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Mudança na lei: Associação reclama escola para crianças com deficiência
Luxemburgo 3 min. 26.02.2016

Mudança na lei: Associação reclama escola para crianças com deficiência

A associação Schrëtt fir Schrëtt funciona como grupo escolar e espera que a lei seja mudada para passar a ser reconhecida como escola

Mudança na lei: Associação reclama escola para crianças com deficiência

A associação Schrëtt fir Schrëtt funciona como grupo escolar e espera que a lei seja mudada para passar a ser reconhecida como escola
Foto: Schrëtt fir Schrëtt
Luxemburgo 3 min. 26.02.2016

Mudança na lei: Associação reclama escola para crianças com deficiência

A associação Schrëtt fir Schrëtt (Passo a Passo) quer que o governo permita a criação de escolas privadas para crianças com deficiências e necessidades especiais. A reivindicação é feita numa petição que recolheu mais de seis mil assinaturas e deverá ser discutida em breve no Parlamento.

A associação Schrëtt fir Schrëtt (Passo a Passo) quer que o governo permita a criação de escolas privadas para crianças com deficiências e necessidades especiais. A reivindicação é feita numa petição que recolheu mais de seis mil assinaturas e deverá ser discutida em breve no Parlamento.

Actualmente as crianças com deficiência podem seguir a “escolaridade diferenciada” em casa ou em centros de educação e institutos. As escolas privadas não estão autorizadas a ter este tipo de ensino. Uma “lei discriminatória”, dizem os peticionários.

Laurence Borges, uma das peticionárias, tem um filho que não anda e não fala. O sistema de ensino condutivo, seguido em instituições privadas e que visa dar maior autonomia à criança através de um apoio mais individualizado, foi a resposta encontrada para a escolarização do filho, e com “resultados magníficos”.

“O meu filho não anda nem fala. Mas aprendeu a ler e a escrever através da pedagogia condutiva. A chave deste sistema é dar maior autonomia às crianças no seio familiar, e com um trabalho bem feito é possível obter resultados magníficos”, disse ao CONTACTO Laurence Borges, casada com um português, e que tem o filho na associação Schrëtt fir Schrëtt.

Com 3.870 assinaturas online e mais 3.000 assinaturas no papel, a petição já ultrapassou as 4.500 assinaturas obrigatórias (pode ser assinada até 7 de Março) para ser discutida em breve no Parlamento.

Se a lei for alterada, a associação Schrëtt fir Schrëtt, que funciona apenas como “agrupamento escolar”, poderá continuar a ajudar crianças e jovens com deficiência grave através da educação condutiva, mas enquanto escola.

O ensino condutivo visa dar mais autonomia à criança através de um apoio mais individualizado
O ensino condutivo visa dar mais autonomia à criança através de um apoio mais individualizado
Foto: Maurice Fick

O Luxemburgo conta actualmente com três centros de educação diferenciada e de instrução profissional (Clervaux, Walferdange e Warke), e outros sete centros regionais. Integram ainda a educação diferenciada, os centros de observação de Olm e de Pétange, o centro de integração de Cessange e diversos institutos, para cegos, autistas, entre outras doenças.

Mas segundo a associação Schrëtt fir Schrëtter, “as estruturas de educação diferenciada não permitem, na maioria dos casos, uma aprendizagem de acordo com o potencial da criança, gerando uma consequência contraprodutiva para a criança, pais e profissionais”.

As escolas primárias do país contam também com uma equipa de especialistas dedicada a estas crianças. Mas a escolarização dos mais pequenos no ensino fundamental é “irrealista”, sustentam os peticionários, alegando que as crianças “precisam de outro ritmo de aprendizagem, de outros estímulos e de outros cuidados”.

Quanto à alternativa da educação em casa, Laurence Borges diz que nem toda a gente tem condições para tal e que muitos pais preferem procurar escolas especiais do outro lado da fronteira, na Alemanha, onde há “cerca de 60 destas escolas, todas subvencionadas pelo Estado”.

"Na Alemanha há cerca de 60 escolas para estas crianças e são todas subvencionadas pelo Estado. Nós podemos ter aqui também escolas e turmas específicas para estas crianças", diz Laurence Borges, que espera que o Luxemburgo possa seguir este modelo, se “os políticos cumprirem a velha promessa de mudar a lei”.

O método de ensino condutivo, criado pelo médico húngaro András Petö (1893-1967), é utilizado em cerca de 250 instituições de 30 países. Esta pedagogia leva em consideração que quando uma área de desenvolvimento é trabalhada, as outras áreas podem também melhorar. O objectivo visa atingir um nível máximo de independência na vida quotidiana do indivíduo quer no seio familiar, escolar ou profissional.

Henrique de Burgo

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