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Min. da Educação "está a consultar vários parceiros sobre reabertura das escolas"
Luxemburgo 6 min. 22.04.2020 Do nosso arquivo online

Min. da Educação "está a consultar vários parceiros sobre reabertura das escolas"

Min. da Educação "está a consultar vários parceiros sobre reabertura das escolas"

Foto: Frank Weyrich
Luxemburgo 6 min. 22.04.2020 Do nosso arquivo online

Min. da Educação "está a consultar vários parceiros sobre reabertura das escolas"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A monitorização da capacidade dos hospitais vai continuar durante o processo de desconfinamento. Caso “alguma barreira seja ultrapassada podem voltar a fechar” parte dos setores económicos, diz um especialista do Ministério da Saúde.

A reabertura das escolas tem sido um dos setores que tem levantado mais polémica na estratégia de desconfinamento no Luxemburgo. Já os sindicatos questionam se a retoma da construção, no início desta semana, não terá sido prematura.

Mas estará o Grão-Ducado preparado para avançar já com a estratégia de desconfinamento do país? Seguindo, assim, o exemplo de outros países europeus que estão a reabrir progressivamente alguns setores de atividades e as suas escolas como a Áustria, Alemanha, República Checa, Dinamarca e Noruega?


Media franceses citam o exemplo de desconfinamento no Luxemburgo
O exemplo da estratégia de desconfinamento luxemburguesa foi hoje apresentada na TF1 e no site LePoint.fr.

A verdade é que a estratégia de reabertura do Luxemburgo tem sido citada como um exemplo em órgãos de comunicação social franceses. A distribuição massiva de máscaras às pequenas e médias empresas, antes de uma retoma gradual das atividades comerciais e dos estaleiros de construção foi noticiada, assim como o facto do regresso ao trabalho ser acompanhado de uma campanha massiva de testes.

Está prevista uma distribuição de cerca de seis milhões de máscaras: cada agregado familiar receberá várias unidades, ao contrário da França ou da Bélgica, onde não está prevista qualquer distribuição pública. E desde o início da semana que é obrigatório o uso desse tipo de proteção quando não poder ser respeitada a distância de segurança de dois metros.

Pais querem que a escola só reabra em setembro


Covid-19. Mais de 13 mil pais contra a reabertura das escolas em maio
A Representação Nacional de Pais, no Luxemburgo diz que "ainda é cedo demais" para os alunos regressarem à escola. E a petição online já vai com mais de 13 mil assinaturas. Mas terá de ser relançada no site oficial do governo, porque assim não irá ao parlamento.

Apesar das regras de segurança impostas, a data prevista para a reabertura das escolas não está a ser pacífica. A Representação Nacional de Pais, no Luxemburgo diz que “ainda é cedo demais” para os alunos regressarem à escola. E há uma petição online já com mais de 13 mil assinaturas a pedir que as aulas presenciais só sejam retomadas em setembro. Uma fonte do Ministério da Educação afirmou ao Contacto que “o ministro da Educação está a consultar os vários parceiros e diferentes atores do sistema educativo sobre a reabertura das escolas”, durante esta semana. “O ministério não pode, por conseguinte, tomar posição sobre o pedido da petição”, acrescenta a mesma fonte.

Para já, 11 de maio continua a ser a data em cima da mesa para a reabertura dos liceus. O arranque das aulas nos outros níveis de ensino, será feito gradualmente, entre 4 e 25 de maio.

Mas só, se nas três semanas da primeira fase de desconfinamento, se verificar que a propagação do novo coronavírus se mantém sob controlo. Se for o caso, entrará em vigor a segunda fase do plano de desconfinamento do Luxemburgo com a reabertura dos liceus. Mas assegurando que determinadas regras de segurança são cumpridas.


Claude Meisch. Turmas vão ser divididas em dois e máscaras obrigatórias até entrar na sala de aula
O ministro explicou como é que é possível regressar progressivamente à escola mantendo medidas para impedir o contágio do novo coronavírus.

Assim, o uso de máscara será obrigatória para alunos, nos transportes públicos até às escolas, no ensino fundamental muitas aulas serão dadas no exterior, e as turmas serão divididas em dois grupos de modo a que se possa manter o distanciamento social na sala de aula.

