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Nem no centro, nem nas fronteiras. Qual é o melhor lugar para viver no Luxemburgo?
Luxemburgo 16 min. 23.02.2022
Habitação

Nem no centro, nem nas fronteiras. Qual é o melhor lugar para viver no Luxemburgo?

Entre 2020 e 2021, os preços das casas no Luxemburgo aumentaram 13,6%. Na última década, verificou-se uma subida de 111%.
Habitação

Nem no centro, nem nas fronteiras. Qual é o melhor lugar para viver no Luxemburgo?

Entre 2020 e 2021, os preços das casas no Luxemburgo aumentaram 13,6%. Na última década, verificou-se uma subida de 111%.
Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 16 min. 23.02.2022
Habitação

Nem no centro, nem nas fronteiras. Qual é o melhor lugar para viver no Luxemburgo?

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Com o aumento constante dos preços das casas no Grão-Ducado, muitas pessoas fugiram para os países vizinhos nos últimos anos. Agora os valores também estão a subir nas zonas fronteiriças. Quando viver no centro ou na periferia se torna um pesadelo, fica a questão: quais são os melhores lugares para viver no Luxemburgo?

Quando Cláudia Paiva chegou ao Luxemburgo, já lá vão mais de 20 anos, estava longe de imaginar que um dia iria ver-se obrigada a viver fora do país. Veio de Portalegre, terra alentejana, em 2001. Instalou-se em Esch-sur-Alzette, onde mais tarde comprou uma casa para a família. Ela, o companheiro e três filhos. 

Depois veio o divórcio. Teve de vender o imóvel e comprar outro, mais pequeno, cerca de 60 metros quadrados, para ela e as crianças. O apartamento era “minúsculo”, recordou. E isso nem era o pior. “O maior problema eram os acertos de contas, tudo aos 500, 600 euros, era impossível com um ordenado de uma pessoa sozinha. Fui obrigada a mudar o rumo da minha vida”.

Cláudia comprou aquele apartamento na Rue du Canal, bem no centro de Esch, em 2016, por 200 mil euros. Quatro anos depois, em dezembro de 2020, conseguiu vendê-lo por 355 mil, quase o dobro do valor inicial. Um reflexo do constante aumento dos preços das casas no Grão-Ducado nos últimos anos.

Quando deu por si a procurar uma nova habitação, a portuguesa sentiu que não tinha outra escolha que não sair do país. “Fui obrigada a mudar-me para França”. Cláudia vive há 13 meses em Villerupt, uma pequena cidade na fronteira, perto de Esch. Mas não está feliz. “Detesto viver aqui”, confessou.

Era preciso um milagre para poder voltar ao Luxemburgo. Acho que só vai ficar pior.

Cláudia Paiva

A alentejana de 46 anos continua a trabalhar no Luxemburgo. É ajudante de cozinha numa escola em Walferdange. Faz cerca de 86 quilómetros de carro, ida e volta, de segunda a sexta-feira. “Acaba por ser um transtorno”, admitiu. Dois dos filhos continuam ao seu cargo e ainda andam na escola no Grão-Ducado. Um deles quer ir para a tropa, por isso Cláudia mantém a residência no Luxemburgo, apesar de pagar o aluguer em França. Ela reconhece que a casa “é boa”, mas sente um “desgosto enorme” por estar a viver fora do país que a acolheu há 20 anos. E, com os preços praticados atualmente, “voltar está completamente fora de questão”.

Entre 2020 e 2021, os preços das casas no Luxemburgo aumentaram 13,6%, segundo o Eurostat. Na última década, verificou-se uma subida de 111%. Já o preço das rendas subiu 15% desde 2010. Na comparação com a média europeia dos últimos 11 anos, os preços das casas no Grão-Ducado continuam a ser dos mais altos, deixando o país no segundo lugar do ranking, apenas atrás da Estónia.


Jean-Michel Campanella, presidente da associação Mieterschutz Lu/Défense des Locataires.
"Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento"
Jean-Michel Campanella, presidente da associação Mieterschutz Lu/Défense des Locataires, afirma em entrevista ao Contacto que o drama da habitação no Luxemburgo não deverá mudar tão cedo.

