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“Não se pode ter a ilusão que com a vacina ficará tudo bem”
Luxemburgo 6 min. 07.01.2021 Do nosso arquivo online

“Não se pode ter a ilusão que com a vacina ficará tudo bem”

“Não se pode ter a ilusão que com a vacina ficará tudo bem”

Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 6 min. 07.01.2021 Do nosso arquivo online

“Não se pode ter a ilusão que com a vacina ficará tudo bem”

Sandro CABETE DOS SANTOS
Sandro CABETE DOS SANTOS
O Luxemburgo recebeu o seu primeiro lote de vacinas ‘anti-covid’ e prevê vacinar cerca de 36 mil pessoas até ao final do mês de março de 2021. Mas “os meses de inverno, mais difíceis, ainda aí vêm”, alerta em entrevista a ministra da Saúde, Paulette Lenert.

A campanha de vacinação ‘anti-covid’ iniciada no Luxemburgo na semana passada é uma “luz ao fundo do túnel”. A pandemia pode ser travada até ao verão, mas só se as pessoas entenderem a importância da vacinação e se até lá cumprirem as regras sanitárias.

A ministra da Saúde, Paulette Lenert, alerta que “o que não podemos fazer agora é baixar a guarda, porque esperam-nos meses difíceis em que poderá haver um recrudescimento do vírus”, numa entrevista à Rádio Latina,

Esta primeira fase de vacinação, que arrancou a 28 de dezembro, abrange pessoal médicos e pessoal que presta cuidados nos lares de idosos. Foi difícil tomar a decisão de quem deveria ser vacinado em primeiro lugar? Outros países, por exemplo, decidiram vacinar, em primeiro lugar, as pessoas mais vulneráveis, como os mais idosos. Porque é que não optaram por vacinar este grupo de risco, em primeiro lugar?

Sim. Não foi uma decisão fácil. Por isso recorremos ao Comité de Ética para nos aconselhar sobre essa questão tão delicada. A decisão foi tomada por razões de dupla proteção. Porque o pessoal médico e cuidador está exposto e por estar em contacto com pessoas doentes, e tem um contacto muito próximo e regular com pessoas muito frágeis, que estão nos hospitais e precisam de cuidados. Com esta prioridade pretendemos criar, verdadeiramente um cordão sanitário, um cordão de proteção, em volta dos mais vulneráveis. Procurámos ter um efeito máximo. Não há soluções milagrosas. Há diversas abordagens e o Luxemburgo adotou esta. É preciso dizer que na nossa primeira prioridade estão também os residentes dos lares de idosos que são considerados absolutamente prioritárias e brevemente serão contactados para participar na vacinação.

E as mulheres grávidas porque é que não são vacinadas no Luxemburgo. Quais são os riscos?

Não sou médica e não sei dar-lhe a resposta detalhada. Mas tenho confiança na Direção- Geral da Saúde onde existem peritos que analisaram essa questão. Estamos a seguir as diferentes recomendações relativamente às diferentes vacinas que temos. A primeira vacina que foi disponibilizada na Europa vem acompanhada de recomendações para a sua aplicação. Deste ponto de vista está nas mãos dos especialistas, os mais indicados para avaliar as indicações para administrar as vacinas. Não são decisões políticas, são decisões de especialistas.

Uma sondagem recente conclui que apenas 55% das pessoas pretendem vacinar-se no Luxemburgo. O que diria a essas pessoas que não pretendem vacinar-se?

É uma sondagem que não é muito recente. Estou convencida que já mudou, porque desenvolvemos diversas campanhas de informação. Porque é legítimo que as pessoas tenham muitas questões e o importante é responder a essas dúvidas. Posso assegurar às pessoas esse segurança, uma vez que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) tem os mesmos critérios de qualidade, quer se trate de um processo acelerado ou normal de admissão ao mercado.

A diferença é que, em relação a esta vacina, houve um reforço dos meios disponíveis para acelerar o processo: de recursos humanos e financeiros. Investimos muito dinheiro para fazer todos os estudos necessários e para acelerar o processo, sem que a qualidade fosse prejudicada.

Por isso criamos espaços, no nossa página online e no facebook, para prestar todas as informações e encorajamos todas as pessoas que têm duvidas a verem as informações que disponibilizamos. O mais importante é que as pessoas se sintam seguras.

Depois de ser vacinado deve continuar-se a usar máscara?

Esse é o maior desafio, visto que é uma nova vacina e não podemos ter a certeza dos efeitos a longo prazo. Mas as medidas e os gestos barreira devem ser continuados, mesmo durante esse processo de vacinação porque ainda vai demorar algum tempo.

Não se pode ter a ilusão que com a chegada da vacina ficará tudo bem. É o contrário, porque os meses mais difíceis ainda vêm aí, os meses de inverno, janeiro, fevereiro, março, porque essa é a grande época para o vírus. E nessa altura ainda não teremos um número suficiente de gente vacinada para fazer face a este vírus. Por isso é muito importante, durante o inverno, manter todos os nossos cuidados de proteção: usar a máscara, manter a distância de segurança. Vão ser ainda meses muito difíceis para todos.

O que mudou com a chegada da vacina é que temos uma luz ao fundo do túnel, o que nos dá otimismo. O que não podemos fazer agora é baixar a guarda, porque esperam-nos meses difíceis em que poderá haver um recrudescimento do vírus. Por isso é muito importante ficar em casa o mais possível, de ter em atenção as pessoas que estão em isolamento. Devemos renunciar a todos os contactos sociais a que poderemos renunciar. É um esforço que todos temos que fazer. Porque para o indivíduo o risco pode parecer mínimo, mas se não seguirmos as regras a 100%, teremos um grande risco para todos.

Depois do pessoal do setor da saúde e dos lares de idosos quem será vacinado em seguida. E os transfronteiriços também serão vacinados?

Depois de termos a informação do tipo de vacina que teremos em seguida – porque diferentes vacinas poderão implicar prioridades diferentes, tendo em conta as suas especificidades – vamos definir uam segunda fase. O Consellho de Ética será mais uma vez ouvido. Respondendo à sua questão, desde que se tratem de categorias profissionais não vamos distinguir os residentes dos não residentes. As pessoas que trabalhem num determinado setor serão todas vacinadas, tanto os transfronteiriços, como os residentes. Quando poderemos ter uma fase de vacinação em grande escala ou se a faremos por categorias, ainda é uma questão em aberto porque irá depender das quantidades disponíveis e do ’timing’ em que serão disponibilizadas.

Quando é que se espera que a campanha de vacinação em larga escala esteja terminada? Quando é que a maioria da população poderá estar vacinada ou a partir de quando poderemos falar da existência de uma imunidade de grupo?

Prefiro não avançar prognósticos. Existem ainda muitas incertezas. A primeira etapa de vacinação já está curso. O que desejo é que EMA não ceda a pressões e que levem o tempo que for necessário, para decidir em consciência a entrada no mercado das vacinas. Outro fator desconhecido são as quantidades que estarão disponíveis e quando serão disponibilizadas. Ainda há muitos fatores desconhecidos. E, por hábito, não faço especulações com tantos fatores incertos. Quando tivermos mais informação poderemos projetar a planificação. Esperemos que até ao verão teremos vacinado muitas pessoas, mas não tenho as informações necessárias para o poder garantir.

* Jornalista da Rádio Latina 

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