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“Não somos favoritos, mas somos um sério candidato no Campeonato do Mundo”
 Paulo Vizeu Pinheiro, embaixador de Portugal em Moscovo

“Não somos favoritos, mas somos um sério candidato no Campeonato do Mundo”

Foto: Embaixada de Portugal em Moscovo
Paulo Vizeu Pinheiro, embaixador de Portugal em Moscovo
Luxemburgo 4 min. 14.06.2018

“Não somos favoritos, mas somos um sério candidato no Campeonato do Mundo”

Paulo Vizeu Pinheiro, embaixador de Portugal em Moscovo fala sobre as condições que a seleção vai encontrar, mostra-se entusiasmado com a presença na fase final do Mundial e salienta que a imagem do país na Rússia é “amigável, acolhedora e moderna”.

O embaixador de Portugal na Rússia, Paulo Vizeu Pinheiro, está bem informado sobre a forma como evoluíram as condições em solo russo para acolher o Mundial. Regressou a Moscovo em 2017 após 15 anos de ausência em que a sua carreira se repartiu por diversos postos: trabalho com Durão Barroso no seu percurso entre os cargos de ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro e ainda líder da Comissão Europeia. Paulo Vizeu Pinheiro começou por ser vice-diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa Militar (SIEDM, atual SIED desde 2004) e, mais tarde, até 2005, desempenhou funções como diretor interino da entidade. Diretor-geral de Política de Defesa Nacional no respetivo ministério (2006/09), tornou-se assessor diplomático de Passos Coelho (2011/13). A partir de fevereiro de 2013 assumiu o cargo de embaixador português junto da delegação permanente na OCDE, função que deixou para voltar a Moscovo em setembro do ano passado. Em entrevista por e-mail, manifesta confiança num bom desempenho da seleção e refere que “o relacionamento entre Portugal e Rússia é, no geral, bastante positivo”.

A Rússia está preparada para acolher esta edição do Mundial?

Sim. De acordo com a FIFA, bem como com a informação divulgada por várias fontes, os critérios internacionais para este tipo de eventos estão a ser cumpridos e a avaliação geral é bastante positiva.

Tem visto Vladimir Putin e as autoridades russas muito empenhadas?

As autoridades da Rússia e o seu presidente estão naturalmente muito empenhados em que o Campeonato do Mundo de Futebol decorra do melhor modo possível. Foi uma aposta nacional de longo prazo e concentra os olhares do Mundo em apenas cerca de um mês. Trata-se da nova imagem que a Rússia pretende dar de si própria aos russos e passar ao resto do Mundo.

Quais foram as principais dificuldades ao longo do processo de adequação das infraestruturas?

Foi um processo longo que, como é normal, necessitou do empenho das autoridades centrais (Federação) e das regiões. Houve a habitual adequação e melhoria de infraestruturas onde tal foi possível e, noutros casos, houve a construção de raiz de novas infraestruturas, designadamente aeroportos e melhoria de redes de transportes. Trata-se de enorme investimento em desenvolvimento nacional nos setores complementares de diversas atividades.

Como está a comunidade portuguesa a preparar-se para acolher e seguir a seleção?

A comunidade portuguesa na Rússia deverá rondar as 700 pessoas. É natural que, conjuntamente com os adeptos portugueses que se deslocarão à Rússia, acompanhem e apoiem a nossa seleção nacional, tal como aconteceu em 2017 aqui na Rússia na Taça das Confederações.

Que expetativas existem quanto à participação da seleção na competição?

As expetativas de participação da seleção portuguesa na competição são elevadas, apesar das contingências que a participação numa prova deste tipo sempre constitui. Será útil termos presente que, entre outros atributos, somos campeões da Europa em título, dispomos do melhor jogador do Mundo, temos um dos melhores treinadores do Mundo e de uma equipa organizada, talentosa e com vontade de vencer. Se não somos o país favorito, somos pelo menos um sério candidato, como diz o nosso selecionador.

Tem alguma experiência de assistir a jogos da seleção no estrangeiro?

Sim. Era embaixador de Portugal junto da OCDE em Paris quando Portugal se sagrou campeão europeu e pude assistir em França a vários jogos da seleção nacional. Recentemente, tive muito orgulho em assistir e apoiar a nossa seleção nacional de veteranos que alcançou um honroso 2.º lugar na ’Legends Cup’. Tratou-se de uma competição internacional disputada na cidade de Moscovo, em fevereiro de 2018, perdendo apenas na final, num torneio de alto nível em que participaram, entre outras, as seleções nacionais da Alemanha, França, Itália, Rússia e Portugal.

Consegue enumerar uma lista de equipas que considere favoritas à conquista do título?

Como português que sou e tendo em conta a inquestionável qualidade e valia da nossa seleção nacional, que é a campeã da Europa em título, considero-a uma das favoritas. Depois há o grupo habitual dos “candidatos naturais”: Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha.

Alguma coisa mudou depois da recente polémica a propósito das acusações de envolvimento russo no caso Skripal?

Em relação ao Campeonato do Mundo parece-me que se mantém a dinâmica global própria dum grande evento à escala mundial deste género, bem como o grande entusiasmo do público em geral e dos adeptos do futebol em particular. A comprová-lo está o grande número de bilhetes vendidos que, ao que consta, não conheceu quebras nem desistências.

Como é o relacionamento entre Portugal e a Rússia?

O relacionamento entre Portugal e a Rússia é, no geral, bastante positivo. Temos avançado nos planos institucional de diálogo político, económico, comercial, cultural, bem como no setor do turismo. Podemos afirmar que Portugal é hoje um dos destinos turísticos preferidos dos russos na Europa e que há também cada vez mais portugueses a visitar a Rússia. Ainda há bastante potencial e margem de progresso de ambas as partes, designadamente na vertente cultural.

Que imagem tem Portugal na Rússia?

Portugal tem na Rússia a imagem de um país amigável, acolhedor, moderno, com um interessante património cultural e natural, com clima ameno, boas infraestruturas e que gosta de receber bem e tratar muito bem os estrangeiros.

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