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Ministro da Educação vai retirar manual escolar de Matemática com alusão homofóbica
Luxemburgo 2 min. 07.06.2019

Ministro da Educação vai retirar manual escolar de Matemática com alusão homofóbica

Ministro da Educação vai retirar manual escolar de Matemática com alusão homofóbica

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 2 min. 07.06.2019

Ministro da Educação vai retirar manual escolar de Matemática com alusão homofóbica

Em causa está um exercício em que dois meninos, Xavier e Étienne, querem pintar o quarto de cor-de-rosa, uma referência ao primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, e ao vice-primeiro-ministro Étienne Schneider.

O caso foi denunciado pelo deputado socialista Franz Fayot. Numa questão parlamentar apresentada na quarta-feira, o deputado criticava uma referência homofóbica no livro de Matemática "Clic & Maths 3", destinado aos alunos do 3° ano do secundário (o equivalente ao 11° ano em Portugal).

O exercício em causa chama-se "O quarto cor-de-rosa", e pede aos alunos para resolver um problema. Os alunos têm de calcular a quantidade de tinta que Xavier terá de usar para pintar o quarto dessa cor, misturando vermelho e branco. Depois, devem calcular de quanta tinta precisará Étienne para decorar o quarto num tom de rosa "mais leve que o de Xavier".

Para Franz Fayot, os nomes usados são uma referência velada ao primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro, ambos homossexuais. O deputado questionou o ministro da Educação, para apurar responsabilidades e saber se Claude Meisch considera que "este tipo de enunciado, veiculando os piores estereótipos homofóbicos, tem lugar num manual escolar luxemburguês".

Claude Meisch tem um mês para responder, mas já anunciou que os manuais em causa vão ser retirados, depois de questionado pelo Luxemburger Wort.

O manual, da editora belga Boeck, foi adaptado para o ensino luxemburguês em 2013 (ano em que a coligação liderada por Xavier Bettel e Étienne Schneider tomou posse), por quatro professores de Matemática luxemburgueses. Nessa primeira edição adaptada para o Luxemburgo, em vez de Xavier e Étienne, o mesmo exercício continha nomes femininos. Em 2015, foi publicada uma segunda edição em que os nomes femininos foram substituídos por Xavier e Étienne.

Para o ministro da Educação, trata-se claramente de uma piada de mau gosto. Meisch considera que "a acusação de homofobia é inteiramente justificada" e que os professores responsáveis pela adaptação deveriam ter sido objeto de sanções disciplinares. Três estão agora reformados, mantendo-se apenas um em atividade, disse o ministro ao Wort.

Meisch esclareceu ainda que a adaptação de manuais passou desde 2016 para as mãos do Script – Serviço de Coordenação da Investigação e Inovação Pedagógicas e Tecnológicas, que coordena os programas escolares, e que o livro vai ser retirado.