para regressar.

“Cozinhavam com um fogareiro improvisado entre dois tijolos e uma lata de conservas”, disse Albano Ribeiro, mostrando fotos do local, onde esteve em 2014.

“As pessoas só estão nesta situação por causa da instabilidade social e económica em Portugal, ninguém emigra porque quer”, sublinhou o sindicalista.

Ao CONTACTO, Albano Ribeiro disse que o sindicato que preside vai pedir uma audiência ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, “juntamente com as 
associações patronais do sector”, para discutir a situação das obras públicas no país.

“Vamos colocar questões sobre a retoma do plano nacional de barragens, que poderia criar seis mil postos de trabalho, ou a reabilitação urbana, que criaria 65 mil postos de trabalho por todo o país”, defende Albano Ribeiro.

Para combater situações de exploração como as denunciadas pelo LCGB no Luxemburgo, que 
classificou de “escravatura contemporânea”, Albano Ribeiro defende ainda “a intervenção da Inspecção Geral do Trabalho, em articulação com as inspecções dos países
do destino”, e a informação de quem pensa emigrar.

“Fazemos um apelo para que os trabalhadores, antes de deixarem 
o país, passem no sindicato para analisar se se trata de um contrato idóneo, ou numa das delegações da Secretaria de Estado das Comunidades”, que organiza uma campanha de informação.

Uma mensagem que a responsável do sindicato da construção do LCGB, Liliana Bento, reitera. “Não queremos travar a vinda 
de portugueses para o Luxemburgo, queremos apenas que 
venham informados sobre os seus direitos”, disse Liliana Bento ao CONTACTO.

Paula Telo Alves


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sindicato LCGB.