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Nacionalidade é o primeiro fator de discriminação no Grão-Ducado
Luxemburgo 2 min. 01.12.2020

Nacionalidade é o primeiro fator de discriminação no Grão-Ducado

O Tribunal Europeu de Justiça tem assento no Luxemburgo.

Nacionalidade é o primeiro fator de discriminação no Grão-Ducado

O Tribunal Europeu de Justiça tem assento no Luxemburgo.
Foto: António Pires
Luxemburgo 2 min. 01.12.2020

Nacionalidade é o primeiro fator de discriminação no Grão-Ducado

De acordo com o último inquérito do Observatório da Discriminação, 20% dos residentes no Luxemburgo confessam já se terem sentido alvo de discriminação. Destes, 46% garantem que a nacionalidade foi um fator determinante.

A nacionalidade é o primeiro fator dos comportamentos discriminatórios no Luxemburgo. A conclusão foi divulgada juntamente com os resultados do último inquérito do Observatório da Discriminação, realizado pelo TNS Ilres para o Centro para a Igualdade de Tratamento.

De acordo com os dados recolhidos, 20% dos residentes confessam já terem sido alvos de algum tipo de discriminação. Destes, a grande maioria - 46% - apontou a nacionalidade como fator determinante. Num retrato mais alargado dos tipos de atitudes discriminatórias, o inquérito mostra que depois do país de origem, o sexo continua a ser motivo de segregação. 

Dentro da diversidade dos inquiridos, 28% diz que já foi discriminado por ser homem ou mulher, 22% devido às suas competências linguísticas, 22% devido à sua aparência física e 19% devido à sua idade. O fosso salarial entre homens e mulheres é apontado como exemplo, com 54% dos inquiridos a acreditar que não se trata de uma discriminação "muito grave".

Discriminação há muita 

Do geral, à prática, o inquérito sublinha que o racismo continua a ser evidente nas questões mais básicas do dia-a-dia de qualquer ser humano. 

Os inquiridos aprofundam as questões mais gerais e dão exemplos práticos da discriminação de que já foram alvo no Grão-Ducado. Muitos falaram na primeira pessoa para descrever o tipo de situações a que já se viram sujeitos no país que abriga instituições europeias. 

Consideram particularmente grave impedir uma pessoa negra de entrar numa discoteca, não conceder uma viagem a um casal homossexual, recusar alugar um apartamento a uma família muçulmana, assim como a falta de acessos próprios a grande maioria dos edifícios para pessoas com deficiência. 

Um quarto não reage 

Cerca de 50% das vítimas deste comportamento tendem a desabafar com a família, como mostra esta quarta edição do inquérito do Observatório da Discriminação luxemburguês. 

Agir já é outro assunto. Apesas 10% dos inquiridos apresentaram queixa depois de ver a sua dignidade abalada. Mais de um quarto, 27%, não fez absolutamente nada. Uma reação explicada pela percentagem de pessoas que acredita que procurar as autoridades competentes não mudaria nada. 

Trauma 

Apesar de grande parte das vítimas preferirem ficar em silêncio, a discriminação pode deixar marcar profundas e alojar-se na memória durante muitos anos. Neste sentido, 79% dos inquiridos revelaram que ainda sofrem com a experiência e 35% dizem-se mais desconfiados ou até retraídos. 

Os dois terços que faltam para completar o bolo sentem-se pouco apreciados e lidam com sentimentos de amargura e frustração. Cerca de 19% nunca mais se libertou do medo. 

São mais os que ajudam 

De acordo com os dados revelados no primeiro dia de dezembro, 27% dos residentes já testemunharam algum tipo de discriminação. Destes, 57% ajudaram a vítima e apenas 10% não fizeram nada, enquanto em 2015, como recorda o L'Essentiel, apenas 14% disseram que tinham ajudado a vítima e 40% sentiram que não tinham feito nada. 

"Há, portanto, uma evolução positiva na vontade de apoiar as vítimas e uma diminuição na aceitação de actos discriminatórios", o Centro para a Igualdade de Tratamento congratulou-se. 

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