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No Luxemburgo há lobos, castores, veados e também um livro para celebrá-los
Luxemburgo 3 min. 06.12.2019

No Luxemburgo há lobos, castores, veados e também um livro para celebrá-los

Os castores regressaram ao Luxemburgo e formam hoje mais de 40 colónias no país.

No Luxemburgo há lobos, castores, veados e também um livro para celebrá-los

Os castores regressaram ao Luxemburgo e formam hoje mais de 40 colónias no país.
Foto: Marc Steichen
Luxemburgo 3 min. 06.12.2019

No Luxemburgo há lobos, castores, veados e também um livro para celebrá-los

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Chega esta semana às livrarias “Les mammifères du Luxembourg”, um guia dos mamíferos que habitam o Grão-Ducado. Há algumas supresas: o regresso de espécies extintas, a diversidade de morcegos e até um capítulo sobre o Homem. Todas as espécies estão identificadas em português.


“Está bem que a maioria das pessoas sabe que existem morcegos no Luxemburgo, mas quanta gente faz ideia de que há 21 espécies diferentes”, pergunta o biólogo Laurent Schley, um dos autores de “Les mammifères du Luxembourg”, cuja edição francesa chega esta semana às livrarias, com a identificação de todos os animais em português. O livro faz uma descrição detalhada de cada espécie que vive no território, da sua distribuição e nível de ameaça a que está sujeito. “Acreditamos que a vida selvagem é fascinante para toda a gente. Livros sobre as aves que vivem aqui há muitos, até porque são animais mais visíveis. Mas esta é a primeiro sobre mamíferos. E está cheio de supresas.”

No total, 85 espécies diferentes são identificadas. Entre os textos mais animadores estão aqueles que falam do lobo e do castor, espécies que se extinguiram no território no século XIX e conseguiram nos últimos anos encontrar o caminho de regresso a casa. “No caso do castor, isso deve-se à reintrodução que foi feita destes animais na Bélgica há dez anos. Encontrámos os primeiros exemplares no rio Sùre mas hoje eles já foram confirmados em mais de 40 localizações diferentes, de norte a sul do país.”

A capa do novo livro, com referèncias também em português.
A capa do novo livro, com referèncias também em português.

Quando se fala dos lobos, só duas evidências foram ainda certificadas – houve um ataque a um rebanho em 2017 e outro em 2018. Mas a história deste regresso tinha ingredientes extraordinários. Exames de ADN confirmaram que eram animais que dispersaram dos Alpes suíços e atravessaram as mais urbanizadas paisagens da Europa até chegarem aqui. “Se este é um regresso fantástico, também é verdade que temos de por o lobo no topo das espécies mais ameaçadas no país, juntamente com a lontra, o morcego-de-ferradura-grande, o rato dos espigueiros e o musaranho-de-água.”

Há a explicação da vida e dos habitats dos animais que vivem no país há milénios, mas a verdade é que o biólogo se preocupa com a introdução de espécies exóticas, vindas de outras regiões do planeta e com grande impacto na cadeia alimentar. É o caso do guaxinim, do rato almiscarado, do muflão e do gamo. Mas as três espécies que se encontram em sobrepopulação e revelam grandes prejuízos para os humanos são o javali, o corço e o veado. “O primeiro cria um prejuízo anual de meio milhão de euros nas plantações agrícolas, enquanto que os dois últimos destroem as explorações florestais. Nos três casos, os números excessivos devem-se ao desaparecimento do predador natural – o lobo.”

Uma família de corços luxemburgueses
Uma família de corços luxemburgueses
Foto: Guido Mayers

Um dos capítulos mais engraçados refere-se ao único primata que consta do guia: o ser humano. “Tentámos escrever isto com uma boa dose de humor, colocando o homem moderno no seu devido lugar na Natureza, e com isso fazer entender aos leitores o seu espaço na Terra.” Os autores identificam por isso os habitats (casas, apartamentos ou estúdios), a tendência para viver em colónias (aldeias, vilas ou cidades) explicam que os homens perderam a sua pelagem no processo evolutivo e que, tal como os chimpanzés, guerreiam uns com os outros.

Laurent Schley e Jan Herr, os autores do livro.
Laurent Schley e Jan Herr, os autores do livro.
Foto: Tessy Klopp Sowa

Schley, biólogo e vice-presidente da Administração da Natureza e das Florestas, e Jan Herr, zoólogo do Museu de História Natural, criaram este livro nos seus tempos livres pelo simples gosto que têm aos animais selvagens. “Mas temos de ser sinceros”, diz o primeiro, “não poderíamos ter feito isto se não tivesse sido escrito em 1999 um Atlas dos Mamíferos da Europa. Ou sejam, tínhamos muitos destes dados já recolhidos – e depois só tivemos que atualizá-los.”

A verdade é que Laurent Schley tem agora um empreendimento muito maior em mãos. O biólogo luxemburguês foi nomeado secretário da European Mammal Foundation e integra a equipa que coordena a atualização dos dados. Até 2024, a presença das diferentes espécies será marcada em 47 países. “Isto vai permitir perceber como as alterações climáticas afetaram a fauna europeia. E vai permitir-nos proteger melhor as espécies ameaçadas.” O projeto está a ser financiado em crowdfunding em todos os países participantes. Para participar, basta ir a support.european-mammals.org/