Uma casa pode custar mais de um milhão de euros e as rendas ultrapassam facilmente os mil euros, mesmo para um estúdio. Um estudo do Observatório da Habitação revelou que em 170 mil proprietários, mais de metade ainda está a pagar um empréstimo ao banco e os valores podem chegar aos 1642 euros mensais.

Hoje em dia, as pessoas que querem viver no Luxemburgo já começam a procurar alternativas à compra de um imóvel. Um desejo que parece cada vez mais difícil de concretizar. Muitos luxemburgueses e emigrantes acabam por desistir e decidem ir viver para os países vizinhos.

“Enquanto isto não mudar, não é possível. Era preciso um milagre para poder voltar ao Luxemburgo. Acho que nunca vai mudar, só vai ficar pior”, lamentou Cláudia, revelando que para já não está nos seus planos voltar a Portugal. “Os filhos crescem, depois já não vamos embora”, justificou. Por enquanto, vai continuar a viver em França, mas avisa: “Mesmo aqui já está a aumentar muito. Está a ficar caótico!”

Explosão de preços na fronteira

O fenómeno dos trabalhadores transfronteiriços também já está a fazer subir os preços da habitação nas regiões à volta do Grão-Ducado. Em França, por exemplo, houve um aumento de 10% num ano na zona fronteiriça – em alguns casos chegou mesmo aos 20% – contra 7 a 9% noutros locais do país.

Segundo o Observatório do Imobiliário dos Notários de França, uma casa que tenha sido vendida por 70 mil euros em cidades fronteiriças, como Villerupt ou Audun-le-Tiche, há cinco anos, pode facilmente ser agora vendida por cerca de 150 mil euros. Na região de Longwy, o preço médio de uma casa antiga de 100 metros quadrados subiu de 145 mil para quase 172 mil euros, entre 2015 e 2021. Para um apartamento de 60 metros quadrados, o aumento foi de 62.800 para 98.100 euros.


São precisos mais 30 mil alojamentos para melhorar o problema da habitação no Luxemburgo
Dos cerca de 30 mil locatários elegíveis para receber ajuda para pagar casa, apenas 6.500 recebem-na atualmente, lamenta o organismo num estudo publicado na terça-feira.

O mesmo está a acontecer na Bélgica. Na província belga de Luxemburgo, o preço médio de uma casa aumentou 7,4% num ano e 25,1% em cinco anos. Naquele município, o valor médio de um imóvel atingiu 219 mil euros no ano passado.

As cidades mais caras para viver são as que estão mais próximas do Grão-Ducado ou das autoestradas que ligam os dois países, como Arlon, Etalle, Messancy ou Saint-Léger. Em Attert, por exemplo, o preço médio chegou aos 420 mil euros, segundo a Federação dos Notários da Bélgica. Como resultado, as famílias belgas com rendimentos médios têm de se afastar para encontrar preços acessíveis.

Esta escalada de preços nas zonas fronteiriças não se compara, ainda assim, aos valores praticados no Luxemburgo. Uma casa na fronteira pode chegar aos 300 ou 400 mil euros, mas o mesmo imóvel valeria facilmente um milhão de euros no Grão-Ducado. Por isso, na hora de escolher, a compra de uma habitação fora do país continua a ser mais apetecível.

“É verdade que os preços e as rendas também aumentaram muito nas zonas fronteiriças, o que também cria grandes dificuldades para as pessoas que vivem nestas zonas mas não trabalham no Luxemburgo. Contudo, os preços subiram ainda mais rapidamente no Luxemburgo nos últimos anos, pelo que a diferença de preços e rendas entre o Luxemburgo e a sua periferia fronteiriça imediata continua a ser significativa”, explicou Julien Licheron, investigador do Instituto de Pesquisa Socioeconómica do Luxemburgo (Liser) e membro do Observatório da Habitação.

Tal como Cláudia, Ana (nome fictício) viu-se obrigada a ir viver para fora do Luxemburgo. Chegou ao país há 17 anos, de Setúbal, e logo percebeu que havia muita dificuldade em conseguir encontrar alojamento. Chegou a ter de esconder a gravidez para conseguir alugar um apartamento, porque os senhorios não queriam. “No Luxemburgo preferem aceitar um cão a uma criança”, criticou. 

