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Médicos portugueses estão a emigrar para o Luxemburgo
Luxemburgo 3 min. 31.08.2019 Do nosso arquivo online

Médicos portugueses estão a emigrar para o Luxemburgo

Médicos portugueses estão a emigrar para o Luxemburgo

Luxemburgo 3 min. 31.08.2019 Do nosso arquivo online

Médicos portugueses estão a emigrar para o Luxemburgo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Reino Unido e Alemanha são os preferidos mas outros países da Europa, como o Grão-Ducado, também são eleitos por estes profissionais

Há cada vez mais médicos que se formam e trabalham em Portugal que decidem sair do país em busca de melhores condições.

Em 2018 foram pedidos 555 certificados à Ordem dos Médicos (OM) para os médicos poderem exercer no estrangeiro. Em 2019, os pedidos já vão em 386, segundo dados da OM  fornecidos ao Diário de Notícias (DN).

A vaga da emigração destes especialistas começou em 2013/ 2014. Desde esse ano até já houve 2152 médicos a apresentar pedidos de certificados à OM, escreve o DN. 

Em 2014 foram assinados 366 pedidos e o número foi subindo até 2016. Nesse ano e em 2017 houve uma quebra acentuda. 

Em 2015 foram passados 475 documentos aos médicos, número que desceu para 198 em 2016 e para 182 em 2017. Contudo, em 2018 voltou a crescer e bateu todos os recordes: 555 certificados passados.

Mas, a julgar pelos números deste ano, o mais certo é o total de 2019 ser superior ao do ano passado.


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De Portugal para outros continentes

 Desde o início, em 2014, o Reino Unido é o principal país escolhido pelos médicos portugueses para emigrar, seguindo-se a Alemanha. Mas agora estes profissionais de saúde também já escolhem outros países europeus como Espanha, França e Suíça, países cuja emigração destes médicos está a aumentar.

Outros médicos há que deixam Portugal e elegem o Luxemburgo como o país de acolhimento ou a Itália, Bélgica, Holanda e República da Irlanda.

E, apesar de continuarem a preferir o velho continente, como explica o DN, há quem emigre para mais longe, como Angola, Suazilândia ou Macau. Ou para os Emirados Árabes Unidos ou Arábia Saudita, ou para a Austrália, Canadá ou EUA.

Segundo os dados a que o DN teve acesso são os médicos mais novos, na faixa etária entre os 25 e os 34 anos, quem mais sai de Portugal. Mas também há especialistas com mais de 50 anos a pedir certificados para poder exercer a sua profissão lá fora.

"Baixos salários" e "desânimo"

A maioria que sai é novo e não tem ainda uma especialidade, revela o DN, ou seja, prefere fazê-la no estrangeiro, mas há cada vez mais médicos especialistas a emigrar como anestesistas, cirurgiões cardiotorácicos, internistas, ginecologistas-obstetras, entre outros.

Estes números deviam ser um alerta para o governo pois “refletem o desânimo e a desmotivação dos jovens médicos que nem sequer colocam a hipótese de fazer a sua formação pós-graduada no SNS ou trabalhar em Portugal”, frisa ao Diário de Notícias Carlos Cortes, presidente da secção do centro da Ordem dos Médicos.

Para o seu colega, o presidente da secção do Norte, António Araújo, realça ao DN que os "salários miserabilistas e a falta de saídas e de projetos profissionais” são as principais razões que “levam os médicos a procurar o estrangeiro".

 Dentistas portugueses no Grão-Ducado

Em 2017, os números indicavam que tinham emigrado para o Luxemburgo mais de 40 dentistas portugueses, nos últimos cinco anos.

“Todos eles têm trabalho, ou criaram a sua empresa e o seu próprio consultório, ou trabalham para outros, revelou à Lusa o presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), José Coimbra de Matos, em vésperas da visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ao Grão-Ducado, em maio de 2017.


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