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Não é sobre comida. O cão também está convidado para o almoço
Luxemburgo 3 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

Não é sobre comida. O cão também está convidado para o almoço

Não é sobre comida. O cão também está convidado para o almoço

Foto: Lex Kleren
Luxemburgo 3 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

Não é sobre comida. O cão também está convidado para o almoço

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Quando Balou, um labrador de 11 anos, ficou doente, Claudia decidiu criar um espaço confortável para que o animal pudesse viver feliz. Desde então, os cães são os convidados de honra no Muppentrupp.
Sopa de riesling com um crouton em formato de cão.
Sopa de riesling com um crouton em formato de cão.
Foto: Lex Kleren

 Quando se pede um expresso no Muppentrupp, ele vem acompanhado com uma bolacha feita na casa. Tem o formato de um osso, e numa banca ali ao lado há-os bem maiores, para alimentar os canídeos. Os cappucinos, aqui, são decorados com a pegada de uma pata. Nas sopas e saladas, os crouttons têm a forma de um galgo. As paredes têm quadros e esculturas de dálmatas, buldogues, beagles. Isto podia ser um canil bastante simpático. Mas é um restaurante – e também um hotel.

Chama-se Muppentrupp, luxemburguês para “matilha de cachorros”. Abriu portas há três anos num antigo moinho a dois quilómetros da aldeia de Consdorf, numa região que é conhecida como “a pequena Suíça do Luxemburgo”. A proprietária é Claudia Knof, 50 anos, alemã de Trier e técnica de construção de edifícios. A sua paixão são os cães e ela tem três – um chihuahua chamado Lumpi e dois labradores, Donna e Balou. Este último tem estatuto de patriarca, é amigo de Claudia há quase década e meia. “Quando ele tinha 11 anos ficou muito doente e eu percebi que devia dedicar uma parte do meu tempo a criar as condições para que ele tivesse um final de vida feliz.”

Claudia tinha já os olhos apontados ao Luxemburgo. “Eu e o meu marido somos treinadores de cães e sabíamos que havia falta de oferta nesta região.” A ideia inicial era um grande terreno, onde os animais pudessem simultaneamente correr livres e aprender as regras de obediência. Puseram-se à procura e deram com algo na região de Mullerthal, coração do Parque Nacional e paraíso para as caminhadas a pé. Um antigo moinho, que já antes fora usado como hospedaria e restaurante, estava à venda.

A dois quilómetros de Consdorf, o Muppentrupp acolhe sobretudo trekkers e os seus animais de estimação.
A dois quilómetros de Consdorf, o Muppentrupp acolhe sobretudo trekkers e os seus animais de estimação.
Foto: Lex Kleren

Em pouco menos de um ano, os Knof transformaram um ermo num lugar temático. Hoje, o Muppentrupp é um hotel com cinco quartos, e cada um deles dedicado a uma raça de cães. A suite Dálmata tem quadros e almofadas às manchas pretas e brancas, stencils dos bichos, seis camas distribuídas por beliches. E, tal como em todas as outras habitações, há camas para os cães, que são convidados a passar a noite dentro de portas. Os outros aposentos chamam-se Chihuahua, Pastor Alemão, Galgo e Labrador. Neste último, Balou aparece em algumas das fotografias.

A história da amizade entre Claudia e o seu cão materializou-se também num restaurante com 40 lugares. Serve de cafetaria para milhares de trekkers que fazem os percursos do Mullerthal, sobretudo aqueles que se fazem acompanhar pelos animais de estimação. Os cães não só podem entrar como são bem-vindos. “E o mais extraordinário é que nunca tivemos nenhuma disputa territorial, ou uns a meterem-se com os outros.” É como se a casa de Balou fosse para eles todos – e os animais parecem compreendê-lo.

Não se pode falar do Muppentrupp sem se falar de Ramona Schier, a cozinheira da casa. Tem 45 anos, é alemã e chegou ao Luxemburgo há 20. “Aqui encontrei um lugar para dar vida às minhas duas maiores paixões”, explica ela, “os cães e a comida.” Tem quatro companheiros, e por vezes trá-los consigo. Mas isso só acontece nos dias de menor movimento. Aos fins de semana, na primavera, chega a preparar 200 refeições.

Um capuccino com a pegada de uma pata. E o respetivo biscoito.
Um capuccino com a pegada de uma pata. E o respetivo biscoito.
Foto: Lex Kleren

Há pratos vegetarianos, sim, mas também há sopas de carne, roullade de vitela com couve vermelha, bolos e maçãs assadas. Para todos a mulher parece encontrar uma forma de confecionar um elemento canídeo. Há um prato, no entanto, que é de lamber os dedos. A sopa de riesling, feita com cebolas, vinha da Moselle e natas, e decorada com um crumble em forma de cão. “Oh meu Deus”, diz a cozinheira, “sou tão feliz a fazer isto.”

Ramona vai servindo à mesa, e Claudia vai agora buscar os seus cães para lhe fazerem companhia durante o almoço. Lumpi salta-lhe imediatamente para o colo, Donna e Balou refastelam-se aos pés da dona com o ar mais pachorrento do mundo. O velho labrador abana a cauda, em sinal de felicidade. Bem vistas as coisas, a reforma de um cão permitiu a uma mulher erguer um sonho no meio da floresta. A casa de Balou é um templo para os homens e os bichos.