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Monica Semedo quer reforçar cooperação com Cabo Verde
Luxemburgo 3 min. 12.06.2019

Monica Semedo quer reforçar cooperação com Cabo Verde

Monica Semedo quer reforçar cooperação com Cabo Verde

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 3 min. 12.06.2019

Monica Semedo quer reforçar cooperação com Cabo Verde

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
Não fala crioulo “dretu”, mas tem Cabo Verde no coração, garantiu a eurodeputada no primeiro encontro com um membro do Governo cabo-verdiano.

“N ka ta papia kriolu dretu” [não falo bem crioulo], mas tento, tenho uma boa pronúncia”, brincou Monica Semedo. Filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, a eurodeputada do DP esteve reunida no sábado com o ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares, Elísio Freire, na Embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo.

No final do encontro, a ex-apresentadora de televisão elogiou o arquipélago e prontificou-se a apoiar a cooperação europeia com o país. “Cabo Verde é um país exemplar. É um país muito especial, com muita diversidade, uma mistura de África e da Europa, que eu adoro. E como nasci no Luxemburgo, que é também um país de diversidade, adoro a ligação entre os dois países e quero reforçá-la”.


Sete meses depois de ter falhado a eleição nas legislativas do Luxemburgo, Monica Semedo conquista um lugar no Parlamento Europeu para o DP, o partido de Xavier Bettel.
Monica Semedo e Isabel Wiseler-Lima, as duas eurodeputadas lusófonas do Luxemburgo
Filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, Monica Semedo, que não conseguira ser eleita nas legislativas de outubro, conquista agora um assento no Parlamento Europeu, pelo DP. E bate mesmo a cabeça de lista do CSV, Isabel Wiseler-Lima, a outra eurodeputada do Grão-Ducado que fala português.

Monica Semedo disse ainda que gostaria de contribuir para a integração dos jovens cabo-verdianos no país. “Queremos fazer avançar a comunidade cabo-verdiana aqui no Luxemburgo e também os cabo-verdianos nas ilhas, sobretudo os jovens, para os ajudar a encontrar emprego e assegurar um futuro a esta sociedade”.

A eurodeputada, que trocou uma carreira como apresentadora e jornalista da RTL pela política, foi embaixadora da ONG Aldeias de Crianças SOS, e as visitas que fez a Cabo Verde marcaram-na. “A viagem que fiz, ainda como jornalista, em 2007, para visitar o projeto em Santiago e São Vicente, abriu-me os olhos. Às vezes penso no que seria se a minha família tivesse ficado em Cabo Verde, não sei qual teria sido a nossa situação, mas se fosse o caso, gostaria de ter tido o mesmo apoio”, contou, frisando que o país também beneficia da cooperação luxemburguesa.


Mónica Semedo é candidata do DP às eleições europeias. Na rue de Rollingergrund, um cartaz com a sua imagem tem por baixo o slogan do ADR "Keng illegal Immigratioun" ("não à imigração ilegal").
Cartaz contra "imigração ilegal" junto a foto de Mónica Semedo causa polémica
O slogan do ADR surge junto ao cartaz da candidata do DP às europeias, de origem cabo-verdiana. Coincidência ou mensagem xenófoba?

A mãe de Monica Semedo, chegada ao Luxemburgo no início dos anos 70, esteve com ela na sede do partido liberal (DP) na noite das eleições europeias, e se ficou orgulhosa com a vitória da filha, a eurodeputada garante que é recíproco. “Eu estou ainda mais orgulhosa da minha mãe, porque ela conseguiu criar cinco crianças sozinha, após a morte do meu pai”, quando tinha nove anos, disse Monica Semedo. “Apesar de a vida como empregada de limpeza ser muito dura, com cinco filhos, ela nunca disse ’não aguento mais’, disse sempre ’ok, é preciso continuar’, e trabalhou noite e dia. A minha mãe é o meu ídolo”, afirmou. A eleição foi motivo de “muito orgulho” para Cabo Verde, disse o ministro Elísio Freire, considerando que é “um símbolo da verdadeira integração dos cabo-verdianos no Luxemburgo mas também na Europa”.

Eu estou ainda mais orgulhosa da minha mãe, porque ela conseguiu criar cinco crianças sozinha, após a morte do meu pai. 

“Temos uma parceria especial com a União Europeia, e termos uma eurodeputada com origem em Cabo Verde dá naturalmente mais força a essa parceria”, afirmou. O ministro elogiou ainda o Grão-Ducado, “um país aberto e tolerante”, considerando que “tem sido um grande parceiro” e que “é um país especial para Cabo Verde”. “Há um programa muito forte com o Luxemburgo na área da formação profissional, da educação e do desenvolvimento local, que nós queremos reforçar”, explicou.

Monica Semedo nasceu no Grão-Ducado em 1984, filha de imigrantes cabo-verdianos de Santa Catarina. A mais nova de cinco irmãs, participou num concurso de escolas com três anos, gravando um disco, e começou a apresentar um programa infantil no canal de televisão RTL com 12 anos.


Monica Semedo. O gosto de fazer
A primeira mini vedeta da televisão do Luxemburgo abandona uma carreira de 22 anos na televisão para se candidatar nas listas do DP. Conheça a vida de Monica Semedo.

Com dois anos, ela e as irmãs foram colocadas num lar para crianças, onde acabariam por ficar durante cinco anos, por razões familiares de que prefere não falar. “O importante é que a minha mãe lutou por nós e conseguiu criar-nos sozinha, e é por isso que a admiro”, disse Monica Semedo. O pai, professor em Cabo Verde, trabalhou nas obras no Luxemburgo e morreu num acidente de viação quando Monica Semedo tinha nove anos.

Licenciada em Ciências Políticas pela Universidade de Trier, na Alemanha, foi a segunda eurodeputada eleita pelo DP, o partido do primeiro-ministro Xavier Bettel. 

Com Lusa


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