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Nas obras da construção civil ninguém quer deixar entrar o vírus
Luxemburgo 3 min. 14.05.2020 Do nosso arquivo online

Nas obras da construção civil ninguém quer deixar entrar o vírus

Nas obras da construção civil ninguém quer deixar entrar o vírus

Foto: AC
Luxemburgo 3 min. 14.05.2020 Do nosso arquivo online

Nas obras da construção civil ninguém quer deixar entrar o vírus

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Regresso ao trabalho correu dentro do previsto e até agora não foi registada qualquer infeção.

Pouco passava das oito da manhã e o ecoar dos martelos a bater nas plataformas que sustentam os muros das casas em construção em Alzingen testemunha o vigor com que os operários da Stugalux, empresa sediada em Strassen, trabalham desde o dia 20 de abril, data que marcou o regresso à atividade por parte das empresas da construção civil.

Após a interrupção de seis semanas devido à crise sanitária, o importante setor da economia luxemburguesa já labora de acordo com as [apertadas] regras exigidas pelo Ministério do Trabalho.

“Depois de o Governo ter emitido as diretrizes e condições de segurança a adotar, foi uma corrida contra o tempo para nos podermos organizar convenientemente” recorda Tiago Lopes, diretor técnico da empresa. “Fizemos formações em vários pontos do país, em turnos diferentes, com diversos grupos para evitar aglomerados, tudo em conformidade com as regras. Desde o primeiro dia em que regressámos à nossa atividade temos em cada obra responsáveis pela normas indispensáveis à segurança do pessoal.”

“Deixamos em casa pessoas que pertencem a grupos de risco, manifestem temperaturas mais altas, diarreia ou outras perturbações sintomáticas do vírus para evitar riscos. Nestes dias, um empregado que estava a trabalhar sozinho numa obra acusou sintomas e tivemos de o levar para casa. A obra esteve fechada dois dias, foi devidamente desinfetada e desde então nunca mais constatámos nenhum caso ou anormalidade”, assegura Tiago.


Operário viveu com a mulher infetada durante oito dias e não foi contaminado
A aventura de um trabalhador português e da sua família.

Jorge Santos, também ele técnico e responsável pelos trabalhos em vários estaleiros, frequentou os cursos de formação sobre segurança sanitária promovidos pela empresa e explicou ao Contacto como decorrem os procedimentos diários antes de começarem os trabalhos.

“Usar máscaras, luvas e medir a temperatura são algumas das obrigações que todos devem cumprir antes de iniciar o trabalho. Manter as distâncias é fundamental e, se utilizarem ferramentas que tenham sido usadas por companheiros, terão de ser desinfetadas para evitar eventuais contágios”, precisa.

“No final do dia, os responsáveis preenchem um formulário sobre as incidências ao longo da jornada e em caso de algum trabalhador ter sintomas anómalos, existe um kit de segurança com fatos de plástico, máscaras e viseiras a ser utilizado por um responsável do estaleiro que deverá levar o trabalhador a casa para efetuar o teste.”

Armindo Ferreira trabalha há 18 anos na empresa e é chefe de equipa e garante que os trabalhadores estão a dar o máximo e querem ver a situação ultrapassada o mais rapidamente possível.

“Toda a gente está motivada para dar o seu melhor e tentar recuperar o que já se perdeu. Nunca esperei passar por uma situação destas, foi mau para toda a gente, mas agora só nos resta trabalhar e esperar que a situação melhore rapidamente.”

“Até agora, foram levados cinco homens a casa, mas nenhum dos casos deu positivo. O trabalho tem corrido bem, a motivação é grande e até se nota que os homens estão contentes por terem regressado ao trabalho”, conclui.

O dinheiro gasto com o material utilizado nas medidas de segurança representa uma despesa de centenas de milhares de euros que se vieram adicionar às perdas inerentes ao período em que as empresas estiveram fechadas.

Tiago Lopes sublinha que “as semanas de paragem devido à pandemia significam uma perda enorme. Este ano, a coisa está complicada, porque não se pode recuperar o que perdemos de um momento para o outro. Acredito que durante o resto do ano a situação seja similar. Vamos continuar a trabalhar da melhor forma possível, nunca descurando a segurança, para tentar atenuar ao máximo as perdas e esperar que tudo se recomponha o mais rapidamente possível.”

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