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No Luxemburgo o coronavírus mata menos
Luxemburgo 4 min. 01.04.2020 Do nosso arquivo online

No Luxemburgo o coronavírus mata menos

No Luxemburgo o coronavírus mata menos

Foto:AFP
Luxemburgo 4 min. 01.04.2020 Do nosso arquivo online

No Luxemburgo o coronavírus mata menos

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Um em cada cem infetados no Luxemburgo morre da covid-19, o que representa uma taxa de letalidade de 1,2%. O Grão-Ducado é um dos países europeus com a taxa de letalidade mais baixas. Em Portugal, morre o dobro da percentagem registada no Grão-Ducado.

O Luxemburgo tem uma taxa de letalidade da covid–19 abaixo da maioria dos países europeus. Feitas as contas, a percentagem das vítimas mortais face ao universo de infetados com o coronavírus no Grão-Ducado é de 1,2%. O que significa que por cada cem contaminados, em média morre uma pessoa. De acordo com os últimos indicadores, (disponíveis às 18h00 de quarta-feira) num total de 2319 contaminados, há 29 vítimas mortais a registar. 

As autoridades portuguesas, ao contrário dos responsáveis políticos do Grão- Ducado, divulgam, regularmente, a taxa de letalidade. Assim, Portugal apresenta o dobro de taxa de letalidade que o Luxemburgo: de acordo com os últimos indicadores divulgados pelo ministério da Saúde a taxa de letalidade é de 2,2% (187 vítimas mortais num universo de 8200 contaminados, o que significa que, em média, em cada cem infetados morrem duas pessoas).

Estes números revelam uma fotografia num determinado momento, indicam uma tendência, mas os indicadores mudam a cada dia que passa.

No topo da lista dos países com maior letalidade surge a Itália com 11,3%, segue-se Espanha com 8,6%. Entre os vizinhos do Luxemburgo, a França tem a taxa mais elevada com 6,7% (3.523 vítimas e 52 mil infetados), a Bélgica tem 5,5% (705 vítimas e quase 13 mil contaminados) e a Alemanha tem a taxa mais baixa com 1,1% (732 vítimas mortais e mais de 67 mil contaminados). O caso alemão, que apostou de forma massiva na realização de testes é considerado um dos países com uma estratégia mais eficaz de combate à doença. Um caminho que também tem sido seguido pelo Luxemburgo que é o país com a maior percentagem de testes, de acordo com as declarações do primeiro-ministro, Xavier Bettel.

Trinta dias depois do surgimento do primeiro caso no Grão-Ducado, a ministra da Saúde, Paulette Lenert anunciou uma "reestruturação do sistema de saúde" para responder à covid–19.


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O Grão-Ducado continua a ser o país que mais testes faz. Até agora, já foram testadas cerca de 16.200 pessoas desde o primeiro caso confirmado no país, a 29 de fevereiro. Quanto às máscaras de proteção, Paulette Lenert voltou a sublinhar que "o Luxemburgo não dispõe de máscaras em número suficiente para toda a população". "A prioridade é para o pessoal do setor da saúde e para os pacientes infetados ou com suspeitas, de forma a proteger os outros", revelou a ministra.

A prioridade para quem suspeite de estar infetado é "recorrer a teleconsulta por telefone, ou por videconferência, para receber uma orientação". Pode encontrar um médico para o(a) atender aqui.

Uma medida que "serve de filtro e evita que as pessoas com suspeitas de infeção se desloquem e contagiem outros", sublinhou a ministra. "Só em caso excecional é que se pode ir ao médico ou receber a visita de um médico", reforçou Paulette Lenert.

A ministra sublinhou que "os hospitais tiveram de se reorganizar para responder às necessidades". Também o presidente da Associação de Médicos e Médicos-Dentistas, Alain Schmit, alertou para o cenário de "uma medicina de crise". O que significa que "as urgências em medicina normal tiveram de ser completamente reorganizadas, de forma a separar as pessoas infetadas dos outros paciente", sublinhou.


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EUA já é o país com maior número de contaminados

Atualmente, já há quase 860 mil contaminados no mundo com os EUA, Itália e Espanha a ultrapassarem, em muito, os valores registados na China.

O país onde a pandemia começou tem uma taxa de letalidade de 4,1%. Feitas as contas, o número total de infetados no país, desde o início da epidemia, que ocorreu no final de 2019, é de 81.554, entre os quais 3.312 morreram .

Mas o mapa da doença centra-se agora noutras geografias. Neste momento, os EUA já são o país com o maior número de infetados (189 mil) com covid-19. O dobro dos casos registados na China. Uma doença que, de acordo com o presidente norte-americano, iria desaparecer com o calor. A taxa de letalidade norte-americana é, agora, de 2,1%. Na terça-feira, o governador de Nova Iorque fez um apelo desesperado a todo o pessoal médico do país: "Venham ajudar-nos agora".

Também no Reino Unido, Boris Johnson, que desvalorizou a pandemia acabou contaminado e em quarentena. A taxa de letalidade do país é de 7,9% (2352 vítimas mortais e quase 30 mil infetados).

O sistema de saúde espanhol está perto do colapso. Depois de terem sido conhecidas imagens de médicos italianos desesperados com o número de vítimas. A França também não está melhor. O Luxemburgo, Alemanha e a Austrália têm recebido alguns pacientes que já não têm lugares nos hospitais franceses

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