“Ministros têm 30 dias para esclarecer o caso Puto G no Parlamento”
Os ministros do Trabalho, do Interior e do Ambiente têm um mês para responder à questão parlamentar sobre a reportagem do Contacto, que põe em causa a segurança do lago de Remerschen e as recentes mortes. Formulada pelo líder da bancada parlamentar do LSAP, Alex Bodry, e pelo seu colega socialista, Franz Fayot, a questão parlamentar, publicada a 20 de agosto, pede aos ministros Nicolas Schmit (Trabalho), Dan Kersch (Segurança Interior) e Carole Dieschbourg (Ambiente) que esclareçam questões de segurança do local e as circunstâncias em que se deram as mortes do Puto G e do cidadão búlgaro. A resposta deverá ser conhecida em setembro.
“Ainda não há uma resposta porque, como é dirigida a vários membros do Governo, é preciso uma concertação entre os ministérios. (...) Normalmente, eles devem responder e esclarecer esta questão em 30 dias”, disse Alex Bodry ao Contacto.
Depois de vários artigos sobre o caso e da grande investigação publicada pelo Contacto a 16 de agosto, os contornos sobre as duas mortes ganharam outra dimensão, mas para Alex Bodry não foi suficiente. “Após o artigo que foi publicado na imprensa [Contacto], que nos pareceu bem detalhado, ficámos com a sensação de que este caso não chegou, surpreendentemente, a mexer muito com a opinião pública. Foi por esta razão que interviemos, colocando uma série de questões, nomeadamente as condições de exploração e as responsabilidades, que devem ser esclarecidas”, explica o líder da bancada parlamentar do partido socialista.
O Contacto questionou os ministros em causa sobre esta iniciativa de Alex Bodry e Franz Fayout. Os ministérios do Interior e do Trabalho afirmam que a resposta será dada primeiro ao Parlamento e depois à imprensa. Já o ministério do Ambiente não reagiu até ao fecho desta edição.
Questionado sobre o que espera ouvir dos três ministros, dois deles do mesmo partido LSAP (Nicolas Schmit e Dan Kersch), Alex Bodry diz não ter expectativas e que espera mudanças.
“Não tenho nenhuma expectativa sobre as respostas. Se eu soubesse as respostas, não colocava as questões. Isto para dizer que não foi nenhuma questão parlamentar encomendada por esta ou aquela pessoa, mas que as questões levantadas no artigo [do Contacto] nos preocupam. Queremos saber quais serão os desenvolvimentos depois destes acontecimentos trágicos, assim como as causas, para evitar que estes dramas se repitam”, refere Alex Bodry.
Cinco perguntas aos três ministros
A questão parlamentar dirigida aos ministros Nicolas Schmit, Dan Kersch e Carole Dieschbourg inclui cinco pontos, todos eles levantados já pelo Contacto. De acordo com Alex Bodry, espera-se que possam ser esclarecidos em setembro.
- É verdade, como refere o jornal Contacto, que o pessoal empregue pela comuna de Schengen para a vigilância do lago não tem formação de nadador-salvador?
- É verdade, como diz o artigo, que o pessoal do lago demorou quase uma hora a chamar por socorros, no dia do afogamento do Puto G, não tendo levado em conta os alertas dos amigos da vítima?
- O lago tem procedimentos estabelecidos para determinar quem é responsável, em que casos e circunstâncias, e sobretudo em que momento, por chamar os socorros em caso de incidente?
- Em virtude da legislação existente, quais são as condições que um local de banhos daquele tipo tem de garantir em matéria de segurança?
- É verdade que a infestação de algas é tão grande que se tornou perigoso nadar em certos locais, correndo-se o risco de se enredar nas algas e de se afogar? Se é este o caso, não seria conveniente fazer regularmente e rapidamente limpezas parar minimizar qualquer risco de afogamento?
Ministro Fernand Etgen mantém silêncio
O Contacto quis também ouvir o atual ministro da Proteção dos Consumidores, Fernand Etgen, que em 2010, enquanto deputado, lançou também uma questão parlamentar sobre a falta de segurança no lago Haute-Sûre ao então primeiro-ministro Jean-Claude Juncker.
A questão parlamentar foi apresentada a 13 de julho de 2010, depois de um jovem de 14 anos ter perdido ali a vida a 26 de junho desse ano, engrossado o historial de tragédias nesse lago de acesso gratuito: uma mulher em 2005, um homem em 2007, uma mulher de 26 anos em dezembro de 2010, outra mulher em 2014 e o salvamento de uma pessoa no início deste ano.
Em 2010, Fernand Etgen (dos liberais do DP, o mesmo partido do primeiro-ministro Xavier Bettel e do burgomestre de Schengen, Michel Gloden, que explora o lago de Remerschen) defendia que aquelas praias fluviais deviam ter postos de vigilância com nadadores-salvadores, bóias a sinalizar as zonas em que é possível tomar banho e postos de Polícia com recursos suficientes para “garantir de maneira adequada a segurança” dos banhistas. Mas e agora? O ministro ainda defende essas medidas de segurança? Defende também medidas de segurança no lago de Remerschen (e que medidas) para os consumidores que pagam quatro euros de entrada, num serviço comercial prestado pelos responsáveis do lago?
“O ministro não pode infelizmente responder a essas questões porque não fazem parte das suas competências. As questões são sobretudo do domínio da segurança interna e do domínio das infraestruturas”, disse esta segunda-feira ao Contacto a assessora do ministro Fernand Etgen, Joelle Hengen.
O ministro não responde, mas Alex Bodry gostaria de ver “consequências”. “Não vou julgar essa atitude porque ele não está implicado diretamente neste caso. Mas se o lago é explorado de maneira comercial, deverá também haver consequências. Há que ver todos os regulamentos ligados a isso”.