Medidas que não tranquilizam os representantes dos pais que, sublinham, que uma reabertura deve ser orientado “por estudos e pareceres científicos em matéria de segurança e saúde” e não por “eventuais imperativos económicos”.

Construção civil foi primeiros setor a reabrir

Um mês depois do encerramento de creches, escolas, restaurantes, bares e discotecas para tentar travar a propagação do novo coronavírus, o primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, anunciou uma estratégia de desconfinamento faseada. Numa primeira fase, na segunda-feira passada, o primeiro setor a reabrir foi o da construção civil. Uma decisão que não é pacífica para os sindicatos. As duas principais estruturas sindicais, OGBL e LCGB, foram consultados na elaboração do regulamento que estabelece as medidas de segurança a aplicar para proteger a saúde dos trabalhadores. Apesar disso, para Nora Back, presidente da OGBL, o regresso ao trabalho “É um pouco rápido”.

Já o presidente da LCGB, Patrick Dury, revela que o seu sindicato irá controlar se as regras vão ser devidamente aplicadas nas várias obras espalhadas pelo país.

Pequenas lojas e restaurantes exigem reabertura mais rápida

Mas há setores, pelo contrário, a exigir uma desconfinamento mais rápido. A Associação dos Consumidores do Luxemburgo critica o governo luxemburguês por manter as pequenas lojas e restaurantes fechados, apesar do país ter iniciado a reabertura do setor da construção.

A associação argumenta que as pequenas empresas estão a lutar para sobreviver à crise e para manter o emprego, defendendo que as medidas de precaução sanitária aplicáveis às grandes superfícies podem ser facilmente replicadas no pequeno comércio, assegurando assim a sua reabertura.

Uma posição oposta é a do setor financeiro que deverá continuar a trabalhar a partir de casa, pelo menos, até 25 de maio.

OMS define seis critérios para que países possam reabrir


Covid-19: OMS compara pandemia à "gripe espanhola"
Há um século a pneumónica causou a morte a 100 milhões de pessoas no mundo.

“O pior ainda pode estar para vir.” Foi desta forma que o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou, uma vez mais, para a perigosidade da Covid-19, que apelida de “inimigo público número um.” O líder da OMS comparou a pandemia à chamada “gripe espanhola” e deixa alertas: “Queremos voltar a enfatizar que o alívio das restrições não é sinónimo do fim da epidemia em determinado país. Isso vai requerer esforços sustentados da parte das pessoas, comunidades e governos para continuar a suprimir e a controlar este vírus mortal”, sublinhou.

Para que os países possam avançar com o desconfinamento, a OMS define seis critérios que tem que ser cumpridos: a transmissão da Covid-19 deve estar controlada; o sistema de saúde deve ser capaz de detectar, testar, isolar e tratar todos os casos, além de todos os seus contatos; os riscos de surtos devem estar minimizados em instalações de saúde e lares de terceira idade; medidas preventivas devem ser adotadas nos locais de trabalho, escolas e outros lugares; os riscos de importação de casos devem ser geridos; e as comunidades devem estar completamente preparadas para se ajustarem às novas regras.

Ao Contacto, dois especialistas do Ministério da Saúde garantem que estes critérios estão a ser cumpridos no Luxemburgo.

Jean-Claude Schmit, especialista em testes e tratamentos afirma que o Luxemburgo “está bem preparado”. “Somos um dos países que mais testes faz, cinco vezes mais que os nossos países vizinhos e por isso temos uma grande possibilidade de detetar quase todos os infetados”. Para além disso “há uma equipa que acompanha os pacientes” quando testam positivo. “Depois através do sistema de “contact tracing” todas as pessoas que tenham estado em contacto com esses paciente são testadas”, acrescenta este especialista.

Também Philippe Turk, especialista em organização de hospitais do ministério da Saúde garantiu ao Contacto que o processo de desconfinamento será acompanhado por “uma boa monitorização da capacidade dos hospitais”. “Se se ultrapassarem determinadas barreiras” na capacidade das unidades hospitalares “pode ponderar-se a hipótese de voltar a fechar” setores da economia. 

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