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Mais de 17 sem-abrigo perderam a vida no Luxemburgo
Luxemburgo 2 min. 16.02.2019

Mais de 17 sem-abrigo perderam a vida no Luxemburgo

Mais de 17 sem-abrigo perderam a vida no Luxemburgo

Foto: Reuters
Luxemburgo 2 min. 16.02.2019

Mais de 17 sem-abrigo perderam a vida no Luxemburgo

O número foi revelado na tradicional cerimónia na Igreja de Bonnevoie em homenagem aos sem-abrigo desaparecidos no ano que passou. Mas esta cifra negra negros não para de aumentar, tendo morrido mais um em fevereiro de 2019.

Foram 17 os sem-abrigo que morreram no ano de 2018. Destes, três perderam a vida nas ruas em que dormiam. Na semana passada, a morreu a primeiro sem-abrigo de 2019. Na rua morre-se de uma vida difícil, estas vítimas tinha todas as idades, os 17 falecidos tinham de 20 a 70 anos. 

A tradicional cerimónia de homenagem aos sem-abrigo na Igreja de Bonnevoie tinha como tema: "os olhares das pessoas que me ferem". 

"É por causa destes olhares, ou destes não olhares, que nos tornamos pessoas", afirmou na cerimónia o Vigário Geral Leo Wagner, concluindo, "quando vivemos a experiência de um olhar de desprezo, dizem-nos que não é suposto partilha-lo com outras pessoas".

Recentemente o governo do Luxemburgo esteve envolvido em polémica devido a uma norma que prevê que apenas se pode acolher sem-abrigo, sem a devida documentação luxemburguesa, quando as temperaturas são inferiores a menos 3 graus.

A ministra da Família, Corinne Cahen, confirmou na altura a existência da polémica regra que limita o acesso ao dormitório para sem-abrigo do Findel às pessoas em situação irregular no país. No dormitório da chamada Ação Inverno, quem não tem papéis só pode ficar a dormir se o termómetro marcar temperaturas abaixo de três graus negativos.

O caso foi denunciado pela Comissão Consultiva dos Direitos do Homem, durante as comemorações do 70º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem, em Esch-sur-Alzette, e chegou ao Parlamento. Numa pergunta que entrou em 17 de dezembro, o deputado Marc Spautz questionou a ministra da Família sobre a nova regra na iniciativa Ação Inverno (" Wanteraktioun", em luxemburguês), o centro de urgência para sem-abrigo. "A senhora ministra considera que tal prática é compatível com o objetivo desta ação humanitária, a saber, 'evitar que as pessoas sem-abrigo sejam vítimas de hipotermia em época de muito frio?'", perguntava o deputado do partido cristão-social (CSV). O parlamentar também questionava se a regra é compatível com "os valores fundamentais da Declaração Universal dos Direitos do Homem". 

Na resposta, Corinne Cahen confirmou que a polémica regra existe, embora ainda não tenha sido aplicada. "Quanto à regra [...] que limita o acesso das pessoas sem-papéis à Wanteraktioun [Ação de Inverno] às noites em que a temperatura é inferior a menos três graus, esta foi prevista por medida de segurança, em concertação com as organizações no terreno e a Polícia grã-ducal". A ministra explica que a Polícia terá informado o Ministério da Família e as ONGs envolvidas, "desde o verão de 2018", da "presença no território de pessoas julgadas perigosas, dispondo de um potencial de agressividade e recorrendo à violência física". "Estas pessoas estariam a tentar ter acesso ao meio dos sem-abrigo no Luxemburgo", sustenta a ministra, explicando que o "perigo potencial" terá levado à decisão de "limitar o acesso ao 'foyer' de noite das pessoas que recusam fornecer a sua identidade". 




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