Quando se divorciou, teve de procurar uma casa para ela e o filho, mas não conseguia encontrar algo com o mínimo de condições a um preço razoável. “Tenho um bom salário, mas é insuficiente para pagar um apartamento com dois quartos. É uma aberração. Não é normal pedirem 1600 euros por um apartamento num país com um ordenado mínimo de 2200 euros”, contestou.

O ideal é viver à volta do Luxemburgo e não dentro. Os preços são uma aberração.

Ana (nome fictício)

Há cerca de quatro meses, a portuguesa de 36 anos foi viver para Audun-le-Tiche, em França. “Queria comprar uma casa no Luxemburgo, mas era impossível. Só dava para comprar uma garagem. Então vim morar para a fronteira, com um filho de cinco anos”, contou. 


Casal não quis pagar um milhão de euros e construiu a própria casa no Luxemburgo
Um casal no Luxemburgo não estava disposto a pagar um milhão de euros por uma habitação. Por isso decidiu construir a sua própria casa, com madeira e palha.

Tal como Cláudia, Ana vive em França, mas continua a trabalhar no Grão-Ducado. Vai para Bascharage todos os dias, são 15 minutos de carro, cerca de 32 quilómetros na ida e volta. “Agora se sair da fronteira é para voltar para Portugal”, garantiu a emigrante. “Sempre houve dificuldade na habitação, mas nos últimos cinco anos piorou muito. Já vivi muito bem no Luxemburgo, mas hoje em dia as pessoas sobrevivem, já não vivem”.

Ana conta que há muitos portugueses como ela que vivem em Audun-le-Tiche e trabalham no Grão-Ducado. “Cada vez mais as pessoas vão para as fronteiras, porque com os salários no Luxemburgo é quase impossível morar no país. Os preços estão exorbitantes, mais o custo de vida… Já não vale a pena viver no Luxemburgo”, garantiu, afirmando haver casos de pessoas que venderam as casas para ir morar fora do país. 

“O ideal é viver à volta do Luxemburgo e não dentro. Os preços são uma aberração. Não dá para viver num país onde um apartamento custa quase um milhão de euros. É um país para os ricos”, lamentou.

Resistir dentro do país

Ainda assim, há pessoas que vão resistindo e procuram alternativas mais baratas dentro do Luxemburgo. O que levanta a questão: quais são os melhores lugares para viver no Luxemburgo? “Eu diria que depende das preferências, restrições de mobilidade e orçamento. A qualidade de vida é boa em todo o país, mas as atrações são diferentes”, respondeu Julien Licheron. 

“Os preços da habitação são multiplicados por 2,5 se compararmos as comunas mais caras (Cidade do Luxemburgo, Bertrange e Strassen) com as comunas mais baratas do oeste e norte do país”, acrescentou.

Assim, “para as famílias com menos restrições de mobilidade (especialmente quando a população cativa não trabalha no centro da cidade do Luxemburgo), decidir então mudar-se para um centro secundário – o sul do país, ou perto de cidades como Mersch, Diekirch, Ettelbrück – pode ser uma escolha interessante”, analisou o investigador do Liser.

Foi isso que fez Fernando Gomes, que desde que chegou ao Luxemburgo há cinco anos já mudou de alojamento três vezes. Começou por arrendar quartos, com poucas condições, chegou a viver na capital, mas acabou por fugir do centro para finalmente encontrar um apartamento só para si.

Gostava de viver no centro, porque temos tudo perto, mas não há condições para viver.

Fernando Gomes

O português de 46 anos chegou ao Grão-Ducado em novembro de 2016, vindo de Braga, para trabalhar como empregado de mesa. Trabalhava num restaurante em Lintgen e recebia o ordenado mínimo, que na altura era de 1900 euros. Instalou-se num dos cinco quartos de uma casa de dois andares, por cima dos cafés. “Fiquei lá cerca de um ano e pouco, mas não tinha condições nenhumas. Depois fui para um restaurante em Olm, uma vila na comuna de Kehlen, e vivia num quarto que o dono me arranjou”, recordou.

