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Maris Sehovic. "O Déi Gréng conseguiu colocar a questão ecológica no centro do debate político"
Luxemburgo 3 min. 10.07.2020

Maris Sehovic. "O Déi Gréng conseguiu colocar a questão ecológica no centro do debate político"

Maris Sehovic. "O Déi Gréng conseguiu colocar a questão ecológica no centro do debate político"

Lex Kleren
Luxemburgo 3 min. 10.07.2020

Maris Sehovic. "O Déi Gréng conseguiu colocar a questão ecológica no centro do debate político"

Jean-Michel HENNEBERT
Jean-Michel HENNEBERT
Eleito na noite de quinta-feira com 94% dos votos, Meris Sehovic, é o novo co-presidente do Déi Gréng e pretende ampliar ainda mais a base eleitoral do partido.

Aos 28 anos, Meris Sehovic foi eleit co-presidente do Déi Gréng. Ao lado de Djuna Bernard, também com 28, a dupla pretende não apenas ampliar a base eleitoral do partido, mas também fazer valer a coligação do governo para "reajustar as prioridades" até 2023.

O Déi Gréng é agora liderado por duas pessoas que não têm 30 anos. A mensagem que o partido envia aos eleitores parece clara: abrir caminho para os jovens. Aceita esse discurso?

Sim, isso certamente faz parte da mensagem que queremos transmitir, de que está a surgir uma nova geração dentro do partido. Não é por acaso que, no parlamento ou na equipa do governo, temos a menor média de idade. Em 2018 e 2019, optamos por reservar muitos lugares para candidatos com menos de 30 anos, 25% para as eleições legislativas e 50% para os europeus. E, embora algumas vozes tenham dito que num sistema eleitoral personalizado esses candidatos tiveram pouca sorte, os eleitores provaram o contrário. Todos obtiveram boas pontuações, comprovando a necessidade de renovação desejada ao nível político. Seja no Déi Gréng, mas também em quase todas as partes.

Meris Sehovic, Déi Gréng
Meris Sehovic, Déi Gréng
Lex Kleren

No entanto, a remodelação do gabinete após a saída de Félix Braz  e o caso Traversini demonstraram que o Déi Gréng encontrou dificuldades...

Foi realmente um período muito difícil, que nos tocou pessoalmente e também permitiu uma aproximação conjunta. Acho que saímos fortalecidos com esses julgamentos. Estamos mais profissionais. É por isso que um dos meus objetivos, como co-presidente, é tornar esse partido mais do que uma simples adição de pessoal político. Que seja algo muito mais pessoal para todos.

Qual é a linha política a seguir tendo em vista as eleições municipais e legislativas de 2023?

Por enquanto, ainda estamos no meio de uma crise, logo a ambição é sair dela até 2023, de uma forma socialmente justa. Além disso, notamos que Déi Gréng é um partido que cresce de dia para dia, com a chegada regular de novos membros. Pessoas que vêm cada vez mais de outros partidos políticos. Com a minha colega Djuna Bernard, queremos continuar essa dinâmica e abrir ainda mais o partido, porque a ecologia política está ancorada na nossa sociedade. Isso estava longe de ser o caso nos anos 80, quando o partido foi criada. 

Esse alargamento não constitui um risco? O de ver a sua orientação adulterada entre interesses potencialmente divergentes? 

O sucesso de Déi Gréng foi conseguir colocar a questão ecológica no centro do debate político e torná-la uma prioridade reconhecida por todos com menos de 40 anos. Isso foi possível aplicando as nossas ideias a nível local, assumindo a responsabilidade dentro da comunidade de 30 anos, antes de implementá-las a nível nacional. Esta é a razão pela qual não diluiremos a mensagem política com a chegada de novos apoiantes, porque é exatamente esse programa político que é atraente. Além disso, o Déi Gréng nunca foi um partido homogéneo, já que emergiu tanto do movimento antinuclear como do movimento feminista ou mesmo dos católicos de esquerda. A nossa responsabilidade é precisamente manter ou construir pontes entre essas diferentes correntes.

O primeiro-ministro indicou que a crise económica não levará a uma revisão geral do programa de coligação. Ainda assim, acha que certos pontos devem ser discutidos novamente?

Acho que realmente há um reajuste em termos das prioridades que precisa ser feito. Em particular, nos orçamentos planeados para projetos de infraestrutura, como tram, por exemplo, ou o estabelecimento de uma rede de ciclovias. Mesmo que essa questão não seja da competência exclusiva do Estado, mas sim dos municípios. Também está claro que nem toda a gente queria jogar esse jogo. Portanto, ainda há discussões a ter...

Edição de Ana Patrícia Cardoso 

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