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Nas creches não é proibido falar português, mas no secundário há outras regras
Luxemburgo 3 min. 04.11.2014 Do nosso arquivo online
Ministro da Educação, Claude Meisch, ao CONTACTO

Nas creches não é proibido falar português, mas no secundário há outras regras

Há quinze dias, Passos Coelho, Claude Meisch e Nuno Crato estiveram em Esch-sur-Alzette, a visitar a escola do Brill. A história da proibição de falar português nas escolas luxemburguesas ainda não tinha vindo a público. Durante o passado fim-de-semana Lisboa pediu explicações ao Luxemburgo sobre a notícia divulgada pelo CONTACTO
Ministro da Educação, Claude Meisch, ao CONTACTO

Nas creches não é proibido falar português, mas no secundário há outras regras

Há quinze dias, Passos Coelho, Claude Meisch e Nuno Crato estiveram em Esch-sur-Alzette, a visitar a escola do Brill. A história da proibição de falar português nas escolas luxemburguesas ainda não tinha vindo a público. Durante o passado fim-de-semana Lisboa pediu explicações ao Luxemburgo sobre a notícia divulgada pelo CONTACTO
Foto: Tania Bettega
Luxemburgo 3 min. 04.11.2014 Do nosso arquivo online
Ministro da Educação, Claude Meisch, ao CONTACTO

Nas creches não é proibido falar português, mas no secundário há outras regras

O ministro da Educação do Luxemburgo garante que não tem conhecimento de casos de meninos castigados por falarem português numa creche de Esch/Alzette.

O ministro da Educação do Luxemburgo garante que não tem conhecimento de casos de meninos castigados por falarem português numa creche de Esch/Alzette.

“Eu nunca ouvi falar de castigos nas creches. Aliás, não estão previstas sanções disciplinares para as crianças que frequentam este tipo de estabelecimento. Nos jardins de infância queremos que o pessoal da instituição fale luxemburguês com as crianças, para que elas se familiarizem com a língua, mas nós pensamos que a língua materna também tem um lugar nas creches, e não há nenhuma ordem dada pelo Ministério que diga que é proibido falar português”, diz Claude Meisch ao CONTACTO.

E explica: “Queremos favorecer o luxemburguês, mas há excepções: quando uma criança não fala luxemburguês e se magoa, ou tem um pequeno problema, nesse caso é evidente que o pessoal está autorizado a falar português, mas de maneira geral é o luxemburguês que deve dominar”, diz o ministro.

O ministro da Educação do Luxemburgo anunciou em Julho a intenção de criar creches e “maisons-relais” bilingues, em francês e luxemburguês, que seriam gratuitas. O objectivo, disse na altura Claude Meisch ao l’Essentiel, é evitar que “as crianças de origem portuguesa, francesa ou servo-croata frequentem creches privadas onde o pessoal só fala francês”, de modo a aprenderem também luxemburguês, um dialecto frâncico-moselano reconhecido como idioma oficial do país em 1984.

No Luxemburgo, as regras nas creches são diferentes das regras na ensino fundamental (primária) ou na escola secundária. Nos estabelecimentos de ensino do Luxemburgo, diz Meisch, “os alunos têm de respeitar as línguas veiculares do país: o alemão, o francês ou o luxemburguês, dependendo da disciplina em que o aluno está. O professor tem a obrigação de garantir o cumprimento desta regra”, diz Meisch ao CONTACTO.

Quanto ao caso, também denunciado pelo CONTACTO, de um director de uma turma de um liceu que proibiu os alunos de falar português nas aulas, e que teve a aprovação da ministra da Família, Meisch diz que não conhece o caso, mas defende Corinne Cahen.

“A ministra da Família, no post que publicou no Facebook, não defende o castigo dado ao aluno, mas a decisão do professor, que seguiu o princípio, segundo o qual, numa classe de 7° ano não se pode falar português. E neste caso, estas são normas ditadas pelo ministério que devem ser cumpridas, custe o que custar”, diz Meisch.

O caso dos castigos infligidos aos alunos que falem português nos estabelecimentos de ensino do Luxemburgo chegou a Lisboa, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, através da Embaixada de Portugal no Luxemburgo, pediu esclarecimentos ao ministério de Claude Meisch. As conversas entre a Embaixada e o ministério luxemburguês foram confirmadas ao CONTACTO pelo próprio ministro da Educação do Luxemburgo.

Em Lisboa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garantia, num post publicado no Facebook, que tinha diligenciado “junto do Ministério da Educação do Luxemburgo, no sentido de esclarecer a existência de normas que pretensamente proibissem a utilização da língua portuguesa nas creches e escolas daquele país”. Feita a diligência, concluiu “que tal não é verdade, pelo que deverá ser concretamente denunciada qualquer irregularidade cometida num estabelecimento de ensino local”, diz Cesário. 

Domingos Martins


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