Mais tarde, Fernando foi viver para a capital, na zona da Gare. Voltou a alugar um quarto numa casa partilhada. Eram seis quartos no total, “mas havia mais pessoas”. E só com uma casa de banho. “Tínhamos dez minutos para tomar banho, porque depois desligavam a água quente”, contou. 


Vídeo. Como construir uma casa no Luxemburgo
Casal que construiu a própria casa no Luxemburgo revela como ergueu o novo lar com madeira e palha e deixa alguns conselhos sobre a autoconstrução.

Pagava 600 euros, já com despesas. “Foi sempre a média que eu paguei por um quarto”. Mas Fernando cansou-se dessa vida e quis mudar-se para um apartamento. Fora da capital. “Eu gostava de viver no centro, porque temos tudo perto, mas não há condições para viver. Saí de lá porque não encontrei nada com condições por um bom preço, um estúdio custava mais de 1000 ou 1200 euros”, lamentou.

Há cerca de um ano, o emigrante conseguiu encontrar um estúdio mobilado em Junglinster, através de uma agência imobiliária, com uma renda de 800 euros, despesas incluídas. Um bom negócio se comparado com os valores de um apartamento semelhante na Cidade do Luxemburgo.

“Mudei-me porque tenho melhores condições e o bem-estar é muito importante. Na capital vi um estúdio a 1000 euros que não tinha condições, tinha humidade e cheirava a mofo. Uma pessoa tem que encontrar algo para ter conforto. Olhando aos preços da capital, o que pago é um preço justo. Não estou mal”, admitiu.

Fernando considera que é cada vez mais difícil encontrar uma casa no Luxemburgo que tenha boas condições de habitação a um bom preço. Segundo um relatório que o Observatório da Habitação divulgou no fim do ano passado, a taxa de esforço (percentagem de orçamento que uma pessoa dispensa para a habitação) dos residentes que alugam uma casa é superior a 40%, sobretudo nas classes mais baixas.


Residentes com casa própria no Luxemburgo são menos do que a média europeia
No Grão-Ducado 68,4% da população é proprietária da habitação onde vive, um valor abaixo da média comunitária, mas muito acima do da Alemanha, o país da UE onde apenas metade da população é dona da sua casa.

Mas, para o bracarense, o mais importante é ter qualidade de vida. “Se arranjar uma casa melhor a pagar mais 100 euros, não me importo, mesmo se for mais longe. Temos a sorte de os transportes públicos serem gratuitos, a cada 10 minutos passa um autocarro para a capital”, notou.

Ainda segundo o estudo do Observatório, nas classes mais baixas, os inquilinos têm em média um rendimento mensal de 2777 euros, para rendas que são em média de 1300 euros. Os proprietários com empréstimos ao banco dispõem de um rendimento de 3281 euros.

Entre os residentes com rendimentos mensais mais elevados, os inquilinos possuem um rendimento médio de 9962 euros e quem paga empréstimo de casa ao banco tem em média um rendimento de 11.018 euros. Assim, os inquilinos com rendimentos mais baixos estão cada vez mais pobres devido ao custo da renda, que representa uma grande percentagem do orçamento mensal, aponta o relatório.

O lado das agências

De acordo com um relatório da Fundação Idea divulgado esta semana, o Luxemburgo está atualmente a atravessar “uma grave crise habitacional que corre o risco de conduzir a uma grave crise social”. No mesmo documento, é possível ver um gráfico com dados do Statec que revela que o preço médio do metro quadrado no Luxemburgo era 7564 euros em 2020.

Dez anos antes estava nos 4011 euros e há 20 anos era apenas 1790 euros. A Idea apresenta uma série de propostas para uma renovação da política de habitação do Grão-Ducado, que “deveria ser a de reduzir os custos de acesso a uma habitação decente para aqueles que estão verdadeiramente limitados financeiramente”.

E como é que as agências imobiliárias estão a lidar com esta situação? A verdade é que a crise da pandemia “impulsionou a procura imobiliária”, revelou Fatiha Hammouali, diretora-executiva da agência The Open Hous. “Num mercado que já não era fácil para os compradores, e também para os inquilinos, tornou-se ainda mais difícil com esta crise, sobretudo com a introdução do teletrabalho nas nossas casas”, explicou, referindo que “muitas pessoas se queixam dos preços, mas a verdade é que continua a haver uma grande procura e uma baixa oferta de bens imóveis, tanto para venda como para aluguer”.

