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Monica Semedo e Isabel Wiseler-Lima, as duas eurodeputadas lusófonas do Luxemburgo
Sete meses depois de ter falhado a eleição nas legislativas do Luxemburgo, Monica Semedo conquista um lugar no Parlamento Europeu para o DP, o partido de Xavier Bettel.

Monica Semedo e Isabel Wiseler-Lima, as duas eurodeputadas lusófonas do Luxemburgo

Foto: Lex Kleren
Sete meses depois de ter falhado a eleição nas legislativas do Luxemburgo, Monica Semedo conquista um lugar no Parlamento Europeu para o DP, o partido de Xavier Bettel.
Luxemburgo 3 min. 26.05.2019

Monica Semedo e Isabel Wiseler-Lima, as duas eurodeputadas lusófonas do Luxemburgo

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
Filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, Monica Semedo, que não conseguira ser eleita nas legislativas de outubro, conquista agora um assento no Parlamento Europeu, pelo DP. E bate mesmo a cabeça de lista do CSV, Isabel Wiseler-Lima, a outra eurodeputada do Grão-Ducado que fala português.

Uma é o rosto da vitória, outra encaixou uma derrota eleitoral. A noite foi de festa para Monica Semedo, do DP. Filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, a antiga apresentadora da RTL, que não conseguira ser eleita nas legislativas em outubro, conquista agora um assento no Parlamento Europeu, pelo DP, que duplica o número de eurodeputados. Teve 50.890 votos (individuais e de lista) e foi a quarta candidata mais votada a nível nacional, ficando mesmo à frente de Isabel Wiseler-Lima, a cabeça de lista do CSV.

"Ech hu gepackt" ("Ganhei!"), grita Monica Semedo em luxemburguês, na festa do DP na discoteca Melusina, enquanto fala ao Contacto por telefone. Um orgulho para esta filha de imigrantes cabo-verdianos. "É uma grande honra poder representar os interesses do Luxemburgo em Bruxelas e em Estrasburgo", diz a ex-apresentadora da RTL. "E sendo filha de imigrantes cabo-verdianos, recordo-me que os meus pais tiveram de deixar a família, os amigos e a pátria aos 25 anos para virem para um país que não conheciam, com outro clima e com muito poucos imigrantes africanos", diz ao Contacto. "O Luxemburgo acolheu os meus pais com um grande coração e deu uma oportunidade tanto aos meus pais como aos seus filhos, que puderam estudar, licenciar-se e ter uma vida mais fácil", apontou. "É por isso que eu adoro o Luxemburgo, e é o país mais europeísta que existe".


Mónica Semedo é candidata do DP às eleições europeias. Na rue de Rollingergrund, um cartaz com a sua imagem tem por baixo o slogan do ADR "Keng illegal Immigratioun" ("não à imigração ilegal").
Cartaz contra "imigração ilegal" junto a foto de Mónica Semedo causa polémica
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Isabel Wiseler-Lima, a vereadora cristã-social (CSV) da capital e cabeça de lista do partido nestas europeias, foi a quinta candidata mais votada, obtendo 49.496 votos. E dá a cara pelo grande perdedor nestas eleições: os cristãos-sociais obtiveram 21,1% dos votos (menos 16,55% que em 2014), perdendo um dos três eurodeputados que tinham no Parlamento Europeu. Mas Isabel Wiseler-Lima não se dá por vencida. "Quando se sabe que as personalidades conhecidas no Luxemburgo têm vantagem em relação aos outros, sabíamos que era um risco renovar, mas decidimos avançar para isso e adotar um novo rumo", disse ao Contacto a eurodeputada do CSV, comentando a eleição de Charles Goerens e de Monica Semedo, do DP, que roubou um assento aos cristãos-sociais. 

Com 21,44% dos votos, o partido de Xavier Bettel foi o mais votado nestas eleições europeias. O DP conquista dois mandatos, mais um que nas anteriores eleições, em 2014. Reelege assim Charles Goerens (o candidato mais votado a nível nacional) e elege ainda Monica Semedo.

Já o CSV, cuja cabeça de lista é a lusodescendente Isabel Wiseler-Lima, obteve 21,1%, perdendo um dos três eurodeputados.Os dois mandatos obtidos cabem a Isabel Wiseler-Lima e Christophe Hansen.

Os Verdes (Déi Gréng) são a terceira força política mais votada, com 18,91% (mais 3,9 pontos percentuais que nas últimas eleições), ficando com um eurodeputado, tal como em 2014, reelegendo Tilly Metz.

Os socialistas ficaram atrás dos ecologistas. O LSAP conquista 12,9% do eleitorado (+0,44), mantendo um eurodeputado. Será Nicolas Schmit, o antigo ministro do Trabalho, a ocupar o lugar.


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A nova distribuição de assentos dá dois eurodeputados ao DP (Charles Goerens e Mónica Semedo), dois para o CSV (Isabel Wiseler-Lima e Christophe Hansen), um para os Verdes (Tilly Metz) e outro para os socialistas (o antigo ministro do Trabalho Nicolas Schmit).

Nenhum dos restantes seis partidos conseguiu a eleição de eurodeputados. O ADR, o partido mais à direita no espectro político luxemburguês, conhecido pelas suas posições contra os imigrantes, subiu 2,51 pontos percentuais, chegando aos 10,04%, mas sem eleger nenhum deputado. 

O partido Pirata teve 7,7%, mais 3,47 pontos percentuais que nas últimas eleições. E ficou à frente do Déi Lénk (A Esquerda), que baixou 0,93 pontos percentuais, ficando agora com 4,83%.  

Segue-se o movimento pan-europeu Volt, com 2,11% dos votos. Os comunistas (KPL) não foram além dos 1,14% (menos 0,35 que em 2014). 

A fechar a lista, vêm os Konservativ, um partido formado por um dissidente do ADR, Joe Thein, com posições anti-estrangeiros. Não foram além de 0,53% dos votos.  

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