Em Esch-Sur-Alzette ou Dudelange ainda é possível encontrar um aluguer de 70m2 por 1200 euros.

Fatiha Hammouali, agência Open House

Para Fatiha, uma das soluções para encontrar alojamento a um preço acessível passa por se afastar do centro, “especialmente porque o Luxemburgo é o único país do mundo com transportes públicos gratuitos”.

Quais são então os melhores lugares para viver? “Municípios como Esch-Sur-Alzette, Dudelange, onde ainda é possível encontrar um aluguer de 70m2 por 1200 euros, excluindo encargos, ou tornar-se proprietário de uma casa por menos de 900 mil euros, ou mesmo perto de Bettembourg. Há uma procura crescente na região do Mosela, que também continua a ser uma alternativa ambiental e económica”, apontou.

A fundadora da Open Hous reconhece que “ficar perto do trabalho continua a ser um privilégio e ser residente no Luxemburgo proporciona outros benefícios fiscais e sociais”, mas a verdade é que muitas pessoas estão a optar pelos países fronteiriços.

Agora as agências imobiliárias trabalham de ambos os lados da fronteira. No entanto, nota Fatiha, “os preços também aumentaram entre 4 e 11% nas vendas em França, e mais de 21% na província belga do Luxemburgo”. Contudo, “esta tendência é ainda controlável graças ao compromisso de querer viver no Luxemburgo”, assegurou.


Tem uma casa grande? Pode receber 10 mil euros se fizer uma outra casa na sua propriedade
Chama-se "prémio para habitação integrada" e visa atrair os proprietários para que construam uma habitação suplementar dentro do seu terreno ou casa ampla, para os familiares diretos ou para alugar. A proposta é do ministro da Habitação.

Outra das consequências dos elevados preços no Luxemburgo tem a ver com o facto de que “cada vez mais pessoas estão a recorrer à partilha de apartamentos ou à partilha de quartos mobilados, porque se trata de uma solução temporária, de curto prazo, que ainda é acessível”, acrescentou a diretora da agência.

A verdade é que encontrar o melhor lugar para viver no Luxemburgo pode significar muitas vezes ter de ficar mais longe do trabalho ou da capital, mas é importante ter em conta a diferença de valores. “Aconselhamos os clientes a permanecerem flexíveis no que diz respeito à localização, uma vez que este é de facto um dos critérios que determina o preço tanto na localização como na aquisição”, concluiu Fatiha.

Já para Julien Licheron, do Liser, o conselho que dá às pessoas que procuram alojamento é que se “informem sobre o mercado imobiliário no Luxemburgo e tirar alguns dias para pensar no seu projeto imobiliário”, fazendo um exercício de autorreflexão. “Posso dar-me ao luxo de comprar no Luxemburgo? Em caso afirmativo, qual seria o meu orçamento máximo? Se não, qual seria a renda máxima que eu poderia financiar? Quais são as limitações da minha localização (tempo de viagem para o trabalho, escolaridade das crianças, etc.)? Quais são os critérios essenciais para a escolha do alojamento (número de quartos, presença ou ausência de um jardim, etc.) e quais são os critérios menos decisivos?”


Nova legislação para apoios à habitação. O que vai mudar?
As principais alterações à lei da habitação foram ontem apresentadas pelo ministro Henro Cox e passam por mudanças na criação de habitação acessível e nos subsídios individuais.

O investigador do Liser considera que é importante que a pessoa faça estas perguntas “antes de iniciar o projeto imobiliário, porque depois tem por vezes de tomar uma decisão e decidir rapidamente sobre um imóvel”. 

Além disso, recorda Licheron, existem também alternativas ao mercado de habitação tradicional, como a habitação social de arrendamento dos municípios, o Fundo de Habitação e a Société Nationale des Habitations à Bon Marché. “Estes atores públicos também fornecem habitação de baixo custo, sujeita a condições de rendimento, para a propriedade da casa. Não deve hesitar em perguntar a estes atores, mas também ao serviço de subsídios à habitação, para saber a que subsídios tem direito”, sugeriu.

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